Efeito Agudo de Uma Sessão de Crossfit® Sobre as Variáveis Hemodinâmicas e a Percepção de Esforço de Adultos Treinados

Por: Guilherme Rosa, Lucas Alencar e Ravini de Souza Sodré.

Revista de Educação Física - Centro de Capacitação Física do Exército - v.87 - n.1 - 2018

Send to Kindle


Resumo

Introdução: O aumento no número de praticantes de CrossFit® com distintas características e níveis de treinamento torna importante a investigação acerca das respostas fisiológicas à modalidade.

Objetivo: Verificar o efeito de uma sessão de treinamento de CrossFit® sobre as variáveis hemodinâmicas e a percepção de esforço de indivíduos treinados.

Métodos: Doze homens (32,75 ± 2,67 anos), praticantes apenas de CrossFit®, tiveram sua percepção de esforço (PE) e suas variáveis hemodinâmicas frequência cardíaca (FC), pressão arterial sistólica (PAS), e pressão arterial diastólica (PAD) aferidas antes e imediatamente após uma sessão de treinamento. O duplo produto foi calculado nos mesmos momentos através da multiplicação da FC pela PAS. A sessão de treinamento, padronizada pela modalidade, foi composta por exercícios de mobilidade articular, levantamento olímpico, treinamento de força e ginástica realizados no menor tempo possível. Utilizou-se a estatística descritiva, o teste de normalidade de Shapiro-Wilk, e o teste t de Student pareado com alfa de 0,05.

Resultados: Observou-se aumento significativo (p=0,0001) das variáveis FC, PAS e DP em comparação com o repouso, sem alterações (p=0,86) para a PAD. Quanto à percepção de esforço após a sessão de treinamento, observou-se valores de 9,5 ± 0,67 na escala OMNI-RES.

Conclusão: Uma sessão de CrossFit® com as características do presente estudo provocou elevação das variáveis hemodinâmicas e da percepção de esforço após a sessão de treinamento, exceto para a PAD. Tais dados apontam a elevada demanda cardiovascular na modalidade.

Accute Effect of a CrossFit® Session on the Haemodynamic Variables and Exertion Perception of Trained Adults

Introduction: The increase in the number of CrossFit® practitioners with different characteristics and levels of training makes important to investigate physiological responses to the modality.

Objective: To verify the effect of a CrossFit® training session on the hemodynamics variables and subjective perceived exertion of trained adults.

Methods: Twelve men (32.75 ± 2.67 years old), who only practiced CrossFit®, had their perceived exertion (PE) and their haemodynamic variables heart rate (HR), systolic blood pressure (SBP), and diastolic blood pressure (DBP) assessed before and immediately after a training session. The double product (DP) was calculated at the same moments by multiplying the HR by the SBP. The training session, standardized by the modality, was composed of exercises of joint mobility, Olympic weightlifting, strength training and gymnastics performed in the shortest time as possible. Descriptive statistics, the Shapiro-Wilk normality test, and paired Student's t-test with alpha of 0.05 were used.

Results: there was a significant increase (p = 0.0001) in HR, SBP and DP compared to rest, without alterations (p = 0.86) for DBP. Regarding the perceived exertion after the training session, values of 9.5 ± 0.67 were observed on the OMNI-RES scale.

Conclusion: a CrossFit® session with the characteristics of the present study caused an increase on the hemodynamics variables and perceived exertion after the training session, except for DBP. These data point to the high cardiovascular demand of the modality.


 

Referências

ACSM. Quantity and quality of exercise for developing and maintaining cardiorespiratory, musculoskeletal, and neuromotor fitness in apparently healthy adults: guidance for prescribing exercise. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2011; 43(7): 1334-59.

Moreira SB, Tubino MJG. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. 13ª ed. São Paulo: Shape; 2003.

Wilmore JH, Costill DL. Controle cardiovascular durante o exercício. Fisiologia do esporte e do exercício. 2a ed. São Paulo: Manole, 2003.

Hollmann W, Hettinger TH. Medicina do esporte. São Paulo: Manole, 1983.

Fleck S, Kraemer W. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3.ed. São Paulo: Artmed, 2006.

Glassman G. Metabolic Conditioning. The CrossFit Journal Articles. 2003; 10:1-4.

Smith MM, Sommer AJ, Starkoff BE, Devor ST: Crossfit-based high intensity power training improves maximal aerobic fitness and body composition. Journal of Strength and Conditioning Research. 2013; 24(2):100-105.

Tibana RA, Almeida LM, Prestes J. CrossFit® riscos ou benefícios? O que sabemos até o momento?. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. 2015; 23(1):182-185.

Manske GS, Romanio F. Medicalização, controle dos corpos e Crossfit: uma análise do site CrossFit Brasil. Textura. 2015;(33):139-159.

Tafuri S, Notarnicola A, Monno A, Ferretti F, Moretti B. CrossFit athletes exhibit high symmetry of fundamental movement patterns. A cross-sectional study. Muscles Ligaments Tendons J. 2016; 17 (2): 238-245.

ACSM. Guidelines For Exercise Testing and Prescreption. 10th ed. Lippincott Williams & Wilkins. 2017.

Bellar D, Hatchett A, Judge LW, Breaux ME, Marcus L. The relationship of aerobic capacity, anaerobic peak power and experience to performance in CrossFit exercise. Biol Sport. 2015 Dec; 32(4): 315–320.

Kraemer WJ, Ratamess NA. Fundamentals of resistance training: progression and exercise prescription. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2004; 24 (4):674-88.

Brum PC, Forjaz CLM, Tinucci T, Negrão, CE. Adaptações agudas e crônicas do exercício físico no sistema cardiovascular. Revista Paulista de Educação Física. 2004; 18:21-31.

Guyton A, Hall J. Tratado de Fisiologia Médica. 12ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.

Tiggemann CL, Pinto RS, Kruel LF. A percepção de esforço no treinamento de força. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2010; 16(4):301-309.

Silva NS, Monteiro WD, Farinatti PD. Influência da ordem dos exercícios sobre o número de repetições e percepção subjetiva do esforço em mulheres jovens e idosas. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2009 Jun;15(3):219-23.

ACSM. Manual do ACSM para avaliação da aptidão física relacionada à saúde. 3ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Marfell-Jones T, Stewart A, Carter L. International standards for anthropometric assessment. ISAK: International Society for the Advancement of Kinanthropometry, South Africa; 2006.

Umashankar DN, Srinath N, Mahesh JPD. Comparison of Mercury Sphygmomanometer with Oscillometric Digital Blood Pressure Device. Indian Journal of Stomatolology. 2017; 8(1): 6-10.

Robertson RJ, Goss FL, Rutkowski J, Lenz B, Dixon C, Timmer J, et al. Concurrent Validation of the OMNI Perceived Exertion Scale for Resistance Exercise. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2003;35(2):333-41.

Figueiredo T, Aguiar OA, Fortes ARS, Dias I, Souza RA , Simão R, Miranda H. Respostas cardiovasculares agudas ao treinamento de força utilizando diferentes intervalos entre séries. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. SP, 2011;5(25):69-74.

Abad CCC, Silva RS, Mostarda C, Silva ICM, Irigoyen MC. Efeito do exercício aeróbico e resistido no controle autonômico e nas variáveis hemodinâmicas de jovens saudáveis. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. SP, 2010; 24(4):535-44.

Forjaz CLM, Rezk, CC, Melo CM, Santos DA, Teixeira L, Nery SS, et al. Exercício resistido para o paciente hipertenso: indicação ou contra-indicação. Revista Brasileira de Hipertensão. 2003;10(2):119-24.

Forjaz CLM, Tinucci T. A medida da pressão arterial no exercício. Revista Brasileira de Hipertensão. 2000; 7(1):79-87.

Polito, M.D.; Farinatti, P.T.V. Considerações sobre a medida da pressão arterial em exercícios contra-resistência. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2003; 9(1): 1-9

Bittencourt PF, Sad S, Pereira R, Machado M. Efeitos do Exercício Contra a Resistência em Diferentes Intensidades nas Variações Hemodinâmicas de Adultos Jovens. Revista Portuguesa de Cardiologia. 2008; 27 (1): 55-64.

Oliveira MF, Silva GMS, Navarro AC. Exercício de força e respostas cardiovasculares em mulheres jovens. Um estudo do efeito somativo de séries consecutivas realizadas em diferentes intensidades (60 % e 80% de 10 repetições). Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. SP,2008;2(9):296-305.

Pertrini CM, Miyakawa AA, Laurindo FRM, Krieger JE. Nitric oxide regulates angiotensin-I converting enzyme under static conditions but not under shear stress. Brazilian Journal of Medical and Biological Research. 2003; 36(9): 1175-1178.

Endereço: http://177.38.96.106/index.php/revista/article/view/487

Comentários


:-)





© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.