Entre Espadas, Sabres e Floretes: Uma História da Civilização dos Costumes na Esgrima

Por: Tabea Kuster Epp Alves.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

O presente trabalho apresenta a história da esgrima do século XVI ao XX na Europa e sua relação com o processo de civilização dos costumes. O estudo objetivou ressaltar os detalhes do desenvolvimento das técnicas de maneio das espadas e das diferentes armas utilizadas, o gradativo aumento da sensibilidade e as conexões com as transformações sociais mais amplas. Para alcançar tal intento, foi realizada uma pesquisa documental constituída por livros e tratados relacionados ao ensino dos combates com espadas, fontes das quais foram extraídas mudanças técnicas de maneio de espadas e substituição das armas utilizadas ao decorrer do tempo. A base teórica para a análise sociológica foi fundamentada sobre os textos do sociólogo alemão Norbert Elias e do historiador francês Georges Vigarello. Constatou-se que a esgrima foi uma atividade bélica que no decorrer da formação da sociedade de corte se tornou, além de exercício militar, uma forma de defender a honra em desentendimentos pessoais através de duelos. Os duelos, muito em voga no século XVII, receberam restrições cada vez mais rígidas principalmente no século XVIII e XIX. Com isso a brutalidade foi rejeitada com mais veemência e a esgrima acabou sendo praticada de forma mais lúdica, até que por fim se tornou um esporte moderno no final do século XIX. Nessas transformações de funcionalidades para o manejo das armas, foram visíveis as mudanças que demonstraram a intolerância à violência e aumento da sensibilidade. Como exemplo, cita-se a guarda, que antes era predominantemente ofensiva e durante o século XIX se tornou uma posição tanto ofensiva quanto defensiva, com um corpo em equilíbrio para os movimentos que se tornaram mais complexos do que aqueles utilizados no século XVI. As espadas também passaram a ser mais leves no decorrer do tempo, e com isso possibilitaram novas técnicas e formas de tocar o adversário com menos brutalidade do que o golpe violento das espadas grossas e pesadas. No final do século XIX já foi possível identificar elementos que incluíram a esgrima aos esportes. Essas metamorfoses decorreram de um processo gradativo. A esgrima, como afirma Georges Vigarello, é um bom exemplo da relação entre a história de um esporte e o processo de civilização dos costumes.

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