Factores Perceptivos Determinantes na Execução e Controlo da Orientação do Corpo no Salto Mortal

Por: Manuel Ferreira da Conceição Botelho.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

A posição de pé nos desportos gímnicos é quase sempre passageira sendo a maior
parte das vezes a partida e a chegada de gestos complexos executados com ou sem
rotação do corpo. Ora, os saltos acrobáticos, sendo tarefas motoras designadas como
situações inabituais no ser humano, exigem por parte de quem os executa uma
interpretação ajustada de todas as aferências visuais, vestibulares e cinestésicas. Assim,
não admira que os ginastas reproduzam com grande precisão espaço-temporal os
saltos mortais. Ora, no tocante ao controlo motor hoje somos confrontados com 2
correntes epistemológicas: a) a cognitivista, considerando o movimento como
resultado de um conjunto de processos cuja fonte provém de uma representação da
acção motora em função de um determinado fim, isto é, o plano de acção é
implementado num programa motor que se executa, se controla e determina a sua
efectivação. Esta concepção assenta em 2 teorias: a do circuito aberto e a do circuito
fechado (regulação externa e interna, respectivamente); b) a ecológica, estudando o
movimento na sua globalidade, distingue também 2 correntes ou teorias: a dinâmica
das coordinações e a da percepção-acção. A 1a., refere-se à motricidade humana
como um sistema auto-organizado. A 2a., considerando uma relação estreita e directa
entre a percepção e a acção, entende que a informação é uma propriedade do sistema
organismo-meio envolvente e a acção uma relação recíproca entre o organismo e o
meio envolvente assim como a sua alteração (REED, 1982). Assim, a compreensão
dos processos perceptivos permitindo aos ginastas controlar a sua orientação no
espaço será uma das problemáticas permitindo esta. No nosso trabalho estudámos
a execução do salto mortal engrupado observando as variações entre as diferentes
execuções, abertura das articulações coxo-femural e joelho e a posição da cabeça.
Foram observados 7 ginastas masculinos e 40 alunos universitários praticantes de
ginástica artística saltando no Trampolim (cama elástica). Todos executaram 2 saltos
testando 2 modalidades de visão (com olhos abertos e olhos fechados) verificandose que a estabilização da cabeça determina a desaceleração do movimento nos ginastas
e alunos seguindo-se, no mortal à frente, a abertura das articulações coxo-femural e
joelho. A variabilidade das execuções quer por parte dos ginastas, quer pelos estudantes,
quando com os olhos vendados, sugerem um controlo prospectivo segundo um
binário percepção-accção.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/65_Anais_p297.pdf

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