Futebol, Linguagem e História ( Cap. V da Tese de Dr do Raul Milliet)

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Sobre a Obra

Não tem sido comum, na tradição da historiografia brasileira e mundial, adotar o futebol como tema. Muito menos, o futebol como linguagem e a linguagem como futebol. Nossa proposta é buscar, nas máximas e expressões do futebol brasileiro, fonte e síntese para a pesquisa e ensino da História.
Nelson Rodrigues, Neném Prancha, João Saldanha e Gentil Cardoso foram quatro dos maiores criadores de máximas e expressões. Estes narradores benjaminianos desenvolveram não só o futebol como linguagem, mas a linguagem como futebol. Nelson e João, por exemplo, jogavam com a bola que era a palavra no espaço das crônicas diárias que escreviam, produzindo uma ficção da linguagem física associada à linguagem verbal. O corpo e a voz andando paralelamente, com metáforas rápidas exigidas pela velocidade do jogo.
Guimarães Rosa e Machado de Assis, ao longo de suas obras, utilizaram provérbios que buscavam no popular e no local uma possibilidade de condensação, sínteses do universal. As máximas e expressões do futebol brasileiro representam a crônica da crônica possível, recuperando uma possibilidade de humanização e de captura da singularidade das emoções.
Outra forma de lidar com esta linguagem foi explorada pelo jornalista e escritor Mario Filho, quando no ano de 1957 abordou o tema da necessidade do gozo (1) (titulo da crônica) no futebol, referindo-se ao "chiste" coletivo criado em pleno Maracanã na Copa de 1950 com o estádio em uníssono cantando "Touradas de Madri" (Braguinha e Alberto Ribeiro), externando a alegria pela goleada da seleção brasileira sobre a Espanha por 6 a 1.
Mané Garrincha foi criador de um chiste mímico, o olé, nascido no Estádio Azteca, no México, durante o jogo River Plate x Botafogo, em 1958.
O nacional, o imaginário e o popular contidos nesta caixa mágica de onde brotaram as máximas e expressões de narradores do futebol brasileiro, como recortes da nação.
Bronislaw Baczko (2) chamava a atenção para a importância da imaginação social, como fator regulador e estabilizador, de forma que os modos de sociabilidade existentes não sejam vistos como definitivos e únicos. As máximas e expressões são traduções vivas deste imaginário, alegorias e adereços deste grande samba enredo que é o futebol.

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