Fair Play nas Lutas Competitivas: Possibilidades de Intervenção Pedagógica

Por: Fernanda Moreto Impolcetto, G. K. Passini, J. L. M. D. Santos, , V. A. C. Germano e W. F. Shoga.

IX Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana XV Simpósio Paulista de Educação Física

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Resumo

Devido à atuação de vários atletas brasileiros nas modalidades relacionadas ao campo das lutas, esta prática corporal vem ganhando grande visibilidade e representação nos meios midiáticos. Neste contexto, o MMA aparece como uma das mais destacadas, pelos altos investimentos e espetacularização produzida pela mídia, em que seus confrontos são consumidos pelos mais variados públicos, dentre eles os jovens. Assim como nas diversas modalidades esportivas, a visão que se tem é a da vitória a qualquer custo e, muitas vezes, os atletas que tomam atitudes justas e honestas são recriminados pela sociedade, dessa forma, cria-se a necessidade de discutir estes aspectos no ambiente escolar, sobretudo nas aulas de Educação Física. Para tanto, o objetivo deste trabalho foi desenvolver e implementar duas aulas relacionadas a temática do fair play nas lutas, buscando relações com questões referentes ao bullying na escola. Este estudo, de natureza qualitativa e descritiva, se propõe a apresentar as atividades abordadas nas aulas, bem como as impressões gerais de alunos do 1º ano do Ensino Médio de duas escolas públicas do município de Rio Claro, a partir do registro de diário de campo e grupo focal realizado com 9 alunos da escola A e 7 alunos da escola B. Ao todo foram realizadas três atividades, cuja primeira consistiu num "Cabo-de-guerra", em que se estipularam diferentes formas de organização das equipes. Ao término desta atividade discutiram-se aspectos quanto à igualdade no número de integrantes nos grupos, se houve um embate justo nas disputas e qual a sensação do time vencedor e perdedor. Na segunda, os alunos assistiram a dois vídeos, um com cenas de fair play nas lutas, enfatizando atitudes de respeito e justiça dos competidores, e outro retratando condutas de "anti fair play", cujos atletas infringiam as regras para benefício próprio. Discutiu-se sobre a opinião dos alunos frente ao comportamento dos atletas nos vídeos, golpes e ações permitidas pelas regras e a influência de fatores extrínsecos nos lutadores. A última atividade foi um "Rouba bandeira", na qual os alunos foram divididos em duas equipes. O objetivo do jogo era capturar a bandeira adversária, para isso os alunos receberam cartas com implementos relacionados às lutas, os quais seguiam uma hierarquia. Realizaram-se várias partidas com distribuição desigual entre as cartas. Após a atividade, foram discutidas as principais impressões e atitudes das equipes ao perceberam sua vantagem e desvantagem frente a outra equipe. De modo geral, pode-se dizer que os alunos souberam reconhecer as possibilidades de atitudes éticas e justas no contexto das lutas, além disso, eles conseguiram estabelecer uma relação com suas vivências no ambiente escolar, associando as atividades desenvolvidas com situações de bullying ocorridas neste cenário. Apesar dessas impressões, notou-se que o discurso de muitos alunos não condizia com a prática, demonstrando a necessidade de maiores discussões acerca desta temática.

Endereço: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/article/view/10060/10060

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