Efeito do Uso Contínuo da Informação Somatossensorial Adicional no Controle Postural de Pacientes com Doença de Parkinson

Por: C. Teixeira-arroyo, D. Orcioli-silva, E. L. Silva, F. A. Barbieri, L. Simieli, e R. Vitório.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

Informações provenientes dos receptores da superfície plantar dos pés apresentam papel importante na manutenção do controle postural. Indivíduos com doença de Parkinson (DP) podem apresentar déficits no processamento dessas informações e, consequentemente, prejuízos no controle postural. Estudos têm mostrado que o uso da informação somatossensorial adicional (ISA) pode trazer benefícios imediatos no controle postural de pacientes com DP. Entretanto, os benefícios do uso contínuo desta informação e a retenção de possíveis benefícios no controle postural de pacientes com DP não foram investigados. O objetivo do presente estudo foi verificar o efeito do uso contínuo de uma semana da ISA (palmilhas) no controle postural de pacientes com DP. Ainda, verificar a retenção de potenciais benefícios após um período subsequente sem o uso das palmilhas (follow up). Participaram deste estudo 19 pacientes com DP distribuídos em dois grupos: i) grupo que utilizou uma palmilha convencional, similar a palmilha de calçados, sem qualquer tipo ISA (n=9); ii) grupo que utilizou uma palmilha com semiesferas (4,5mm de altura) distribuídas em diferentes regiões da superfície plantar (n=10). Ambas as palmilhas foram confeccionadas de mesmo material, com base de 2 mm, dureza média e personalizadas para o número do calçado dos pacientes. Inicialmente, a sensibilidade plantar dos pacientes foi avaliada por meio dos monofilamentos de Semmes-Weinstein. Em seguida, os pacientes foram convidados a permanecer em pé sobre uma plataforma de força, mantendo seus braços relaxados ao longo do tronco e olhando a frente para um alvo. A avaliação do controle postural foi realizada em 3 diferentes momentos, sendo 3 tentativas de 30 segundos para cada momento: i) antes do uso das palmilhas; ii) após uma semana do uso das palmilhas; iii) após uma semana sem uso das palmilhas. Foram analisados os parâmetros médio lateral e anteroposterior do centro de pressão. A sensibilidade plantar dos pacientes foi caracterizada como preservada e não foi verificada diferença significativa entre os grupos (p>0,05). Ainda, para as variáveis do controle postural, não foram revelados efeitos principais de grupo e de momento e também não foi evidenciada interação entre os fatores (p>0,05). Os achados do presente estudo indicam que o uso contínuo da ISA não promove benefícios no controle postural de pacientes com DP. Baseado nisso, algumas especulações podem ser feitas: i) é possível que o design das palmilhas não tenha promovido uma estimulação suficiente dos receptores da sola do pé e, consequentemente, não promoveu benefícios; ii) apesar dos pacientes terem utilizado as palmilhas continuamente por uma semana, no momento da avaliação, eles não a utilizaram, o que talvez permita especular que os pacientes sejam dependentes da ISA sem interrupções para que, assim, benefícios no controle postural sejam detectados durante a avaliação.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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