Formação Contínua de Professores de Educação Física no Estado de São Paulo: Quais as Políticas em Jogo?

Por: Bruno Gonçalves Lippi.

2010 26/01/2010

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Resumo

A educação escolar organizada pela burguesia ocidental tornou-se um símbolo da modernidade, pois, fundamentada nas ciências positivistas, disseminou os valores modernos como a racionalidade, a previsibilidade e a certeza. No entanto, nota-se que as explicações fornecidas pelo paradigma da modernidade têm sido questionadas nas últimas décadas, dando espaço para outras teorias da realidade social. Tal transitoriedade tem levado alguns estudiosos das questões sociais a vislumbrar o início de "novos tempos" - denominados, por alguns, de pós-modernidade -, enquanto outros interpretam que vivemos a "radicalização" da modernidade. Paralelamente a este momento histórico, assistimos à reestruturação do sistema capitalista, na qual grupos econômicos realizam mudanças periféricas no sistema econômicoprodutivo para manutenção da lógica do capital. Neste ínterim, faz-se então uma chamada pública por uma nova escola que prepare nossas crianças e jovens para os novos tempos. Na iminência de diversos e antagônicos projetos de sociedade e de escola, não por acaso, a formação de professores evidencia-se nos debates acadêmicos contemporâneos. Nossas preocupações focaram a política de formação contínua da rede estadual paulista, analisando os pressupostos que lhe dão sustentação. Neste sentido, o objetivo do estudo foi analisar criticamente a política de formação contínua dos professores de Educação Física organizada e implementada pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo por meio das ações da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), tomando como referência, os discursos contemporâneos sobre a formação contínua. Como método de investigação científica, optamos pela bricolagem, como definida por Kincheloe (2007) quando propõe, entre as tarefas do pesquisador, o entretecimento dos pontos de vista dos envolvidos, buscando romper com o reducionismo e a fragmentação dos métodos positivistas. A partir daí, entretecemos uma interpretação da realidade recorrendo aos pontos de vista dos atores da política formativa quando instadas a analisar o curso A rede aprende com a rede, ao discurso da mídia acerca do assunto e ao confrontamento com o referencial teórico. Interpretamos que a política estadual de formação contínua de professores insere-se no pacote de políticas educacionais neoliberais, que incluem os sistemas de avaliação externa, a remuneração por desempenho e o currículo. Ainda, observamos que a política formativa alinha-se, também, às políticas formativas hegemônicas contemporâneas que apostam na responsabilização, aperfeiçoamento e no mérito individual como valores centrais.

Endereço: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-09032010-151324/pt-br.php

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