Em Busca de Qualidade de Vida na Terceira Idade: Perspectivas a Partir da Atividade Física

Por: Ana Paula Ferigollo.

58 Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

A tradicional visão sobre a terceira idade é caracterizada pelo sedentarismo, sentimento de inutilidade, exclusão social e pelas enfermidades, conseqüências freqüentes de um processo de envelhecimento não salutar. Por outro lado, uma nova consciência sobre a terceira idade está sendo formada a partir de um ciclo de vida saudável, invariavelmente baseado nos benefícios obtidos com os exercícios físicos. A qualidade de vida é uma opção pessoal, que tem a ver com escolhas de bem estar e que se encontra limitada pelos padrões de consciência social. Para alguns idosos a prática da atividade física aliada a uma melhor qualidade de vida, é uma atividade prazerosa, enquanto que outros não pensam desta forma.O presente estudo tratou de investigar os efeitos que a prática de atividade física proporciona a idosos da cidade de Santa Maria-RS, em relação a sua qualidade de vida. Entendendo esta questão como um tema recente, importante e complexo, foram obtidos referenciais teóricos a partir dos autores Roeder (2003), Moreira (2001), Okuma (1998), Golbi (1997) e Simões (1996). O objetivo principal desta investigação foi identificar os efeitos de qualidade de vida que a prática da atividade física promove em idosos que praticam regularmente estas atividades.


 METODOLOGIA:

Este trabalho tratou-se de uma pesquisa descritiva, já que teve por finalidade registrar, descrever, observar e comparar os diversos fenômenos no contexto da terceira idade. A técnica utilizada foi o estudo de caso, já que a partir dos dados obtidos do grupo Mexe Coração foi possível uma visão panorâmica da realidade dos inúmeros grupos de terceira idade de Santa Maria. Também, foi uma pesquisa qualitativa, pois deu-se maior importância ao conteúdo pesquisado do que a forma com que o mesmo se apresentou. Os passos da pesquisa foram: 1º) estudo do referencial teórico com enfoque nas seguintes categorias: qualidade de vida, atividade física, terceira idade, envelhecimento humano nas dimensões biológica, psicológica e social; 2º) população e amostra: selecionou-se um grupo de idosos de Santa Maria, cuja amostra consistiu em 27 indivíduos de ambos os sexos, com idades que variam de 55 a 86 anos e que desenvolvem exercícios físicos com freqüência mínima de duas vezes por semana; 3º) elaboração do instrumento de pesquisa:

utilizou-se de um questionário com questões abertas, elaborado pelos pesquisadores e validado por especialistas na área; 4º) coleta dos dados por meio da aplicação do questionário; 5º) discussão dos resultados; 6º) elaboração do relatório final.


 RESULTADOS:

A partir dos dados obtidos foi possível observar que a prática rotineira de atividades físicas trás benefícios das mais diversas formas, variando de melhorias no humor e relacionamento com as pessoas a benefícios biológicos, como saúde, motricidade e resistência.

Salienta-se também que um significativo número dos idosos faz uso de medicações de uso contínuo, para controle de distúrbios próprios das suas condições pessoais. Desta forma, o exercício físico proporciona ao idoso a possibilidade de desenvolver as mais diversas atividades, evitando o tão prejudicial sedentarismo. Além dos tradicionais tratamentos a base de medicações, a atividade física atua de forma positiva quantitativa e qualitativamente. Observou-se também, que tão importante quanto prolongar a vida do idoso é proporcionar-lhe a capacidade de desenvolver as atividades cotidianas de forma independente e prazerosa, resultado alcançado com o abandono do sedentarismo e inclusão de práticas físico-esportivas. A quase totalidade dos idosos está satisfeita com a prática de atividade física, sendo que destes uma grande maioria gostaria de diversificar e aumentar as atividades que praticam. Os exercícios físicos, quando praticados em grupos, também promovem a socialização, combatendo o isolamento social, muito comum nesta fase da vida.


 CONCLUSÕES:


Após o estudo teórico e empírico pode-se concluir que os exercícios físicos são benéficos para a saúde, principalmente na terceira idade.

A atividade física praticada regularmente auxilia na melhora de diversos aspectos físicos, biológicos, psíquicos e sociais.

Destacaram-se, entre os diversos resultados satisfatórios, aqueles relacionados com a saúde dos idosos, não se excluindo a necessidade de concomitantemente realizarem seus tradicionais tratamentos a base de medicações; bem como, a satisfação pessoal que os idosos sentem ao realizarem seus exercícios com os colegas do grupo. Percebeu-se, também, que as melhoras da saúde e da motricidade propiciam a inclusão social dos idosos, pois estes passam a ter independência funcional e motivação para a realização de tarefas cotidianas, as quais normalmente estariam impossibilitados pelos efeitos negativos do envelhecimento. Pelo exposto, devido à nítida percepção dos benefícios que a prática físico-esportiva produz na qualidade de vida dos idosos, torna-se de fundamental importância à conscientização dos mesmos e das respectivas famílias de que a terceira idade pode ser gozada ativamente com saúde, alegria e vitalidade. Portanto, considerando que o envelhecimento é inevitável, a pratica de atividade física regular durante todas as fases do ciclo vital, em especial na terceira idade, minimiza os efeitos negativos deste processo, bem como maximiza o bem estar e conseqüentemente a qualidade de vida.

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