Educando Para o Lazer: Relato de Experiencia com a Comunidade do Preventorio

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X EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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Introdução

Desenvolver um trabalho de educação para o lazer não é tarefa muito fácil para a os professores de Educação Física. Segundo pesquisa feita por Darido a maioria deles quando coloca os alunos para realizarem uma atividade que lhes permita uma certa autonomia de decisão, "sentem que seu papel de" professor-educador "é diminuído, atenuado, ou mesmo, excluído" (Darido, 2003, p.75). Na medida em que as atividades de lazer necessitam de um certo grau de "liberdade" a fim de que os sujeitos envolvidos no processo possam realizar suas escolhas, fazer opções sobre que atividade lhes é mais conveniente, necessária, prazerosa..., Muitos professores sentem dificuldade em implementar aulas menos diretivas, mais livres e com menos intervenções. Aos olhos do leigo (diretor, coordenador e outros professores da escola) parece que o professor não está fazendo nada, é um "boa vida", fica só descansando enquanto os alunos estão brincando ou jogando. Poucos têm consciência do quanto é trabalhoso conseguir que uma turma atinja o nível de entendimento suficiente para se auto-organizar a fim de definir e desenvolver uma atividade com o mínimo de interferência do professor. Segundo Silva e Silva a capacidade de auto-organização de um grupo é precondição para o desenvolvimento da cultura popular (que engloba a cultura do movimento corporal) e da educação para o protagonismo, e desenvolve a capacidade de trabalho coletivo onde é necessário "saber organizar e dirigir um grupo quando necessário e também saber obedecer quando for preciso" (Silva e Silva, 2004, p.39).

Com base nesta reflexão venho trazer para vocês minha experiência na busca de uma Educação para o lazer dentro da Educação Física Escolar.

Assim que tudo começou

Esta história, como a da maioria dos professores, se confunde com minha história de vida. Atleta de Ginástica Rítmica durante oito anos e bailarina desde os sete anos de idade me vi inclinada a cursar Educação Física. Estudei na UFRJ, numa época em que saíamos da faculdade nos sentindo técnicos (ainda que as disciplinas pedagógicas da Praia Vermelha tentassem nos afastar desta tendência). Minha vida como professora começou logo no início do curso. Experimentei quase todas as áreas da educação física: técnica de algumas modalidades esportivas, recreadora de clube e de hotel, professora de ginástica e avaliadora física em academia, agente social de esporte e lazer, professora de ballet, professora de Educação Física em escola particular e pública... Disciplina, atenção, participação, rigidez e autoritarismo eram a base das minhas aulas. Apesar disso, minha maior preocupação sempre foi ensinar aos alunos algo que fosse útil para a vida deles, que eles realmente gostassem de fazer, que ajudasse verdadeiramente em sua formação como cidadãos.

Sempre acreditei que estava fazendo isso. Confiava na capacidade educativa do esporte por si só, que influenciou decisivamente na formação da minha personalidade e do meu caráter. Mesmo tendo experimentado várias opções dentro da Educação Física, o trabalho com Educação Física Escolar no ensino público foi o que mais me atraiu.

Trabalhando com a comunidade do Preventório

No início do ano 2000 comecei a dar aulas na E.E.Maria Pereira das Neves, localizada no bairro de Charitas/Niterói. Charitas é um bairro situado entre o mar da Baía de Guanabara e as montanhas, como é característico na cidade de Niterói. A escola pequena, ainda oferecia turmas de C.A. à 4ªsérie, mas iria iniciar o processo de transição para oferecer turmas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental, por isso a minha entrada na escola foi possível. Não havia um local específico para as aulas acontecerem, mas enquanto as crianças não cresciam os dois pequenos pátios estavam excelentes, até porque com as turmas do primeiro segmento do ensino fundamental não trabalhava o desporto, mas sim brincadeiras, pequenos jogos e exercícios de psicomotricidade. Com as turmas do 2º segmento adaptava o espaço para trabalhar com a iniciação desportiva. Improvisávamos traves, tabelas de basquete, redes de vôlei... E, transformávamos o espaço numa "quadra polivalente". Os problemas começaram quando eles foram chegando na 7ª e 8ª séries. O espaço se tornou pequeno e eles de tanto praticar as mesmas modalidades todos os anos acabaram se tornando "exímios" praticantes. Gostavam de fazer tudo muito bem feito, adoravam competir, mas começaram a se mostrar desinteressados. Isto me incomodava muito! Tentei conseguir o ginásio do Corpo de Bombeiros que se localiza ao lado da escola. Solicitamos, fizemos abaixo assinado e apelamos para pais de alunos que eram soldados ali, mas tudo que conseguimos foi realizar numa tarde um evento de final de ano, uma competição entre as turmas. A presença de crianças dentro daquele espaço é algo inadmissível para a corporação. Nos restava a praia, bem ali na frente nos convidando... Falavam que era uma loucura. Consegui permissão para ir com os alunos para a praia apenas esporadicamente. No início, tinha que avisar à direção quando ia sair e normalmente o auxiliar de serviços gerais nos ajudava a atravessar a rua. Antes de sair mil recomendações aos alunos sobre o comportamento (coisas de professora-mãe), como se eles não estivessem cansados de atravessar a rua que fica na frente de suas casas e ir à praia mesmo desacompanhados de seus responsáveis. Ainda assim a turma que não se "comportava" perdia o direito de voltar numa outra oportunidade. Ah, as sanções... Com a variedade de atividades possíveis de se realizar na praia, as aulas tornaram-se muito mais descontraídas, atraentes e dinâmicas. As "bagunças" tornaram-se menos evidentes e, portanto mais "permitidas". Caminhadas, corridas, brincadeiras, jogos ou simplesmente uma boa conversa no calçadão, ver a mãe, o pai ou outro conhecido passando, paquerar, tudo isso passou a fazer parte da aula de EF depois que nos apropriamos da praia. O dia em que a aula acontecia na praia era o dia de "variar", fazer alguma coisa diferente: jogar uma "pelada" (sem a profª de juiz), um jogo de queimado, empinar pipa, jogar bola de gude, brincar de pique...Confesso que ficava preocupada se alguém passasse e achasse que minha aula era uma bagunça ou que eu não estava fazendo nada. Todos os dias os alunos torciam, pediam, imploravam para que a aula fosse na praia. Com o tempo as aulas na praia passaram a ser cada vez mais freqüentes. Algumas turmas já me esperavam no portão, para ver se eu nem pensava em ficar na escola!

Subitamente, perto do final do ano de 2003, nosso local de aulas foi invadido por tapumes de obra. Como conseqüência do PUR da prefeitura de Niterói, aquela praia passaria a abrigar uma suntuosa estação de catamarãs que ajudaria a descongestionar o movimento da estação das barcas no Centro de Niterói, escoando o trânsito de moradores da Região Oceânica. Foi um susto! Algumas tentativas de reverter essa situação foram tentadas sem sucesso. A areia da praia passou a ser canteiro de obras e o campo de futebol onde aconteciam as aulas de Educação Física e a comunidade utilizava como área de lazer, foi tomado pela construção de um grande estacionamento para servir aos usuários dos catamarãs. Apesar da inegável necessidade (para a elite de Niterói) de se construir aquela estação, para a comunidade que ali vive a obra representou uma agressão, tanto no que diz respeito às suas possibilidades de lazer quanto a seu modo de vida. Na nossa rotina de aulas, representou um retrocesso. Para conseguirmos um espaço livre tínhamos que caminhar um pouco e nem sempre o local era adequado ou estava disponível. Além disso, nosso distanciamento da escola não agradava muito à direção. Ficávamos semanas a fio fazendo aulas no pátio dentro da escola. Para os alunos (e às vezes para mim também) era um martírio! A necessidade de negociar todas as nossas conquistas era um novo aprendizado para nós. Nossa saída era negociada com a direção, nosso espaço para realização das aulas era negociado com a própria comunidade que queria usar o mesmo espaço ao mesmo tempo, ou com os atletas do parapente ou vôo livre que eram "donos" de um espaço privilegiado na praia. Depois que a Estação ficou pronta, tínhamos que negociar o uso do calçadão com os seguranças da BARCAS S/A e com os usuários das barcas.

Em setembro de 2004 a escola entrou em obras. O pátio da frente virou barracão e o lateral foi destruído para restauração das instalações de água e esgoto. Nesta época, coincidentemente, me afastei das atividades ligadas à Ginástica Rítmica e iniciei a pós-graduação em Educação Física Escolar na UFF. Era o momento propício para mudar.

Se as esporádicas idas à praia já eram encaradas com enorme receio pela direção e como atitude de "loucura" pelos demais colegas de profissão, como enfrentar sozinha a praia como local regular de trabalho. Precisava pensar e me preparar, pois pressentia que após a primeira saída, não teria volta. A primeira reação foi recuar de vez para dentro de sala de aula, sob veementes protestos dos alunos.

Em pouco tempo estávamos (inclusive eu) saturados de tanta aula de dança, expressão corporal, tiro ao alvo, brincadeira da mímica, forca, dicionário e outras que conseguimos inventar e realizar dentro das salas de aula (sem fazer muito barulho para não atrapalhar as outras aulas). Qualquer atividade proposta que os tirassem de dentro da escola seria melhor que permanecer dentro de sala. Começamos apenas com caminhadas pelo calçadão. Não era a "brincadeira" preferida, mas foi o pontapé inicial para irmos, aos poucos, descobrindo muitas outras possibilidades para nossas aulas e para o lazer da comunidade. Após caminharmos pelo calçadão aproximadamente 1,2 km chegávamos a uma pracinha (que eles chamam de píer), dessas que as prefeituras colocam barras, paralelas, prancha para abdominal, gangorra, balanço, e um gramadinho modesto, mas que dava para adaptar algumas brincadeiras. Só não dava para jogar bola, pela proximidade do mar e neste local existem muitas pedras que dificultam o acesso ao mar. Caminhando para o lado oposto ao da pracinha por uns 800 m havia um trecho de areia onde existiam muitas pedras e cacos de vidro no chão, apesar disso havia lá duas traves e o espaço tinha dimensões mais propícias para a prática de esportes com bola. Começamos a utilizá-lo sempre calçados e pacientemente fomos garimpando o terreno, dia após dia. Outro belo espaço começou a ser por nós utilizado e a utilização teve que ser negociada com seus "proprietários". Há poucos metros da escola junto do calçadão existe uma enorme área gramada onde existia uma placa com seguintes dizeres: "Área reservada para pouso de parapentes e prática de aeromodelismo". Nunca entendi como aquele espaço poderia ser particular se fazia parte da praia que é pública. Como os praticantes de aeromodelismo só apareciam nos fins de semana, era só olhar para o céu antes da aula e observar se havia algum parapente. Se não houvesse era festa! A área é realmente privilegiada, um gigantesco gramado entre o mar e o calçadão! Possibilita a prática de diversas atividades simultaneamente, sem que as crianças voltem sujas de areia para a sala de aula (este sempre foi um grande problema das aulas na praia). Inexplicavelmente a placa de área reservada desapareceu e eu nem me dei conta de quando isto aconteceu. Outro maravilhoso espaço por nós descoberto foi o Parque da Cidade. Situado no alto do morro da Viração existe um caminho que passa por dentro da comunidade do Preventório que chega no parque. O grande problema é que são 45min de subida íngreme, sendo inviável a realização freqüente deste passeio. Do alto do parque vemos toda a cidade de Niterói e algumas adjacências (Rio, São Gonçalo...), além de alguns brinquedos, existe um local improvisado para "rapel" e a pista de onde partem os praticantes de parapente e vôo livre.

Em agosto de 2005 começaram a ser oferecidas as primeiras turmas de 5ª e 6ª série do EJA à noite, que me necessitavam de aulas de Educação Física. Em sua maioria, os alunos deste turno são familiares e parentes dos alunos dos turnos da manhã e da tarde, ou então ex-alunos com idade avançada em função de consecutivas repetências. De qualquer forma, a maioria já conhecia, pelo menos de vista, o trabalho feito nas aulas de Educação Física. Muitos colegas, também professores de Educação Física, que já haviam trabalhado com esta clientela e alertavam para a dificuldade em se implementar alguma atividade com participação total da turma. Por não ser obrigatória a participação em atividades físicas, mas ser obrigatória a disciplina Educação física no turno da noite, torna-se muito mais difícil o envolvimento dos alunos. Acaba-se trabalhando apenas dentro de sala de aula. Pensei que seria um desafio bem diferente trabalhar com esta nova clientela. Acabei me surpreendendo! As turmas eram gigantescas e extremamente heterogêneas! Poucos adolescentes, muitas pessoas que visivelmente estiveram trabalhando o dia todo e muitas senhoras. No primeiro dia de aula conversamos sobre direitos dos cidadãos e iniciei explicando que tinham direito de escolher se queriam fazer atividade física na praia ou não. Falei-lhes sobre os direitos à educação, saúde e lazer principalmente. Falamos sobre a necessidade em se praticar atividades físicas e outros cuidados visando à saúde e finalizei lembrando-lhes que no ano anterior eles haviam perdido um maravilhoso espaço de lazer e, portanto, era fundamental que mostrassem ao poder público que o espaço que restou da praia de Charitas representa uma área importantíssima para o lazer deles. Para isto era necessário que realmente a comunidade estivesse na praia: caminhando ou correndo no calçadão ou na areia, participando dos projetos de triathlon, vela, vôlei e ginástica e principalmente se organizando para utilizar a praia como única opção de lazer que têm, a fim de afastar a possibilidade ainda existente de continuarem fazendo obras particulares em cima da praia. Esta conversa suscitou, obviamente, discussões que duram até hoje. Só que as discussões acontecem na praia, durante nossas caminhadas e alongamentos, enquanto uns se arriscam numa rodinha de vôlei, ou numa partidinha de queimado, os rapazes gostam de jogar futebol, já arriscamos até frescobol no verão! Quando chove ficamos em sala de aula e conversamos muito sobre alimentação e saúde, pois são assuntos que despertam neles uma enorme curiosidade; além de tirarem muitas dúvidas sobre diversos mitos, preconceitos e tabus difundidos pela mídia e pela sociedade. Dietas da moda, padrões de beleza, anabolizantes e outras drogas, doenças sexualmente transmissíveis...

A construção da Estação Hidroviária foi uma obra traumática para aquela comunidade, na medida em que os pegou de surpresa, sem permitir que eles se organizassem para se defender ou lutassem adequadamente por sua única área de lazer.Além disso, trouxe para o local um progresso indesejável, pois somente seus efeitos negativos puderam ser observados pela comunidade. A oferta de emprego não aumentou e contraditoriamente os pescadores e catadores de mariscos tiveram uma queda abrupta em suas rendas, pois com o movimento das barcas os mariscos e peixes desapareceram dali. Para completar, a prefeitura proibiu que os moradores da comunidade "trabalhassem" como "flanelinhas", tomando conta dos carros, mas permitiu que a Barcas S/A construísse um estacionamento enorme sobre a areia da praia e explorasse o local cobrando um preço absurdo para estacionarem no local. A Barcas S/A contratou uma empresa para oferecer segurança aos seus usuários, protegê-los contra os perigos que a comunidade pode oferecer-lhes. A infraestrutura (iluminação e instalações de água e esgoto) que serve à estação não foi estendida à comunidade e para piorar a situação o trânsito das lanchas largando óleo o dia inteiro só aumentou a poluição no local, além de atrapalhar os treinos dos alunos do projeto de vela (Projeto Grael) e o tráfego de barcos de pescadores locais. Aos poucos os usuários das barcas foram "delicadamente" inibindo a presença dos moradores no calçadão. Com seus carros do ano, suas roupas de grife, seus corpos perfeitamente malhados, cabelos penteados e impecáveis, acham linda a estação, mas feio o seu entorno e seus moradores. Isso trás revolta e aumenta a violência, que nunca foi comum nesta comunidade.

EDUCANDO PARA O LAZER, CONCIENTIZANDO A COMUNIDADE

Era urgente para a comunidade que se apropriassem verdadeiramente daquele espaço público de lazer a fim de inibir novas iniciativas da prefeitura em utilizar aquela área para benefício da elite. Visto que a obra e seus efeitos eram irreversíveis, comecei a me preocupar em mostrar lhes as inúmeras opções de espaço para a realização do lazer gratuito naquela praia. Como minha disciplina envolve atividades ligadas à cultura do movimento corporal, assumi a responsabilidade de tentar conscientizá-los de seus direitos em relação ao espaço que lhes restou, através do lazer. Embora saiba que muitas outras iniciativas contribuíram para esta conscientização, muito me orgulho quando vejo hoje em dia, o campo de futebol da praia com iluminação e a comunidade organizada, com a ajuda da Associação de Moradores, realizando seus campeonatos, ou quando vejo os espaços que conseguimos negociar para serem utilizados (aqueles que tinham "donos") sendo utilizados regularmente por membros da comunidade. É notória também uma maior capacidade de organização no sentido de fazer valer seus direitos. Recentemente organizaram uma manifestação contra a construção do túnel Charitas-Cafubá na frente da Estação Hidroviária com convocação de algumas redes de TV. A realização desta obra prevê a desapropriação de várias casas da comunidade do Preventório ou a destruição do Hospital Psiquiátrico de Jurujuba que presta atendimento psicológico gratuito a diversas pessoas da comunidade. Além da manifestação, foram à Câmara dos Vereadores no dia em que seria feita a votação para definir o valor da tarifa do pedágio a ser cobrado naquele túnel. A obra ainda não começou.

Este relato tem como objetivo incentivar outros professores a também desenvolverem em suas aulas atividades voltadas para o lazer sem preocupações maiores em relação ao que podem estar pensando deles, mas com a consciência tranqüila de estão trabalhando no sentido da construção da cidadania, no desenvolvimento da autonomia e consciência crítica dos alunos.

Obs. A participante de mesa redonda, prof. Luciana Santos Collier é professora da UNIG.

Bibliografia

  • Alves Júnior, E.D. & Melo V.A. Introdução ao Lazer. Barueri, SP: Manole, 2003.
  • Coletivo de autores. Metodologia do ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.
  • Darido, S.C. Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.
  • Silva, J.A.A. & SILVA, K.N.P. Círculos Populares de Esporte e Lazer: fundamentos para a educação do tempo livre. Recife: Bagaço, 2004.
  • Werneck, C. Lazer, trabalho e Educação: relações históricas, questões contemporâneas. Belo Horizonte: Editora UFMG/CELAR-DEF, 2000.

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