Estudo Da Maturação Sexual em Escolares do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro

Por: Astrogildo Vianna de Oliveira Junior.

I EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar

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            Existe grande preocupação em oferecer uma Educação Física, e por que não dizer uma Educação de forma geral, adequada aos anseios do aluno e da sociedade.  Trata-se de aproveitar o interesse, o próprio desejo que o aluno traz dentro de si e utilizá-lo como favorecedor do processo de aprendizagem. Como cita PALMA FILHO (1992), “o currículo não pode ser separado da totalidade do social, e deve ser historicamente situado e culturalmente determinado”. Entretanto, aproveitar características do aluno, significa antes de mais nada, ser capaz de identificá-las, o que somente será possível se nos dispusermos a conhecer os alunos dos quais estamos falando. Conhecê-los não é apenas saber seus nomes, significa muito mais que isso. Significa conhecer suas características bio-psico-sociais. Suas características sociais e psicológicas envolvem um considerável conjunto de conhecimento, os quais não abordaremos neste trabalho, não porque não sejam importantes ou que possuam menor importância, mas apenas por uma questão de proposta de trabalho. As características biológicas, através de uma de suas manifestações - a maturação sexual -, muitas vezes negadas pelos estudiosos das outras áreas, virá aqui prestar sua colaboração na identificação das características destes indivíduos.

            Já em 1540, VIVES (citado por COMAS, 1957) mostra haver uma preocupação com o crescimento, uma das manifestação biológicas individuais. Esta preocupação levou cientistas a constatarem que além do crescimento acontece o desenvolvimento, que embora ocorrendo simultaneamente, o faz em velocidade distinta (ARAÚJO, 1986). O desenvolvimento relaciona-se ao aprimoramento das capacidades para desempenhos físico e psicológico. CLAPARÈDE (citado por COMAS 1957) ressalta a importância do conhecimento somatofisiológico da criança, ao afirmar que: “antes de estudar o desenvolvimento mental,  é necessário dar uma olhada no desenvolvimento físico, primeiramente porque  os destinos do espírito estão como sabemos, ligados aos do corpo, e compreender estes é compreender aqueles”.

            Mais recentemente, HEGG (1977) nos apresenta que “a evolução do processo pubertário, a idade média da menarca e sua distribuição são fatores importantes para uma organização racional do programa de educação física”. E aí eu acrescento, da escola, pois observamos com certa freqüência em nossas turmas, alunos que não conseguem integrar-se ao grupo, por possuírem interesses outros, mobilizados por seus diferentes níveis de desenvolvimento.

            Desta forma, neste estudo, observamos o desenvolvimento físico, em sua manifestação através da maturação sexual (menarca no sexo feminino e pilosidade axilar no sexo masculino) em alunos do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

    Metodologia      

            Foram extraídos, de forma aleatória estratificada por sexo e idade, dentre os 11.136 alunos matriculados e freqüentadores dos nove campi do Colégio Pedro II no ano letivo de 1995, 525 alunos (264 do sexo masculino e 261 do sexo feminino) na faixa etária dos 6 aos 21 anos,

            A observação da maturação sexual no sexo masculino foi realizada através da análise da presença, ausência e/ou características dos pêlos axilares, conforme MATSUDO (1987)

            No procedimento desta análise, a região axilar foi observada livre de vestimentas, com os braços elevados, tendo-se atentado para a adequada luminosidade do ambiente. A avaliação dos pêlos axilares foi realizada de acordo com a classificação abaixo:

NÍVEL I -    “Ausência”, quando os pêlos axilares não estavam presentes em nenhuma forma.

NÍVEL II -  “Presença parcial”, quando os pêlos axilares se caracterizavam por ser:

                       a) em pequeno número; b) mais lisos; c) opacos; d) finos; e) claros.

NÍVEL III - “Presença total”, quando os pêlos axilares se caracterizavam por ser:

                      a) em grande número;            b) mais encaracolados; c) brilhantes; d) espessos;

                       e) escuros.

          O aparecimento dos pêlos axilares corresponde à penúltima mudança maturacional durante a puberdade (DUARTE, 1993).

          Embora aconteçam exceções, a ausência de pêlos axilares corresponde à fase pré-pubertária ou pubertária inicial. A presença de pêlos axilares corresponde à fase pubertária franca, enquanto que a presença total corresponde a fase pós-pubertária.

          Como precauções:

1) Foram observadas sempre as duas axilas e, no caso de ocorrer discrepância, adotado o estado mais avançado como resultado do teste.

2) Na presença de pêlos, ainda que em pequeno número, o avaliado foi categorizado como nível II.

3) Nos casos intermediários adotamos o estado mais avançado.

            Nas meninas, a puberdade principia-se, geralmente, pelo desenvolvimento mamário, seguido pelo aparecimento dos pêlos pubianos, do pico de velocidade em estatura, maior desenvolvimento dos seios e pelos pubianos, menarca e, finalmente, o estágio adulto de mamas e pêlos pubianos.  Coerentes com a menor invasão da privacidade optamos pelos métodos retrospectivo e status quo, ou seja, a menina deveria lembrar quando (mês e ano) ocorreu a primeira menstruação e no segundo caso declarar já ter ou não vivenciado a menarca..

            Foram incluídas num questionário, questões diretas e objetivas, seguidas, em caso de não lembrar precisamente o período da menarca, de outras questões indutivas, procurando determinar um período provável da ocorrência. Assim, foram utilizadas questões envolvendo datas marcantes (férias escolares, festas natalinas, aniversário, festas juninas etc.).

Referências Bibliográficas:

.Araújo, C. G. S. de.(1986) Crescimento, Desenvolvimento e Aprendizagem Motora. Exercício e Saúde. Ensino à Distância. 1ª ed. Ministério da Educação/Secretaria de Educação Física e Desporto.

.Comas, J.,(1957) Manual de Antropologia física. México: Fondo de Cultura Económica.

.Duarte, M. de F. da S.( 1993).Maturação Física: Uma Revisão da Literatura, com Especial Atenção à Criança Brasileira. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.9 (supl.1): p.71-84

.Hegg R. V., LEVY, M. S. F.(1977).Estudo sobre a menarca - 1974. Rev. Ass. Med.  Brasil - v. 23, n.12, p.431-435. Dez

.Matsudo, V. K. R.(1987) Testes em ciências do esporte. São Paulo: Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul.

.Palma Filho J. C.(1992) Reformulação de currículos no ensino fundamental. Tecnologia Educacional, v.21(107), jul/ago.

 

 

 

 

 

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