Eficácia e Segurança do Treinamento Intervalado de Alta Intensidade em Pacientes com Insuficiência Cardíaca

Por: Lílian Pereira Verardo.

103 páginas. 2017 24/03/2017

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Resumo

Reabilitação Cardíaca (RC) melhora a resposta fisiológica ao exercício, aumenta à capacidade funcional (CF), a atividades de vida diária e a qualidade de vida em pacientes com insuficiência cardíaca (IC). O treinamento contínuo de moderada intensidade (TCMI) é o tipo de exercício mais utilizado para essa população com resultados positivos descritos na literatura. Atualmente, o treinamento intervalado de alta intensidade (TIAI) tem sido usado; porém, considerando que os efeitos sobre a CF e segurança para pacientes com IC ainda são controversos, o presente estudo teve como objetivo investigar essa questão. Para tal foram desenvolvidos dois estudos. O primeiro estudo é um piloto de um ensaio clínico aleatorizado, com avaliadores cegos, e com dois braços paralelos: TIAI versus TCMI. Pacientes com IC (NYHA I, II e III), encaminhados à RC foram randomizados para TCMI (intensidade entre 50 e 80% da Frequência Cardíaca de Reserva (FCR) durante 30 minutos continuamente) ou para TIAI (também durante 30 minutos de treino intervalado: 30 segundos em 80% a 90% da FCR seguido por 30 segundos de repouso). Ambos os grupos treinaram três vezes por semana, durante 60 minutos por dia (considerando aquecimento e desaquecimento). O Incremental Shuttle Walk Test (ISWT), O Duke Activity Status Index (DASI) e o questionário Minnesota Living with Heart Failure Questionniare (MLHFQ) foram aplicados antes e após três meses de RC. Foi realizada análise descritiva para as variáveis estudadas (capacidade funcional, atividade física e qualidade de vida). O cálculo amostral para o piloto indicou necessidade de 5 pacientes em cada grupo. 10 pacientes foram incluídos até o momento, e 6 (5 homens) que concluíram o protocolo apresentaram média de idade de 69,17±7,3 anos e FEVE de 37%±6,9%. Ambos os grupos apresentaram melhora nos aspectos analisados, mesmo sem valor estatístico. A adesão teve uma média de 87,5% para ambos os grupos. Em geral todos os pacientes envolvidos no estudo tiveram respostas positivas nas variáveis estudas e nenhum evento adverso durante o treinamento foi identificado. Embora preliminares, os achados indicam boa aceitação. O segundo estudo e principal, uma revisão sistemática, incluiu ensaios clínicos aleatorizados (ECA) das bases de dados MEDLINE, EMBASE, CINAHL e Web of Science que compararam o TIAI e o TCMI em pacientes com IC. Os desfechos avaliados foram consumo de oxigênio, parâmetros de ecocardiografia e qualidade de vida. Dois autores selecionaram os estudos independentemente, avaliaram a qualidade dos ensaios e extraíram os dados. O software RevMan® foi utilizado para análise de dados com base no modelo de efeito fixo nos casos em que houve uma heterogeneidade substancial (valor de I2 menor que 50%), para os outros casos foi utilizado um modelo de efeitos aleatórios. Variáveis contínuas foram expressas como diferenças médias (DM) com intervalos de confiança (IC) de 95%. A análise de subgrupos foi realizada em relação à frequência, duração e intensidade de treinamento. Foram incluídos cinco ECA envolvendo 165 participantes. Todos os estudos avaliaram o consumo de oxigênio no pico de esforço (VO2 pico) e quatro avaliaram o consumo de oxigênio no primeiro limiar ventilatório (VT1). Houve diferença significativa para o VO2 no VT1 a favor dos protocolos de TIAI com mais de 30 minutos de exercício aeróbio (Média 1,25, IC95% [0,48;2,01], p=0,001) e para os protocolos de treinamento longo (Média 1,50, IC95% [0,60;2,40], p=0,001). Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa nos subgrupos para o VO2 pico (Média 1,71, IC95% [-0,61;4,03], p=0,15). Três estudos avaliaram os resultados do ecocardiograma (Média 1,88, IC95% [2,98;6,75], p=0,45 e Média 0,35, IC95% [1,91;2,61], p=0,76), para relação E/A ratio (tempo de enchimento) e E/E' (pressão de enchimento) e a FEVE (fração de ejeção do ventrículo esquerdo), respectivamente. Apenas dois estudos avaliaram a qualidade de vida (Média 7,39, IC95% [17,89;3,11], p=0,17 para SF36 e Média 4,20, IC95% [6,76;15,17], p=0,45) para MLHFQ, sem diferença entre os grupos. A maioria dos estudos mostrou I2 inferior a 50%. Em geral, a revisão indicou que comparado ao TCMI, o TIAI tem efeitos positivos, com melhora na capacidade funcional a nível submáximo, embora não superiores para os parâmetros de ecocardiograma e a qualidade de vida. Além disso, o TIAI realizado por mais de 30 minutos e que utilizou protocolos de intervalo longo superou o TCMI em relação ao aumento do VO2 em VT1. O número de estudos foi a principal limitação desse estudo.

Endereço: http://hdl.handle.net/1843/BUOS-APWPQG

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