Elaboração e Organização do Treinamento de Força em Salas de Musculação Para Amputados de Membro Inferior

Por: Marcelle Nascimento Anastacio.

VIII EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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1 - Introdução

1.1-Identificação do estudo:

O presente estudo relata a necessidade do trabalho de adaptação dos exercícios nos aparelhos disponíveis em academias, para amputados de membro inferior.

Diante do proposto, foram avaliadas diferentes referenciais teóricos e pesquisadas as necessárias adequações para o trabalho de força sem expor o indivíduo a futuras lesões.

A elaboração do programa de exercícios é diferente para cada indivíduo, dependendo do grau de amputação e objetivo específico, proposta de forma individualizada e respeitando-se os níveis de aptidão física, idade e sexo.

Através de adaptação dos exercícios nos aparelhos de musculação, apresentamos uma proposta de programa de exercício visando um melhor equilíbrio da musculatura, minimizando assim, o risco de lesões, e como conseqüência, uma melhor qualidade de vida para o indivíduo amputado.

1.2 Justificativa

Diante da falta de trabalhos científicos e bibliografia específica torna-se fundamental uma abordagem sobre o assunto, como forma de minimizar o risco de lesões no membro inferior preservado.


1.3- Objetivos

Adaptação nos aparelhos de musculação;
Prevenir vícios posturais;
Melhorar a qualidade de vida;
Proporcionar um trabalho de hipertrofia
Investigar a hipotrofia da musculatura próxima ao coto de amputação.

1.4- Metodologia

Foi realizado um trabalho de campo na sala de musculação da UNIVERSO / SG, baseado na análise dos movimentos do coto de amputação e adaptando-se uma correia de tração para possibilitar a execução dos exercícios, além de pesquisas bibliográficas.

Palavra chave: Amputação:

Privar se de algum membro parte dele, ou de alguma parte do corpo, mutilado.

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2.1- Embasamento teórico

"A principal função membro superior é orientar a mão no espaço, permitindo-lhe os movimentos delicados e especializados capazes de executar, e por outro lado, as principais funções do membro inferior são a locomoção e a sustentação do peso" (Dângelo, 2002).

O indivíduo que sofre qualquer que seja amputação há uma necessidade de reeducação motora, social e psicomotora adaptando as suas necessidades.

Devido à falta do membro inferior, ocorre o apoio unilateral no lado do membro preservado, mudando assim, o centro de gravidade fazendo com que não ocorra um desequilíbrio. Segundo Rasch (1991) "O centro de gravidade é o ponto dentro de um objetivo, qual se pode considerar, que toda a sua massa, isto é, todo material que constitui o objeto esteja concentrada". E se a linha de gravidade passar por fora da base de apoio, o equilíbrio e estabilidade são perdidos e os membros apoiadores devem mover-se para evitar uma queda. "A cada passo, os músculos abdutores do quadril (na perna de apoio) têm que criar uma força para equilibrar cerca de 85% do peso corporal (cabeça, braços, tronco e perna oposta). A articulação do quadril serve como fulcro neste sistema e por essa razão sustenta mais que o dobro do peso corporal a cada passo". (Brunnstrom, 1997, p. 308).

Assim, com a necessidade de modificar a sua postura estática e dinâmica, o amputado adquire certos desvios posturais, necessários a sua marcha, que mesmo com auxílio de muletas, apresenta abdução do pé, anteropulsão do ombro e principalmente desnivelamento da pelve, ocasionando uma escoliose lombar.

Quando o que sobrou do membro amputado (coto) não é requisitado com movimentos de abdução, adução, flexão e extensão, em práticas de atividades físicas, ocorre uma atrofia de musculatura da articulação mais próxima, neste caso o quadril, fazendo com que músculos como o glúteo (que foi preservado) sofra uma significativa perda de massa muscular. As musculaturas da coxa, tanto anteriores quanto posteriores, não poderão ser trabalhadas em função da ausência da articulação do joelho, ocorrendo assim uma menor circunferência em relação ao membro preservado, ou seja, há uma atrofia muscular por desuso, perdendo força e havendo flacidez com acúmulo grande de percentual de gordura no coto de amputação. Conforme Brunnstrom (1997) "Quando o músculo não é usado durante longos períodos de tempo, a quantidade de filamentos de actina e miosina em cada fibra muscular na realidade diminui levando a atrofia, uma redução nos diâmetros das fibras individuais. Uma perda de força muscular também pode resultar".

Conclusão

Os resultados do presente estudo sugerem ser possível realizar trabalho com amputados de membro inferior (no terço proximal do fêmur) com exercícios resistidos nos aparelhos de musculação e com auxílio de caneleiras, sendo estes: mesa flexora, cadeira extensora, abdução do coxo - femoral em decúbito lateral com caneleira no coto de amputação, adução coxo - femoral em decúbito lateral com caneleira no coto de amputação, flexão plantar unilateral, cadeira solear, abdominal supra - umbilical e pull over - extensão da coxa. Alguns exercícios com utilização de aparelhos não foram possíveis a execução, tendo em vista a falta de apoio em função da ausência da parte do membro inferior.

Portanto nota-se que a prática adequada de exercício de musculação regular para cada indivíduo portador de deficiência por amputação, trará uma melhor postura, força, resistência no deslocamento (protetizados) e em conseqüência, uma melhor qualidade de vida.

Referência Bibliográfica

  •  Dângelo, José Geraldo- Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar para o estudante de . medicina /José Geraldo Dângelo, Carlos Américo Fattini- 2.ª ed.- São Paulo: Editora Atheneu, 2002.
  • Lapierre, A. Reeducação Física.(1982) 6ºedição.Vol. 2- ed. Manole, 1987.
  • Lapierre, A. Reeducação Física.(1982) 6ºedição.Vol. 1- ed. Manole, 1982.
  • Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda.Dicionário Aurélio (1910-1989). 3ª edição.ed. . Nova Fronteira.
  • Kapandji, I.A. Fisiologia Articular Miembro Inferior (1998). 5ª edición. Ed.Maloine
  • Rasch, Philip J.- Cinesiologia e anatomia aplicada- 7ª. ed.- Editora Guanabara Koogan, 1991.
  • Carnaval, Paulo E.- Cinesiologia da musculação- Rio de Janeiro- Editora Sprint, 2001.
  • Smith, Laura K. / Elizabeth L. Weiss/ L. Don Lehmkuhl. Cinesiologia Clínica de . Brunnstrom. Editora Manole LTDA, Edição Brasileira, 1997.

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