Fusão Corporal de Cadeirantes, Cadeira de Rodas e Andantes: Refletindo Sobre a Metáfora da Metamorfose da Borboleta

Por: Maria Cunha e Vera Lucia Costa.

XI Congresso de Educação Física e Ciências do Desporto dos Países de Língua Portuguesa

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Resumo

Pesquisa qualitativa realizada com 16 cadeirantes que praticam dança de
salão. Buscamos compreender diversos sentidos explicitados no processo
da metamorfose, na fusão dos dançarinos em cadeira de rodas, por meio
da metáfora do modelo evolucionista da borboleta, transmutado pelas luzes
do palco e pelo toque dos pares andantes. Fundamentamos nossos estudos
na Análise do Discurso, de ORLANDI (2000), que entende a linguagem
enquanto lugar de conflito, tendo no silêncio seu elemento fundante, o
princípio de toda significação e em DURAND (1988), para quem do
imaginário emergem medos, esperanças, frutos culturais. Vários discursos
estão presentes no universo das práticas alternativas dos portadores de
deficiências. Realizamos entrevistas semi-estruturadas, associações livres
de idéias, mediante palavras indutoras e a projeção das alegorias animais
de POSTIC (1993), que tem como objetivo detectar os elementos que, no
imaginário, por sua ação simbólica, levam a libertação de imagens, angústias
e expressão de afetos. Os interditos são suspensos porque nesse jogo
alegórico tudo pode ser dito. Assim, encontramos pistas para a compreensão
do imaginário social que envolve essa atividade e os sentidos que a dança
assume para eles. Dançar é aventura, vida no movimento, prazer, amor,
a l egr i a , l i b e rd a d e, s u p e ra ç ã o. C o rp o fa ze n d o d a c a d e i ra de ro d a s
instrumento, transporte para movimento, arte coreográfica. Re-significam
sua dança, ultrapassando tradicionais coreografias técnicas, rígidas, de
passos e movimentos exaustivamente ensaiados, alcançando nuanças de
fluência e cadência dinamizadoras das percepções dos movimentos de cada
indivíduo em suas cadeiras e rodas, vividas e visualizadas na solidariedade
dos andantes. Metamorfoseiam a aparente imobilidade, recobrindo-a de
expressões, signos codificados e estabelecidos em diferentes linguagens e
estilos. No movimento, os pares procuram entrar no ritmo, forma, vivendo
uma energia dançante que se propaga de um corpo para outro. Na
metamorfose final, pela identificação e magia do Amor, espírito atravessa
corpo, alcançando humanização na natureza, onde rodas, movimento,
aventura de dançar faz com que se esqueçam dos preconceitos, valores
sociais, exclusão, identidade dançante e se preparem para um próximo vôo.

Endereço: http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/61_Anais_p221.pdf

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