Estudos de Mídia do Esporte e a (re)produção de Identidades

Por: Margaret Macneil.

Revista Brasileira de Ciências do Esporte - v.28 - n.1 - 2006

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Resumo

A identidade é uma das noções mais discutidas em diversos campos acadêmicos, tais como: a teoria literária, a psicanálise, o pós-estruturalismo, o pós-modernismo, o pós-colonialismo, o feminismo, a teoria queer, os estudos culturais e os estudos críticos do esporte. Ironicamente, ao mesmo tempo em que a identidade é considerada por muitos um termo obsoleto, sous rature [sob rasura], ela continua sendo um tema relevante e um princípio organizador em ambientes esportivos. As respostas a questões de identidade vão desde lutas políticas fundamentadas nesse conceito a fim de corrigir desigualdades, como, por exemplo, as abordagens feministas dos estudos do esporte e da advocacia do esporte, até os desafios não-identitários colocados por críticos pós-modernos que condenam movimentos essencialistas que, por sua vez, baseando-se na identidade, reproduzem perniciosamente a desigualdade ao longo de diferentes eixos de poder. Em meio a esses desdobramentos paradoxais, surge, a partir dos anos de 1990, uma abordagem intermediária pós-colonial, pós-positivista realista (PPR), para resgatar interpretações de experiência, localização social, condições materiais, e a aplicação política que indivíduos e grupos conferem à identidade. Neste artigo, a abordagem PPR de Sayta Mohanty e Paula Moya é adaptada usando a noção de identificação, de Stuart Hall, e a de nação como “comunidade imaginada”, de Benedict Anderson, para explorar etnograficamente um estudo de caso da mídia esportiva da negociação de identificações atléticas nacionais e raciais associadas a nadadores da Guiné Equatorial pela Canadian Broadcasting Corporation durante as Olimpíadas de Verão de 2000. Constata-se que as identificações são relacionais, contingentes, performativas e produtivas, e assim continuam a ter relevância política e impacto concreto sobre as pessoas nos locais de produção da mídia esportiva e decompetição. Argumenta-se que as abordagens não essencialistas aos estudos de identidade são teórica e politicamente importantes, mas necessitam aprofundamento.

Endereço: http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/view/36

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