Enurese em Crianças de Classe Especial Para Deficiente Mental: Levantamento de Incidência e Comparação das Práticas Educativas do Treino Ao Toalete em Crianças Enuréticas e Não-enuréticas.

Por: Ana Maria Buischi de Soveral.

295 páginas. 1987

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Resumo

O presente estudo tem por objetivo fundamental a investigação e comparação das práticas educativas utilizadas na realização do treino ao toalete de crianças "enuréticas" e "não-enuréticas" que freqüentam classe especial para deficiente mental (CEDM) de Ribeirão Preto, bem como o levantamento da incidência de enurese e aspectos relacionados à eliminação da urina nessa população. Para cumprir esses objetivos, elaborou-se dois estudos. No Estudo I procedeu-se o levantamento da incidência de enurese e de aspectos relacionados à eliminação da urina, através de um formulário que após ter sido pré-testado e reformulado foi aplicado a todos os pais de crianças de CEDM. No Estudo II investigou-se e comparou-se as práticas educativas utilizadas por 32 mães no treino ao toalete do filho, sendo 16 mães de crianças "enuréticas" e 16 de "não-enuréticas". Coletou-se estas informações através de um Roteiro de Entrevista que foi elaborado, pré-testado e reformulado para cumprir os objetivos deste estudo. As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas. Os dados relativos aos dois estudos foram analisados quantitativamente de acordo com a freqüência e porcentagem das respostas fornecidas pelos pais. Os resultados encontrados no Estudo I indicam que: ,1 - Houve maior incidência de enurese em meninas do que em meninos. 2 - Ocorreu porcentagem maior de crianças com freqüência de enurese de duas a três noites por semana. 3 - A maioria dos pais relatou que apresenta preocupação com a enurese do filho. 4 - A maioria das crianças adquiriu o controle tanto diurno quanto noturno da bexiga até os 4 anos de idade. 5 - A grande maioria dos pais considerou como período mais apropriado para a aquisição do controle noturno da bexiga até os 4 anos de idade, no entanto a análise de cada par (pai e filho) demonstrou que a maioria dos pais esperava que isso ocorresse mais cedo do que na realidade ocorreu com o seu filho. 6 - Houve porcentagem maior de crianças que adquiriram o controle diurno da bexiga antes do controle noturno. Os resultados do Estudo II evidenciam que: ,1 - A maioria das mães nos dois grupos costumava trocar a fralda durante o dia, sempre que a criança estava "molhada", enquanto que a troca à noite só ocorria no grupo de "enuréticos". 2 - Todas as mães trocavam e lavavam as fraldas de seus filhos e a maioria delas gostava dessas atividades. 3 - De modo geral, verificou-se que as mães retiravam as fraldas usadas durante o dia antes do que as fraldas usadas durante a noite, sendo que nessa ocasião a maioria das crianças "não-enuréticas" já apresentavam o controle de esfíncter. 4 - No grupo de "enuréticos", as mães iniciaram o ensino do uso da privada a seus filhos mais tarde do que no grupo de "não-enuréticos". 5 - A seqüência de comportamentos das mães no treino ao toalete do filho foi semelhante nos dois grupos. 6 - O penico foi o utensílio mais comumente utilizado antes do início do uso da privada pelos dois grupos. 7 - As mães de "enuréticos" usaram maior número de recursos para ajudar a criança a não evacuar na calça e não urinar na cama e menor número de recursos para ajudar a criança a não urinar na calça, em comparação com as mães do outro grupo. 8 - Na fase de treino ao toalete, as mães de "não-enuréticos" costumavam elogiar mais a criança quando esta usava adequadamente a privada; criticavam menos e ficavam menos "bravas" quando a criança urinava na cama ou na calça ou evacuava na calça e ainda apresentava maior atitude de orientação com relação ao comportamento desejado da criança, em comparação com as mães de "enuréticos". 9 - No grupo de "não-enuréticos" havia maior consistência na ação das mães, maior participação dos pais e maior consistência entre a ação do pai e da mãe do que no outro grupo na fase de treino ao toalete. 10 - Na fase que as crianças se encontravam entre 5 e 7 anos de idade, todas as crianças "enuréticas" urinavam na cama e algumas delas urinavam na "calcinha", o que não ocorreu no outro grupo. 11 - Com a finalidade de evitar que a criança urinasse na cama, as mães de "enuréticos" usavam maior número de recursos nessa fase e a iniciativa na utilização deles era predominantemente da mãe. 12 - No grupo de "enuréticos", as mães criticavam e ficavam "bravas" com as crianças quando acontecia dela urinar na cama, e por outro lado, a elogiavam pouco quando ocorria o contrário nessa fase (5-7 anos). 13 - Na época em que o presente estudo era desenvolvido, a iniciativa quanto aos hábitos de higiene da criança em geral e aqueles relacionados diretamente à eliminação da urina costumava ser mais das mães no grupo de "enuréticos". 14 - A maioria das mães de "enuréticos" se preocupa com o problema de enurese do filho, pune a criança quando esta urina na cama e não a elogia quando isso não ocorre. 15 - As mães nos dois grupos consideram que a época de aquisição do controle noturno da bexiga pelos outros filhos influenciou a sua maneira de lidar com a criança (focalizada na pesquisa) neste aspecto. 16 - Encontrou-se uma relação entre a época de aquisição do controle noturno da bexiga pelas próprias mães e a época de aquisição desse controle pela maioria de seus filhos. Os resultados parecem indicar portanto, semelhanças e diferenças relevantes entre os dados obtidos frente aos dois grupos / de "enuréticos" e "não-enuréticos" / não só em relação ao treino ao toalete, mas também a aspectos relacionados à eliminação da urina em outras fases da vida da criança.

Endereço: http://www.nuteses.temp.ufu.br/tde_busca/processaPesquisa.php?pesqExecutada=2&id=2030&listaDetalhes%5B%5D=2030&processar=Processar

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