Exercício Físico e Longevidade: o Início da Quebra de Paradigmas no Brasil

Por: Silvio Telles.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

O Objetivo deste estudo foi evidenciar o momento histórico em que os intelectuais
brasileiros começaram compreender a idéia de que atividade física voltada para idosos
era fisiologicamente possível, já que, anteriormente a isso, os artigos dos principais
periódicos brasileiros das décadas de 30 a 60 atrelavam atividade física à longevidade
e não para ampliar ou melhorar a qualidade de vida dos já idosos. Após uma revisão
bibliográfica, encontramos no periódico intitulado "Boletim Técnico Informativo
do Ministério da Educação e Cultura" o artigo do professor de educação física
Fernando Telles Ribeiro que, em 1968, apresentou um resumo baseado em
informações colhidas do Comitê Olímpico Búlgaro. O título do artigo é: "Exercício
Físico e Longevidade". Neste artigo, percebemos que as pessoas idosas começam
a ser encaradas, sobre a ótica da atividade física, como pessoas capazes de realizar
exercícios com intensidade. Na página 38, o autor refuta e cita a referência que diz
que o idoso deve ser poupado de esforço e abster-se de despender muita energia
com movimentos e viver agasalhado em casas devidamente aquecidas. No início
do artigo, o autor o justifica dizendo que as atividades físicas para idosos são um
novo campo da educação física dando indícios de que ainda dávamos os primeiros
passos nas descobertas do campo gerontológico. A longevidade humana, observada
através dos efeitos do condicionamento físico, é um novo campo de experimentação
da educação física (RIBEIRO, 1968, p.37). No artigo em voga, são relatados resultados
de pesquisa realizada com adultos com idade compreendida entre 55 e 60 anos, que
foram sistematicamente treinados com exercícios físicos adequados que
reconhecidamente provocariam hipertrofia em jovens. Isto posto, percebemos que
o autor define o resultado como "surpreendente", já que os experimentos foram
realizados, baseando-se no pressuposto da época, de que como a involução e atrofia
muscular são processos irreversíveis da natureza e se tal fenômeno é inevitável, a
atividade funcional com exercícios físicos não iria promover hipertrofia muscular. A
conclusão do referido artigo foi que houve hipertrofia nos músculos submetidos à
ativação funcional e seus índices de força aumentaram consideravelmente.
Acreditamos que o artigo de Ribeiro refletiu uma nova preocupação social no campo
das atividades para idosos, visto que suas afirmações não comungavam com o
arbitrário cultural da época.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/78_Anais_p447.pdf

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