Em Busca de Uma Genealogia da Equitação Gaúcha: Revisitando Representações das Práticas Equestres Ibéricas

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XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

O presente estudo apresenta reflexões acerca de possíveis representações de práticas equestres ibéricas construídas ao longo da constituição histórica da equitação gaúcha. Como a literatura aponta, a presença de colonos portugueses e espanhóis, bem como do cavalo ibérico, ao lado de populações indígenas (RIBEIRO, 1972), constituiu um elemento importante para a elaboração da equitação nos territórios mais meridionais da América do Sul – Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai – cobertos pelos pampas. Trata-se de uma equitação que se desenvolveu de forma utilitária e cotidiana, tendo seu alicerce no uso dos recursos da natureza como forma de sobrevivência. Com o objetivo de revelar técnicas e saberes herdados das práticas equestres ibéricas nessa região, esse estudo explora, particularmente, duas práticas equestres da equitação gaúcha desenvolvidas no Rio Grande do Sul, com elementos de esportivização: o tiro de laço e as provas funcionais do Freio de Ouro. Tais práticas passam a ser desenvolvidas com elementos esportivos entre as décadas de 1950 e 1990 (PEREIRA, 2016). Propõe-se, portanto, analisar as representações proporcionadas pela equitação ibérica às bases, símbolos e fundamentos culturais e técnicos destas referidas práticas. Tal apresentação é parte de uma pesquisa mais ampla que vem sendo realizada por meio de análise documental de fontes impressas. Estas são compostas por jornais e revistas que circularam no Rio Grande do Sul no recorte temporal demarcado para a pesquisa. Tais fontes apresentavam grande destaque, trazendo muitas notícias sobre práticas equestres, as quais figuravam frequentemente em suas páginas, construindo representações acerca das mesmas (PESAVENTO, 2008). Assim, evidencia-se que tais representações são expressas pelo contexto das técnicas de equitação e dos cavalos ibéricos, propiciados pelos imigrantes espanhóis e portugueses que se estabeleceram no território (SÁENZ, 2011). Tem-se, assim, que a configuração de montar a cavalo, no Rio Grande do Sul, pode ter sido gerada por estas representações ibéricas (JACQUES, 2008). De tal modo, identifica-se a presença de atributos simbólicos de uma possível modernização desta construção de representações de um estilo de viver, de expressar-se, e de um capital cultural. É desta maneira que se busca contribuir para a compreensão do desenvolvimento histórico da equitação gaúcha com base em representações ibéricas construídas em uma conjuntura entre campo e cidade.

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