Etnografia das Meninas Que Jogam Bola no Lazer Orientado

Por: Alexandre Jackson Chan Vianna e Ludmila Mourão.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

O presente estudo tem como objetivo compreender as resistências de meninas
adolescentes para permanecer praticando, no lazer, esportes com ocupação
predominantemente masculina e descrever as representações sobre a prática
que escolheram reconhecendo o jogo identitário (HALL, 2005) de que se utilizam
para praticar esportes coletivos e de confronto. O modelo etnográfico foi
escolhido por termos a intenção de "traçar a curva de um discurso social; fixá-
lo numa forma inspecionável" (GEERTZ, 1989). Delimitamos o campo do lazer
orientado e a faixa etária entre 15 e 18 anos por avaliar que é nesse espaço que
se situam as meninas com maior autonomia relativa para escolher e permanecer
na atividade e por terem essa prática prioritariamente para ocupar seu tempo
livre. As modalidades de basquetebol, handebol e futsal foram as escolhidas
para a pesquisa. O local do estudo é o Centro Esportivo Miécimo da Silva,
localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, lá funciona um projeto
de iniciação esportiva com orientação para a inclusão social com mais de trinta
modalidades oferecidas, sendo que nas modalidades eleitas o basquetebol dividiu
a turma por desempenho independente do sexo; o handebol não fez qualquer
tipo de divisão; e o futsal optou por uma turma exclusivamente feminina por
existir horário disponível. Parte dessas meninas circularam em várias
modalidades antes de permanecer nos esportes estudados, em particular, grande
parte do grupo do futsal iniciou e permaneceu na atividade por serem
convidadas pelas amigas e ao saber que existia espaço exclusivo para elas, todas
estão envolvidas nas modalidades a mais de um ano. Os resultados iniciais
apontam que as meninas nesses esportes investem na identidade, se
diferenciando da maioria que pratica atividades predominantemente femininas
de forma a reorganizarem seus discursos e suas atitudes no contexto cultural
em que vivem. Elas conseguem representar os motivos de sua permanência
nessas atividades por estarem juntas com as pessoas de que gostam e valorizando
as características de ação e disputa coletiva ao se diferenciar das outras atividades
femininas que apenas valorizam a vaidade pessoal demonstrando a delimitação
de fronteiras entre as meninas nesse campo. A escolha esportiva como um
marcador simbólico (WOODWARD citado por SILVA, 2005) e a necessidade de
enfrentarmos o avanço dos estudos de gênero para além do esquema binário
(LOURO, 2001), rumo a pluralidade motivam a continuidade desse trabalho.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/66_Anais_p303.pdf

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