Força Muscular em Mulheres Praticantes de Treinamento de Força e de Treinamento Concorrente: Um Estudo Descritivo Comparativo

Por: Adriana de Sena Martins, Antonio Alías, Desyrée Nogueira de Brito Bolorini Duarte, Glória de Paula Silva, Guilherme Rosa, Laércio Camilo Rodrigues e Silvania Matheus de Oliveira Leal.

Revista de Educação Física - Centro de Capacitação Física do Exército - v.86 - n.2 - 2017

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Resumo

Introdução: A combinação do exercício cardiorrespiratório (EC) com treinamento de força (TF), denominada treinamento concorrente (TC), pode favorecer o organismo com adaptações aeróbicas e musculares. Contudo, o EC parece influenciar negativamente o desempenho em força muscular de forma aguda e crônica.

Objetivo: Comparar os efeitos do TF e de TC sobre a força muscular entre praticantes de TF e TC.

Métodos: Estudo seccional, com amostra por conveniência, do qual participaram 12 mulheres com média de idade de 35 ± 2,99 anos, praticantes de TF (n=6) e de TC (n=6) há pelo menos seis meses. Foi realizado o teste de repetições máximas (RM) no exercício cadeira extensora e utilizada a equação de estimativa de Epley: 1RM= [(0,0333 x C) x R] + C, onde C= carga utilizada e R= número de repetições máximas realizadas. A partir dos resultados, a força máxima dos grupos foi estimada. Realizou-se medidas de tendência central e de dispersão. Foi utilizado o teste de normalidade de Shapiro-Wilk, e o teste tde Student para amostras independentes, com nível de significância de p<0,05.

Resultados: A média dos resultados do teste de força máxima foi de 101,67 ± 19,37 kg no grupo TF e de 86,87 ± 11,61 kg no grupo TC. Não houve diferença estatisticamente significativa (p=0,13).

Conclusão: Não foi observada diferença significativa na força entre mulheres praticantes de TF e de TC, sugerindo que o TC não teve efeito negativo sobre essa qualidade física nas voluntárias avaliadas.

Muscle Strength in Women: A Comparative Study on Strength Training and Concurrent Training

Introduction: The concurrent training is the combination between aerobic and strength exercise. It can produce aerobic and neuromuscular changes. The aerobic training seems to have a negative influence on strength exercise.

Objective: To compare the strength levels between strength training (ST) and concurrent training (CT) female practitioners.

Methods: A cross-sectional study was carried out with 12 women, mean age of 35 ± 2.99 years, who were practitioners of ST (n = 6) and CT (n = 6) for at least six months. Maximum repetitions (MR) test was held and the results were applied on estimative equation described by Epley: [(0.0333 x L) x R] + L, where L corresponds to Load, and R to the maximum number of repetitions. Data were collected with knee extensor exercise, and from the obtained results the maximum strength values were estimated. It was used descriptive statistics. Normality and Student T test. The p-value was p<0.05.

Results: CT group presented 1RM values of 86.87 ± 11.61 kg, while ST group presented values of 101.67 ± 19.37 kg. It’s possible to observe that, despite of the highest mean value of ST group, no significant difference (p=0.13) on estimated maximum strength was observed between the studied groups.

Conclusion: At the present study, no difference on maximum strength was observed between the practitioners of ST and CT, suggesting that there was no negative interference of CT on this variable in the participants.

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