Integra

"Escravo do espelho meu! Surge do espaço profundo e vem dizer; há no mundo mulher mais bela do que eu?" (Disney, 2001]. Quem nunca ouviu indagação similar, marco das freqüentes inquisições da perversa madrasta em uma das memoráveis fábulas infantis de Walt Disney?. Ainda que a imagem refletida no mais franco dos espelhos lhe certificasse que seus cabelos não eram "negros como a noite", nem seus lábios "rubros como as romãs" ou sua face "tão alva", em comparação aos dotes naturais da protagonista Branca de Neve, era dele - espelho - que rogava uma aprovação. Que sorte a dela! Afinal, o autor da saga hollywoodiana dos anos 30 se deteve apenas nas perfeições do rosto de Branca de Neve, deixando o restante do corpo aos desígnios da fúria da madrasta que, quer pelas mãos do fiel caçador Ulisses, quer por suas próprias, ansiava fazer jus à sua beleza. Escrito em outros tempos, hoje o roteiro seria outro. Para o dissabor daqueles que se dão por satisfeitos com a  magem da então rival princesinha, o corpo de Branca de Neve não passaria despercebido ao longo do enredo.  ssessorado pelos diferentes meios de comunicação, Walt Disney provavelmente a enquadraria no padrão de beleza hoje estabelecido: uma silhueta bem delineada, esguia e proporcionalmente distribuída entre os 90 centímetros de quadril e de seios. Conto de fadas? Não em nossos tempos, afinal não há nada em que hoje a medicina, auxiliada pela estética, não dê um jeito: uma aplicação de colágeno aqui, uma prótese de silicone ali, uma lipoaspiração acolá... quase pronta! Acrescentem-se os cílios e as unhas postiças; as lentes de contato coloridas e um aplique nos cabelos e... pronto! Se não me esqueci de nada, eis que surge a mais perfeita das mulheres!

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