Efeitos de 24 Semanas do Treinamento com Pesos, Realizado em Superfície Estável e Instável, Sobre o Desempenho Funcional e Risco de Quedas em Idosos: Ensaio Clínico Randomizado

Por: Andre Luiz Torres Piraua.

129 páginas. 2018 00/00/0000

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Resumo

Os episódios de quedas acometem mais de um terço da população mundial de idosos e repercutem diretamente sobre os índices de morbidade e mortabildade nessa população. Sabe-se que as quedas são de natureza multifatorial e estão associadas ao declínio funcional, inerente ao processo de envelhecimento. A prática regular de exercícios físicos é reconhecida como uma ferramenta eficaz na prevenção de quedas, mas ainda não há clareza sobre qual o tipo ou estratégia de treinamento mais efetivo. Considerando que a manutenção e/ou aprimoramento da aptidão física, em especial das variáveis força e equilíbrio, podem ser obtidos por meio do treinamento com pesos e da utilização de superfícies instáveis, é possível supor que o treinamento com pesos realizado em superfícies instáveis contribua para manutenção da autonomia funcional do idoso e, consequentemente, para redução das quedas. Diante disso, o objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito de 24 semanas do treinamento com pesos em superfícies estáveis e instáveis sobre o desempenho funcional e o risco de quedas em idosos. Para tanto, foi realizado um estudo clínico randomizado, simples cego, que contou com a participação voluntária de 64 idosos de ambos os sexos. Os participantes foram aleatoriamente alocados em três grupos: 1) Grupo Estável (n=25; 68,36 ± 4,95 anos), 2) Grupo Instável (n=25; 67,52 ± 6,09 anos) e 3) Grupo Controle (n=14; 67,50 ± 4,75 anos). Os grupos experimentais realizaram um protocolo de 24 semanas de treinamento com pesos, em superfície estável ou instável, com frequência de três sessões semanais, com duração de aproximadamente 60 minutos. O treinamento com pesos foi composto por sete exercícios, alternados por segmento. Para o Grupo Instável, foram realizados os mesmos exercícios, com a adição de superfícies instáveis (bola suíça, disco de propriocepção e/ou do bosu ball). Em ambos os grupos foi estabelecida uma progressão de intensidades, e para o Grupo Instável foi feita também a progressão de níveis de instabilidade. O grupo controle não realizou nenhuma das intervenções propostas no presente estudo e manteve a sua rotina de atividades. Todos os sujeitos foram submetidos a três avaliações: avaliação inicial (pré-intervenção), avaliação intermediária (12a semana ? durante a intervenção) e avaliação final (24ª semana ? pós-intervenção). Em cada uma dessas avaliações foram realizados os seguintes testes: 1- Equilíbrio sobre a plataforma de força, 2-Berg Balance Scale, 3- Time Up and Go, 4- Teste de sentar e levantar, 5- Teste de preensão manual (para ambos os lados), 6- Escala de eficácia de quedas ? Internacional, e 7- World Health Organization Quality-of-Life Scale (WHOQOLBREF). O desempenho dos grupos ao longo do tempo foi analisado por meio de Equações Estimadas Generalizadas (EEG), e o post hoc de Dunn-Sidak foi utilizado quando uma razão significante foi identificada para efeito isolado dos fatores analisados ou para interação entre eles. A magnitude do tamanho das diferenças foi calculada pelo tamanho do efeito, e foi aceito um p < 0,05 em todas as análises. O conjunto dos resultados mostrou efeito de tempo para as todas as variáveis (com exceção do Timed up and go) para os grupos experimentais, mostrando que houve melhora no desempenho na maior parte dos parâmetros ao longo das avaliações.Adicionalmente, ambos os grupos reportaram melhoria na qualidade de vida e diminuíram o medo de cair. Especificamente sobre os testes funcionais de equilíbrio dinâmico, observou-se que o Grupo Instável foi superior aos demais no teste Timed up and go [Grupo Estável (p<0,01; TE=-4,24); Grupo Controle (p<0,01; TE=-4,47)], e, foi único que progrediu continuamente ao longo das 24 semanas na Berg Balance Scale [inicial/intermediária (p<0,01; TE=-5,65); intermediária/final (p<0,01; TE=-2,28)]. O grupo Instável foi também o único grupo a melhorar a qualidade de vida (p<0,01; TE=-4,53), a eficácia de queda (p<0,01; TE=1,30) e o desempenho no teste de sentar e levantar (p<0,01; TE=-2,94), da avaliação intermediária para a final. Na avaliação postural, realizada na plataforma de força, a análise do desempenho durante o Teste de Perturbação do Equilíbrio mostrou haver interação para a velocidade anteroposterior: o Grupo Instável mostrou melhores resultados na avaliação final comparado aos demais grupos [(Grupo Estável (p=0,02; TE=3,46); Grupo Controle (p=0,04; TE=-2,88)]; e para velocidade médio lateral: o Grupo Instável foi superior ao Grupo Estável (p=0,03; TE=-3,03). No teste de apoio bipodal com os olhos fechados foi observada interação para a velocidade médio lateral, mostrando que o Grupo Instável foi superior ao Grupo Estável (p=0,03; TE=3,15) na avaliação final; e para a área total de deslocamento: o Grupo Estável demonstrou melhor desempenho que os demais na avaliação inicial [Grupo Instável (p=0,04; TE=-2,76); Grupo Controle (p=0,03; TE=-3,97). Por fim, na avaliação das intensidades ao longo do treinamento não foram observadas diferenças entre os grupos, o que indica progressos similares para o Grupo Estável e Instável. O conjunto dos resultados permite concluir que 24 semanas de treinamento com pesos, realizado em superfície estável ou instável, melhora a força, mobilidade, flexibilidade e equilíbrio de idosos, repercutindo sobre a sua autonomia funcional, e aumenta a qualidade de vida e reduz o medo de cair. Além disso, o uso de superfícies instáveis no treinamento com pesos, conferiu adaptações importantes para o sistema proprioceptivo, melhorando o equilíbrio dinâmico e o controle postural em comparação ao grupo submetido ao treinamento com pesos tradicional em superfícies estáveis. Em relação aos ganhos de força, o treinamento com pesos em superfícies instáveis mostrou-se tão eficiente quanto o treinamento tradicional, realizado em superfícies estáveis. Sendo assim, recomenda-se o treinamento com pesos em superfícies instáveis como melhor estratégia para aumentar da autonomia funcional e reduzir o risco de quedas em idosos. 

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