Efeito do Dano Muscular na Eficiência e nas Performances Aeróbia e Anaeróbia no Ciclismo

Por: Fábio Colussi Karasiak.

2012 24/02/2012

Send to Kindle


Resumo

O treinamento de força parece ser um modelo atraente para ciclistas de endurance, visto que que a performance aeróbia pode ser aprimorada pela adição do trabalho de resistido na periodização de programas de treinamento dos atletas. Assim sendo, quando o treinamento de força é realizado por estes ciclistas, o consumo máximo de oxigênio (VO2max) pode não se modificar, mas a eficiência e a performance aeróbia, principalmente no exercício de alta intensidade e longa duração, parecem melhorar. Entretanto, após atividades físicas de alta intensidade, especialmente quando há contração muscular excêntrica, é possível a aparição de dano muscular induzido pelo exercício (DMIE). Desta forma, o objetivo deste estudo foi analisar o efeito do DMIE na eficiência bruta e nas performances aeróbia e anaeróbia no ciclismo. Nove ciclistas bem treinados (30,8 ± 6,4 anos, com experiência no ciclismo de 8,4 ± 5,6 anos) visitaram o laboratório em 5 ocasiões. Na primeira, realizaram um teste incremental em cicloergômetro (100W+30W/3min), até a exaustão voluntária, para identificação do VO2max (55,2 ± 4,9 mL.kg-1.min-1) e potência aeróbia máxima (Pmáx; 327,0 ± 28,5 watts). Na segunda (controle), foram orientados a pedalar em 4 diferentes condições: 5 minutos a 60% da Pmáx; 5 minutos a 70% da Pmáx; contrarrelógio de 5 minutos e; teste de Wingate. Ao retornarem pela terceira vez, os sujeitos realizaram 10 séries de 10 saltos contra-movimento, com 1 minuto de intervalo, com o objetivo de gerar DMIE. Os sujeitos voltaram a pedalar nas 4 condições acima descrita 30 minutos, 48h (quarta visita) e 96h (quinta visita) após a realização dos saltos. Foram determinadas as seguintes variáveis: indicadores de dano muscular (percepção subjetiva de dor, torque isométrico máximo e circunferência de coxa e de perna); percepção subjetiva de esforço (PSE), variáveis cardiorrespiratórias e metabólicas nas intensidades de 60% e 70% da Pmáx e no contrarrelógio e; potência pico, potência média e índice de fadiga no teste de Wingate. Foi utilizada a análise de variância (ANOVA) one-way de medidas repetidas para analisar o comportamento dos indicadores de dano muscular, das variáveis obtidas nos exercícios submáximos, no contrarrelógio e no teste de Wingate. Adotou-se um nível de significância de 5%. Sob condição de DMIE, comparado com a situação controle, a dor muscular foi 27 vezes maior (em quadríceps, 48h após os saltos) e houve redução do pico de torque isométrico de 13,66 % (de 212,2 para 183,2 N.m, após 48h). Houve um aumento na PSE, 48h após o DMIE, comparado ao controle (3,8 vs. 3,1), ao pedalarem a 60% da Pmáx. Foi observado, após os saltos, um aumento na ventilação e no quociente respiratório ao pedalarem a 60% da Pmáx (até 4,3 L.min-1 e 0,04, respectivamente) e a 70% da Pmáx (até 5,4 L.min-1 e 0,05, respectivamente). Não foi encontrada diferença significante no consumo de oxigênio, na produção de dióxido de carbono e na frequência cardíaca nos exercícios sub-máximos, tampouco no contrarrelógio. Não houve diferença nas variáveis avaliadas pelo teste de Wingate. Conclui-se que o DMIE não prejudicou a eficiência bruta, nem as performances aeróbia e anaeróbia em ciclistas treinados.

Endereço: http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/99349

Ver Arquivo (PDF)

Comentários


:-)





© 1996-2019 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.