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A piscina do Comfort, ao lado do bar com o sugestivo nome de Piaf, foi uma boa surpresa nesta manhã ensolarada de Fortaleza. Apesar do sol forte, a brisa contínua amenizava em muito a sensação térmica e permitia que lesse meu Edgar Alan Poe, enquanto o astro rei fazia o serviço de bronzeamento grátis. Momento bom também para a reflexão do que foi este final de semana, que começou na sexta, logo após o avião sobrevoar montanhas altas, com vegetação exuberante, nada de acordo com o estereotipo nordestino. São as serras de Baturité e talvez Quixadá, zona que permite até o uso de cobertor a noite, surpresa local.
A Carminda, excelente promessa da área de Ciências do Esporte, que me convidou para dar o Curso na Unifor, se atrasou para me buscar, mas compensou com atenções desmensuradas, inclusive com um tour por bairros bonitos como o Cocó, com nomes exóticos como Papicu, residenciais de ponta como Meirelles e Aldeota, como ainda uma percorrido da Rua da Alegria, que em verdade não se chama assim, onde se localizam dezenas de restaurantes e barzinhos, motivo de festas contínuas da moçada.
Muitas são as transformações por que passou a cidade, sendo que muito me marcou o que vi no entorno e na própria UNIFOR, de Edson Queiroz, empresário forte que compete inclusive com Tasso Jereissati no apetite pelos negócios. O campus está outro, arborizado, com edifícios bonitos e uma vegetação exuberante, por onde circulam aves exóticas como emas. As vizinhanças no entanto é que mudaram mais. Onde havia somente mato e uma cerca, hoje há edifícios residenciais de primeira, pontes, viadutos, o Shopping Iguatemi bem expandido e um enorme Centro de Convenções, considerado o segundo em dimensão do país.
Mas nem todas as transformações foram no sentido positivo. Primeiro se perdeu o melhor restaurante do nordeste: o Trapiche, hoje nome de condomínio edificado no local. Sumiram os Clubes da praia de Iracema, como a ABB e o Associados, e no mesmo caminho vai indo o Náutico, local onde há décadas saboreei uma das melhores patinhas de caranguejo da vida.
Visitar Fortaleza é caminhar no calçadão. No Mucuripe, apesar do nome estranho se encontra a melhor relação entre cidade e natureza, com espaços maiores para a caminhada, sombra providencial por boa parte da manha que os altos e elegantes prédio propiciam. Percorre-se a região dos pescadores, das jangadas, dos pescadores, da estátua de Iracema, paradoxalmente não localizada na praia do próprio nome, passando-se pelo despojado Hotel Gran Marquise e pelo famoso restaurante Coco Bambu. Após a Volta da Jurema, logo após o Othon, se encontra o Jardim Japonês, que abrigava por incrível que pareça uma manifestação de musica sertaneja: só no Brasil! Adentra-se pela Beira Mar, com infinita quantidade de gente e de barraquinhas de bebidas, comidas, roupas, quadros, pinturas, venda de passeios, enfim, uma Babel nada atraente. O melhor fica por conta das quadras de volei de areia e a área ocupada pelo Clube dos Stressados, assim mesmo com S pois sua fundação antecede e boa ortografia. Logo após chega-se a praia de Iracema, com seus hotéis quatro estrelas, com frequência de três. Por ali encontrei o Teatro de Humor, onde me diverti bastante com Cabaça e Manguaça, o homem cuja a vida é um litro aberto!
A gastronomia cearense tem diversas boas opções. Marquei meu ponto no Coco Bambu, onde os camarões a milanesa com molho tártaro continuam sendo servidos em grandes porções. Conheci o Castelli, restaurante muito bem instalado, com serviço excelente e pratos ainda melhores. Conferi os camarões ao catupiri com arroz de brócolis e dividi com mais três uma sobremesa de com chocolates em diversas apresentações e um sorvete de baunilha para quebrar a doceria. E por falar em doceria, voltei depois de anos a Balú. Eta lugar malvado para qualquer dieta. Que o digam a empanada de camarão ao catupiri, a melhor no Brasil, que quebra qualquer discurso de nutricionista ortodoxa.
Não podia terminar esse relato sem compartilhar uma observação extremamente curiosa. É que ao ver Fortaleza do alto do avião, pude constatar que a cor de seus telhados é uniforme e aparentemente nova, muito bem conservada….é incrível ver os milhares de telhados quase todos no mesmo tom de telha nova…sinal de pouca poluição… uma outra qualidade da cidade.

Endereço: http://web.archive.org/web/20150402044735/http://blog.cev.org.br/victor-matsudo/2015/fortaleza-janeiro-de-2015/

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