Efeito Agudo de Dois Modelos de Treinamento Intervalado Sobre a Carga Interna em Atletas de Futsal Feminino

Por: Luiz Guilherme A. Guglielmo, Marília Cavalcanti Serpa, Renan Felipe Nunes, Telmo Nunes da Silva e Tiago Martins Coelho.

Revista Brasileira de Educação Física e Esporte - v.34 - n.3 - 2020

Send to Kindle


.Resumo

O objetivo desse estudo foi analisar o efeito agudo em duas sessões de treinamento intervalado de alta intensidade (TIAI) sobre os valores de carga interna em atletas de futsal feminino. Treze jogadoras adultas (21,2±2,8 anos; 60,3±7,6 kg; 163±06 cm; 20,6%±5,7 gordura) foram submetidas a quatro sessões experimentais: 1) Antropometria e teste incremental em esteira rolante (TIER); 2) Futsal Intermittent Endurance Test (FIET); 3) Maximal Shuttle Run Test (40-m MST); 4) divididas randomicamente em dois grupos, aonde cada grupo completou um dos dois modelos de TIAI em duas sessões de treinamento, consistindo em 8 séries similares em relação esforço:pausa (1:1), distância relativa (m.min-1) de modo que gerasse a mesma intensidade de corrida relativa ao PV do FIET (100% do Pico de Velocidade), mas com número de mudanças de direção distintos (TIAI7,5x7,5=1 vs. TIAI15x15=3). Lactato sanguíneo (Lac), frequência cardíaca (FC) e percepção subjetiva de esforço (PSE) foram coletados. Não foram encontradas diferenças nas variáveis obtidas no TIER, FIET, 40-m MST e entre as médias de FC e PSE durante TIAI entre os grupos (p>0,05). Porém, mudanças foram reportadas ao longo do tempo para FC (F=15,207; p<0,05) e [Lac] (F=57,110; p<0,001) em ambos os grupos. Valores de [Lac] foram superiores no TIAI7,5x7,5 comparado ao TIAI15x15 na série 1 (F(2,28)=2,234; p<0,05), além disso, a análise de inferência demonstrou valores muito provavelmente maiores na série 1 (98/1/1) e provavelmente maiores na série 2 (93/5/2) ambos com grande tamanho do efeito
(TE=1,31; TE=0,84). Com base nos resultados obtidos em uma sessão de treino, conclui-se que os ambos os modelos de TIAI são capazes de promover mudanças na carga interna em jogadoras de futsal em uma mesma proposta de sessão de treino.

Referências

1. Nakamura FY, Pereira LA, Rabelo FN, Ramirez-Campillo R, Loturco I. Faster futsal players perceive higher training loads and present greater decreases in sprinting speed during the preseason. J Strength Cond Res. 2016; 6: 1553-62.
2. Miloski B, de Freitas VH, Nakamura FY, de A Nogueira FC, Bara-Filho MG. Seasonal training load distribution of professional futsal players: effects on physical fitness, muscle damage and hormonal status. J Strength Cond Res. 2016;6:1525-33.
3. Medina JV, Salillas LG, Virón PC, Marqueta PM. Necesidades cardiovasculares y metabólicas del fútbol sala: análisis de la competición. Apunts Educ Fís Deport. 2002;67:45-51.
4. Álvares JCB, Álvares VB. Relación entre el consumo máximo de oxígeno y la capapacidad para realizar ejercicio intermitente de alta intensidade em jugadores de fútbol sala. Rev Entren Deport. 2003;17:13–24.
5. Álvarez JCB, Soto VM, Álvarez VB, Vera JC. Match analysis and heart rate of futsal players during competition. J Sports Sci. 2008;26:63-73.
6. Spencer M, Bishop D, Dawson D. Physiological and metabolic responses of repeated-sprint activities: specific to field-based team sports. Sports Med. 2005;35:1025-44
7. Billat VL. Interval training for performance: a scientifi c and empirical practice special recommendations for middleand long-distance running. Part I: aerobic interval training. Sports Med. 2001;3:13-31.
8. Matzenbacher F, et al. Demanda fi siológica no futsal competitivo. Características físicas e fisiológicas de atletas profissionais. Rev Andaluza Med Deport. 2014;7:122-131.
9. Midgley A W, Mcnaughton L R, Wilkinson M. Is there an optimal training intensity for enhancing the maximal oxygen uptake of distance runners? Empirical research findings, current opinions, physiological rationale and practical recommendations. Sports Med. 2006;36:117-32.
10. Álvarez JCB, D’ottavio S, Vera JG, Castagna C. Aerobic Fitness in futsal players of different competitive level. J Strength Cond Res. 2009;23:2163-6.
11. Dogramaci SN, Watsford ML, Murphy AJ. Time-motion analysis of international and national level Futsal. J Strength Cond Res. 2011;3:646-51.
12. Rodrigues VM, Ramos GP, Mendes TT, Cabido CET, Melo ES, Condessa LA, et al. Intensity of official futsal matches. J Strength Cond Res. 2011;9:2482–7.
13. Carminatti LJ, Arins FB, Silva JF, Santos PC, Silva CEM, Guglielmo LGA. Intensidade de esforço em jogos oficiais e simulados de futsal feminino. R Bras Ci Mov. 2015;23:97-104.
14. Billat VL, Hamard L, and Koralsztein JP. The influence of exercise duration at VO2max on the off-transient pulmonary oxygen uptake phase during high intensity running activity. Arch Physiol Biochem. 2002;110: 383–92.
15. Dellal A. Analysis of the soccer player physical activity and of its consequences in the training: special reference to the high intensities intermittent exercises and the small sided-games. Master’s thesis, University of Sport Sciences, Strasbourg, France, 2008.
16. Dellal A, Keller D, Carling C, Chaouachi A, Wong DP, Chamari K. Physiologic effects of directional changes in intermittent exercise in soccer players. J Strength Cond Res. 2010;24:3219-26.
17. Essen B, Hagenfeldt L, Kaijser L. Utilization of blood-borne and intramuscular substrates during continuous and intermitente exercise in man. J Physiol. 1977;265:489-506.
18. Carminatti L J. Futsal Intermittent Endurance Test (FIET): avaliação e método para individualizar treinamento intermitente de alta intensidade em atletas de futsal. [Tese]. Santa Catarina (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, Biodinâmica do Desempenho Humano; 2014.
19. Castagna C, Álvarez JCB. Physiological demands of an intermittent futsal-oriented high-intensity test. J Strength Cond Res. 2010;24:2322-29.
20. Nascimento LL. Tempo de exaustão em dois modelos de treinamento intervalado de alta intensidade do método trief em atletas de futsal. [Dissertação]. Santa Catarina (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, Biodinâmica do Desempenho Humano; 2015.
21. Alvarez BR., Pavan AL. Alturas e comprimentos. In: PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. 2a. ed. Porto Alegre: Pallotti, 2003. cap. 2.
22. Benedetti TRB, Pinho RA, Ramos VM. Dobras cutâneas. In: PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. 2a. ed. Porto Alegre: Pallotti, 2003.
23. Jackson AS, Pollock ML, Ward A. Generalized equations for predicting body density of woman. Med Sci Sports Execise. 1980;12:175-81.
24. Heyward VH, Stolarczyk L M. Avaliação da composição corporal aplicada. 1a. ed. São Paulo: Manole, 2000.
25. Siri WE. Body composition from fluid spaces and density: analysis of methods. In: Brozek J; Henschel A (editores). Techniques for measuring body composition. Washington, DC: National Acad Sciences. 1961;5:223-44.
26. Kuipers H, Rietjens G, Verstappen F, Schoenmarkers H, Hofman G. Effects of stage duration in incremental running tests on physiological variables. Int J Sports Med. 2003;24:486-91.
27. Foxdal P, Sjödin A, Sjödin B. Comparison of blood lactate concentration obtained during incremental and constant intensity exercise. Int J Sports Med. 1995;17:360-5.
28. Silva DF; Nakamura FY; Machado FA. Efeitos do uso da máscara para análise de gases sobre variáveis fisiológicas e perceptuais máximas e submáximas durante um teste incremental. Rev Bras Educ Fís Esporte. 2016;30:523-31.
29. Laursen PB, Shing CM, Peake JM, Coombes JS, Jenkins DG. Interval training program optimization in highly trained endurance cyclists. Med Sci Sports Exerc. 2002;34:1801-07.
30. Basset DR., Howley ET. Limiting factors for maximum oxygen uptake and determinants of endurance performance. Med Sci Sports Exerc. 2000;32:70-84.
31. Silva AC, Torres FC. Ergoespirometria em atletas paraolímpicos brasileiros. Rev Bras Med Esport. 2002;8:107-116.
32. Castagna C, D’ottavio S, Granda JV, Álvarez, JCB. Match demands of professional Futsal: A case study. J Sci Med
Sport. 2009;12:490-94.
33. Noakes TD. Implications of exercise testing for prediction of ahletic performance: a contemporary perspective. Med Sci Sports Exerc. 1988;20:319-30.
34. Billat VL, Morton RH, Blondel N, et al. Oxygen kinetics and modeling of time to exhaustion whilst running at various velocities at maximal oxygen uptake. European J Applied Physiol. 2000;82:178-87.
35. Berg A, Jokob M, Lehmann HH, Dickhuth G, Huber J. Actualle Aspekte der modernen ergometrie. Pneumologie. 1990;44:2-13.
36. Baker J, Rasbotton R, Hazeldine, R. Maximal shuttle running over 40m as a measure of anaerobic performance. British J Sports Med. 1993;27:228-32.
37. Glaister M, Hauck H, Abraham CS, Merry KL, Beaver D, Woods B. Familiarization, reliability, and comparability of a 40-m maximal shuttle run test. J Sports Sci Med. 2009;8:77-82.
38. Nascimento PC, De Lucas RD, Dal Pupo J, Arins FB, Castagna C, Guglielmo LGA. Efeito de quatro semanas de treinamento de sprints repetidos sobre índices fi siológicos em atletas de futsal. Rev Bras Med Esport. 2014;17:91-103.
39. Arins FB. Efeito de dois modelos de treinamento intervalado de alta intensidade sobre a performance de jogo, índices fisiológicos e neuromusculares em atletas de elite de futsal feminino [Tese]. Santa Catarina (SC): Universidade Federal de Santa Catarina, Biodinâmica do Desempenho Humano; 2015.
40. Fitzsimmons M, Dawson B, Ward D, Wilkinson A. Cycling and running Tests of repeated sprint ability. Australian J Sci Med Sport. 1993;25:82-87.
41. Borg GA. Pshychophysical bases of perceived exertion. Med Sci Sports Exerc. 1982;14:377-81.
42. Foster C, Florhaug JA, Franklin J, Gottschall L, Hrovatin LA, Parker S. A new approach to monitoring exercise training. J Strength Cond Research. 2001;15:109-15.
43. Batterham A, Hopkins W. Making meaningful inferences about magnitudes. Int J Sports Physiol Perfor. 2006;1:50-7.
44. Fernandes Da Silva J, Nakamura FY, Carminatti LJ, Dittrich N, Cetolin T, Guglielmo LG. The effect of two generic aerobic interval training methods on laboratory and fi eld test performance in soccer players. J Strength Cond Research. 2015;29:1666-16672.
45. Fernandes Da Silva J, Dittrich N, Guglielmo LGA. Avaliação Aeróbia no Futebol. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2011;5:384-91.
46. Arins BF, Salvador PCN, Carminatti LJ, Guglielmo LGA. Physiological characteristics, evaluation and prescription of aerobic training in Futsal. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2015;17:753-62.
47. Cetolin T, Carminatti LJ, Fernandes Da Silva J, Foza V, Guglielmo LGA. Comportamento das variáveis fisiológicas durante exercício intermitente no pico de velocidade obtido no teste T-CAR em atletas profi ssionais de futebol de campo. Rev Mineir Educ Física. 2013;9:669-75.
48. Powers SK, Howley ET. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. 6. ed. Barueri: Manole. 2009;646.
49. Ross A, Leveritt M, Riek S. Neural infl uences on sprint running: Training Adaptations and Acute Responses. Sports Med. 2001;6:409-25.
50. Bishop D, Girard O, Mendez AV. Repeated sprint ability - part II: recommendations for training. Sports Med. 2011;41:741-56.
51. Alexiou H, Coutts AJ. A comparison of methods used for quantifying internal training load in women soccer players. Inter J Sports Physiol Perfor. 2008;3:320-30.
52. Wallace LK., Slattery KM, Coutts AJ. Th e ecological validity and application of the session-RPE method for quantifying training loads in swimming. J Strength Cond Research. 2009;23:33-8.
53. Karahan M. Th e eff ect of ski-based maximal intensity internal training on aerobic and anaerobic performance of female futsal players. Biol Sport. 2012;29:223-227.
54. Dupont G, Berthoin S. Time spent at a high percentage of VO2max for short intermittent runs: active versus passive recovery. Can J Appl Physiol. 2004;29:3-16.

Downloads

PDF

Publicado

2020-09-30

Como Citar

Silva, T. N. da, Nunes, R. F., Serpa, M. C., Coelho, T. M., & Guglielmo, L. G. (2020). Efeito agudo de dois modelos de treinamento intervalado sobre a carga interna em atletas de futsal feminino. Revista Brasileira De Educação Física E Esporte, 34(3), 447-461. Recuperado de https://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/175257

Endereço: https://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/175257

Comentários


:-)





© 1996-2021 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.