Efeitos de Um Programa de Exercícios Físicos no Local de Trabalho Sobre a Percepção de Dor Musculoesquelética em Trabalhadores de Escritório

Por: Ana Lúcia Aquilas, Mario Ferreira Junior e .

Revista Brasileira de Medicina do Trabalho - v.7 - n.1 - 2009

Send to Kindle


Resumo

CONTEXTO: O uso do computador, movimentos repetitivos e posturas estáticas do trabalho de escritório são frequentemente associados a dores musculoesqueléticas.
OBJETIVOS: Avaliar se sessões de exercícios físicos no ambiente de trabalho influenciam a percepção de dor musculoesquelética em trabalhadores administrativos de uma empresa farmacêutica.
MÉTODOS: Quarenta e nove sujeitos (21,5% dos 228 convidados), randomizados em três grupos de intervenção (GR2, n = 18; GR3, n = 15; GR5, n = 16), foram incentivados a participar 2, 3 e 5 vezes por semana, respectivamente, em sessões de 10 minutos de exercícios para alongamento e fortalecimento dos músculos da coluna e membros superiores. A participação era livre, mas o comparecimento registrado. Para avaliar a percepção de dor musculoesquelética utilizou-se um questionário com base no Inventário para Dor de Wisconsin. As avaliações foram feitas no início do programa e após 3 e 6 meses.
RESULTADOS: A média (± DP) de participação semanal efetiva dos trabalhadores nas sessões de exercícios foi: 1,39 (± 0,50), no GR2; 2,2 (± 0,86), no GR3 e 3,13 (± 1,10), no GR5. Houve redução do número absoluto de relatos de dor entre o início e o final do estudo (cerca de 44,5%), diminuição da intensidade relatada da dor mais forte sentida nas últimas 24 horas nos três grupos, e da dor mais fraca das últimas 24 horas, apenas no GR5.
CONCLUSÃO: A adesão e a participação semanal dos trabalhadores no estudo ficaram abaixo do esperado, entretanto, o programa de exercícios físicos no local de trabalho contribuiu para a diminuição do número de relatos e da intensidade de dor musculoesquelética percebida pelos participantes.

REFERÊNCIAS

1. Cagnie B, Danneels L, Van Tiggelen D, De Loose V, Cambier D. Individual and work related risk factors for neck pain among office workers: a cross sectional study. Eur Spine J. 2007;16(5):679-86.

2. Bernaards CM, Ariëns GA, Knol DL, Hildebrandt VH. The effectiveness of a work style intervention and a lifestyle physical activity intervention on the recovery from neck and upper limb symptoms in computer workers. Pain. 2007;132(1-2):142-53.

3. Johnston V, Souvlis T, Jimmieson NL, Jull G. Associations between individual and workplace risk factors for self-reported neck pain and disability among female office workers. Appl Ergon. 2008;39(2):171-82.

4. Wahlström J. Ergonomics, musculoskeletal disorders and computer work. Occup Med (Lond). 2005;55(3):168-76.

5. Harman K, Ruyak P. Working through the pain: a controlled study of the impact of persistent pain on performing a computer task. Clin J Pain. 2005;21(3):216-22.

6. European Agency for Safety and Health at Work, Podniece Z. Work-related musculoskeletal disorders: prevention report. Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities; 2008.

7. Waikar AM, Bradshaw ME. Exercise in the workplace? Employee preferences! Int J Manpower. 1995;16(9):16-30.

8. Ferreira Júnior M, de Souza Conceição GM, Saldiva PHN. Work organization is significantly associated with upper extremities musculoskeletal disorders among employees engaged in interactive computer-telephone tasks of an international bank subsidiary in Sao Paulo, Brazil. Am J Ind Med. 1997;31(4):468-73.

9. Fredriksson K, Alfredsson L, Köster M, Thorbjörnsson CB, Toomingas A, Torgén M, et al. Risk factors for neck and upper limb disorders: results from 24 years of follow up. Occup Environ Med. 1999;56(1):59-66.

10. Devereux JJ, Vlachonikolis IG, Buckle PW. Epidemiological study to investigate potential interaction between physical and psychosocial factors at work that may increase the risk of symptoms of musculoskeletal disorder of the neck and upper limb. Occup Environ Med. 2002;59(4):269-77.

11. Melchior M, Roquelaure Y, Evanoff B, Chastang JF, Ha C, Imbernon E, et al. Why are manual workers at high risk of upper limb disorders? The role of physical work factors in a random sample of workers in France (the Pays de la Loire study). Occup Environ Med. 2006;63(11):754-61.

12. Johnston V, Souvlis T, Jimmieson NL, Jull G. Associations between individual and workplace risk factors for self-reported neck pain and disability among female office workers. Appl Ergon. 2008;39(2):171-82.

13. Stewart WF, Ricci JA, Chee E, Lipton R. Work-related cost of pain in the U.S.: results from the American Productivity Audit. Proceedings of the 10th World Congress. Seatle, WA: IASP Press; 2002.

14. Alexandre NMC, Moraes MA, Corrêa Filho HR, Jorge SA. Evaluation of a program to reduce back pain in nursing personnel. Rev Saude Publica. 2001;35(4):356-61.

15. Hess JA, Hecker S. Stretching at work for injury prevention: issues, evidence, and recommendations. Appl Occup Environ Hyg. 2003; 18(5):331-8.

16. Costa BR, Vieira ER. Stretching to reduce work-related musculoskeletal disorders: a systematic review. J Rehabil Med. 2008;40(5):321-8.

17. Henning RA, Jacques P, Kissel GV, Sullivan AB, Alteras-Webb SM. Frequent short rest breaks from computer work: effects on productivity and well-being at two field sites. Ergonomics. 1997;40(1):78-91.

18. Moore TM. A workplace stretching program. Physiologic and perception measurements before and after participation. AAOHN J. 1998;46(12):563-8.

19. Teixeira MJ, Lin TY, Kaziyama HHS, organizadores. Dor: síndrome dolorosa miofascial e dor músculo-esquelética. São Paulo: Rocca; 2006.

20. Silva JA, Ribeiro-Filho NP. Avaliação e mensuração de dor: pesquisa, teoria e prática. Ribeirão Preto: Funpec; 2006.

21. Lin TY, Kaziyama HHS, Teixeira MJ, Simons DG. Síndrome dolorosa miofascial. In: Teixeira MJ, Lin TY, Kaziyama HHS, organizadores. Dor: síndrome dolorosa miofascial e dor músculo-esquelética. São Paulo: Rocca; 2006. p. 105-18.

22. Bandy WD, Irion JM, Briggler M. The effect of time and frequency of static stretching on flexibility of the hamstring muscles. Phys Ther. 1997;77(10):1090-6.

23. Achour Junior A. Flexibilidade e alongamento: saúde e bem-estar. Barueri: Manole; 2004.

24. Shepard RJ. Worksite fitness and exercise programs: a review of methodology and health impact. Am J Health Promot. 1996;10(6):436-52.

25. Soares RG, Assunção AA, Lima FPA. A baixa adesão ao programa de ginástica laboral: buscando elementos do trabalho para entender o problema. RBSO. 2006;114(31):149-60.

26. Kääpä EH, Frantsi K, Sarna S, Malmivaara. A. Multidisciplinary group rehabilitation versus individual physiotherapy for chronic nonspecific low back pain: a randomized trial. Spine. 2006;31(4):371-6.

27. Barredo RV, Mahon K. The effects of exercise and rest breaks on musculoskeletal discomfort during computer tasks: an evidence-based perspective. J Phys Ther Sci. 2007;19(2):151-63.

28. Omer SR, Ozcan E, Karan A, Ketenci A. Musculoskeletal system disorders in computer users: effectiveness of training and exercise programs. J Back Musculoskeletal Rehabil. 2003/2004;17(1):9-13.

29. Mongini F, Ciccone G, Rota E, Ferrero L, Ugolini A, Evangelista A, et al. Effectiveness of an educational and physical program in reducing headache, neck and shoulder pain: a workplace controlled trial. Cephalalgia. 2008;28(5):541-52.

30. Proper KI, Koning M, van der Beek AJ, Hildebrandt VH, Bosscher RJ, van Mechelen W. The effectiveness of worksite physical activity programs on physical activity, physical fitness, and health. Clin J Sport Med. 2003;13(2):106-17.

31. G alinsky T, Swanson N, Sauter S, Dunkin R, Hurrell J, Schleifer L. Supplementary breaks and stretching exercises for data entry operators: a follow-up field study. Am J Ind Med. 2007;50(7):519-27.

32. Maciel ACC, Fernandes MB, Medeiros LS. Prevalência e fatores associados à sintomatologia dolorosa entre profissionais da indústria têxtil. Rev Bras Epidemiol. 2006;9(1):94-102.

33. Resende MCF, Tedeschi CM, Bethônico FP, Martins TTM. Efeitos da ginástica laboral em funcionários de teleatendimento. Acta Fisiatr. 2007;14(1):25-31.

Endereço: http://www.rbmt.org.br/details/141/pt-BR/efeitos-de-um-programa-de-exercicios-fisicos-no-local-de-trabalho-sobre-a-percepcao-de-dor-musculoesqueletica-em-trabalhadores-de-escritorio

Comentários


:-)





© 1996-2020 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.