Esporte de Aventura e a Relação Corpo-natureza: a Inserção do Tema na Estrutura Curricular do Curso de Educação Física / Unb

Por: Dulce Maria Filgueira de A. Suassuna.

56ª Reunião Anual da SBPC

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introdução:

o trabalho apresenta resultados de uma pesquisa realizada pelo núcleo de estudos do corpo e natureza - necon, da fef/unb. por se tratar de um fenômeno relativamente recente, os esportes de aventura ainda não apresentam um corpo conceitual consistente, tendo-se esforços empreendidos nesse sentido que buscam consolidar a área e que permitem uma relação interdisciplinar entre estudiosos da educação física e de áreas como as das ciências sociais. o estudo do fenômeno em tela foi realizado com o objetivo de relaciona-lo ao objeto de estudos de disciplinas do curso de educação física da unb, tendo em vista que o conteúdo relativo aos esportes de aventura é apresentado de modo difuso, como esportes alternativos aos tradicionais e até mesmo como atividades de lazer. vê-se, com base neste tipo de interpretação, que há uma visão pouco clara sobre o significado e importância desses esportes na formação dos futuros professores de educação física.

objetivos:

geral

• compreender o significado da relação corpo e natureza por meio da prática de esportes de aventura, analisando as dimensões do risco, desafio e limitações presentes nesses esportes como parte do processo de construção das identidades dos praticantes;
específicos

• identificar o nível de compreensão sobre os esportes de aventura dos estudantes do curso de graduação em educação física da universidade de brasília.

•inserir os resultados no bojo da discussão da reformulação curricular do referido curso.

metodologia:

a pesquisa, com abordagem qualitativa, foi realizada com estudantes regularmente matriculados do curso de licenciatura em educação física da universidade de brasília. compreendeu a aplicação de 120 questionários (o que representou 32% dos estudantes do curso), com o objetivo de identificar os níveis de compreensão destes estudantes sobre o tema.

para a análise foram definidas escalas de compreensão do significado dos esportes de aventura para estes indivíduos. os níveis de compreensão indicam o conhecimento das categorias apontadas pelos inquiridos para caracterizar o fenômeno. o nível bom indica que o sujeito relaciona a prática do esporte em ambiente natural e a interação do indivíduo-meio, situada por meio do respeito à natureza (sentido de preservação ambiental). o nível intermediário significa que o sujeito investigado identifica o ambiente em que se pratica a atividade como sendo a "natureza", todavia, não apresenta a relação com a natureza como uma interação indivíduo-meio. por último, o nível ruim de compreensão é apresentado por indivíduos que não identificam o meio em que esses esportes são praticados, confundindo-os com esportes radicais praticados em ambiente urbano.

resultados:

por meio da análise dos questionários, verificou-se que foram apresentados os seguintes níveis de compreensão: bom (30%), intermediário (65,7%), ruim (0,3%).

os resultados indicam que 65,7% do universo analisado relacionam os esportes de aventura com a natureza (ambiente natural, ar livre, local aberto). portanto a escala se situa no nível intermediário - regular - de compreensão. registrando-se, por oportuno, que se tratavam de indivíduos regularmente matriculados no curso de graduação em educação física.

após a catalogação dos dados foi possível formar-se uma visão geral sobre o significado dos esportes de aventura, tendo em vista que, dentre o grupo, 15 indivíduos (aproximadamente 12% dos 120 inquiridos), são praticantes de esporte de aventura.

conclusões:

os resultados indicam que 65,7% dos estudantes de educação física da unb identificam os esportes de aventura à realização de atividades físicas na natureza. a natureza foi representada por meio das seguintes categorias: ambiente natural, ar livre, local aberto. isto sugere que o nível de compreensão do universo analisado é intermediário, posto que não há precisão nas informações prestadas, o que pode estar relacionado ao fato de não haver um corpo conceitual formado sobre o assunto, nem mesmo trata-se de um tema objeto de discussão das disciplinas do curso. busca-se, por meio do debate, a compreensão da relação corpo e natureza e a promoção de uma possível consciência ambiental. assim, por ser um fenômeno relativamente recente, o esporte de aventura começa a ser tomado como objeto de investigação e passa a se localizar no ambiente acadêmico. o número significativo de praticantes, aproximadamente 12% do total dos indivíduos que tiveram suas respostas analisadas, ajuda a dimensionar a importância social desse fenômeno. portanto, é necessário ampliar o espaço de debate sobre esses esportes com a finalidade de compreende-lo, seja como fuga do cotidiano, como busca de aventura e do desafio ou mesmo o interesse em manter contato com a natureza. é preciso discuti-lo para entender o que efetivamente representam esses esportes tanto para os estudantes de educação física quanto para outros indivíduos praticantes ou não da técnica corporal.

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