Efeito da Velocidade Inicial no Desempenho e Alterações Mecânicas da Corrida em Ultramaratona de 6 Horas

Por: Guilherme Garcia Matta.

61 páginas. 2018 27/07/2018

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Resumo

O objetivo deste estudo foi descrever a estratégia de pacing adotada por corredores durante uma ultramaratona de 6 horas e investigar o efeito de uma velocidade inicial lenta no desempenho, percepção subjetiva de esforço (PSE), fadiga (ROF) e alterações mecânicas. Dezesseis ultramaratonistas foram recrutados e incluídos na parte descritiva (parte 1) deste estudo. Durante a parte experimental (parte 2), 10 atletas realizaram uma terceira sessão subsequente. O estudo contou com 3 sessões de teste: 1) teste de velocidade crítica; 2) ultramaratona de 6 horas self-paced (primeira prova); e 3) ultramaratona de 6 horas com manipulação da velocidade inicial (segunda prova). Durante a primeira prova, os atletas foram instruídos a completarem uma ultramaratona de 6 horas em pista de atletismo, a fim de atingir a maior distância possível. Quatro semanas depois, os participantes foram submetidos a uma segunda ultramaratona de 6 horas, na mesma pista de atletismo e no mesmo horário do dia, na qual eles foram solicitados a correr os primeiros 36 minutos da prova (i.e. primeiros 10%) em velocidades ~18% mais baixas do que a média da velocidade inicial da primeira prova. Em ambas corridas, a PSE, ROF e mecânica de corrida foram coletadas em intervalos de tempo constantes. Os resultados mostraram que de forma geral, os atletas adotam uma estratégia de pacing com perfil sigmoide (F = 32,90; P < 0,001; ηp2 = 0,69), demonstrando um aumento linear na PSE (F = 30,27; P < 0,001; ηp2 = 0,67) e ROF (F = 56,04; P < 0,001; ηp2 = 0,79). O tempo de contato aumentou (F = 9,43; P < 0,001; ηp2 = 0,39) e o tempo de fase aérea diminuiu (F = 9,77; P < 0,001; ηp2 = 0,39) a partir de 1 hora de prova, enquanto que a amplitude de passada diminuiu (F = 9,92; P < 0,001; ηp2 = 0,40) após 2 horas e a frequência não se alterou (F = 0,90; P = 0,45; ηp2 = 0,06) durante a primeira prova. Apesar de uma velocidade média normalizada menor durante 10% de prova (P < 0,001), e maiores durante 50% (P < 0,001) e 90% (P = 0,034), o desempenho não foi diferente entre as provas (57,5 ± 10,2 vs. 56,3 ± 8,5 km; P = 0.298). No entanto, os corredores diminuíram consistentemente a PSE (F = 3,46; P < 0,001; ηp2 = 0,28) e ROF (F = 2,30; P = 0,010; ηp2 = 0,20) durante toda segunda prova. Além disso, o tempo de contato foi menor e o tempo de fase aérea maior na segunda prova, na primeira volta (P < 0,001) e 30 minutos (P < 0,004). A amplitude de passada foi menor na primeira volta (P < 0,001), com 30 minutos (P < 0,001) e 1 hora (P = 0,047), enquanto que frequência foi significativamente menor apenas com 30 minutos (P < 0,001). Diminuir a velocidade inicial de prova em ~18% pode não afetar diretamente o desempenho, mas é capaz de diminuir o desenvolvimento da PSE e ROF. Finalmente, as mecânicas de corrida parecem ser influenciadas principalmente por mudanças na velocidade.

Endereço: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/7096

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