Futebol Sim, Mas Não Só: a Presença das Lutas em Periódicos da Cidade de Salvador (1912 ? 1935)

Por: e Lucas Oliveira.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

A cidade de Salvador, na primeira metade do século XX, fora balançada pelo foot-ball. Grande parte da população assumiria o esporte enquanto espetáculo e prática. No entanto, algumas distinções das práticas foram notadas: existia o futebol praticado pelas elites e o futebol de garotos e vadios (SANTOS, 2012; ROCHA JUNIOR, 2013). Nesse sentido, para entendermos os meandros determinados processos civilizadores, apoiamo-nos em Elias (1994) para analisarmos os periódicos que marcavam o futebol como mais uma possibilidade de prática corporal na capital baiana que pudesse engendrar os signos da civilização e da modernidade, a exemplo do que ocorrera em outras capitais brasileiras. Neste processo, notou-se que não só de futebol vivia a capital baiana, uma vez que outras práticas esportivas como o turfe, o atletismo, o basquete, as regatas e as lutas eram práticas noticiadas de forma corrente nos periódicos. A esse respeito, destacamos as lutas como Jiu-jitsu, Boxe, luta livre e luta greco-romana, que fortemente eram veiculadas, sobretudo, após a criação do Club Athletico Bahiano, no ano de 1915. Contraditoriamente, o relativo prestígio experimentado pelas lutas anteriormente citadas, não se estendeu a capoeira, a ela fora reservado o espaço das páginas policiais. A baliza temporal deste estudo compreende as duas passagens do Governador J.J. Seabra (1912-1916 e 1920-1924), personagem de destaque no cenário da cidade, que fomentou alterações significativas no cenário soteropolitano, dando início a processos modernizantes e de urbanização na cidade. Compreende também, a primeira fase da Era Vargas e, por conseguinte, a criação da Federação Brasileira de Pugilismo, em 1935. No que se refere a capoeira, verificou-se que esta começava uma nova fase, proposta por Mestre Bimba (ALMEIDA, 1994; LUCENA, 2018). A Capoeira (Angola e Regional) ganhava “corpo’ no que se refere a imagem de cultura baiana fora da Bahia. Todavia, tal imagem não era ainda apresentada nos jornais até o início dos anos 1930 na capital baiana. Algo bem diferente do que ocorrera com as lutas que já figuravam as páginas dos jornais anos antes da fundação do Club Athletico Bahiano, mas que teriam ganho um grande impulso após a sua criação. Ainda sobre as lutas, resta destacar que o seu desenvolvimento e incorporação não ocorreu de forma tão simples e tranquila na medida em que, os praticantes das lutas, seja as de origem estrangeira ou nacional, foram também duramente reprimidos. Episódios que podem ser compreendidos como indicativos da dificuldade de acomodação dessas práticas ante ao desejo da cidade de mostrar-se moderna e civilizada. O estudo do período apontou que a capital baiana, não obstante o choque inicial, não tardaria em acomodar as lutas de origem estrangeira em seu processo civilizatório e mesmo com a ascensão da capoeira na Era Vargas em vários estados brasileiros e até no exterior, não fora a Capoeira a luta escolhida para figurar nas páginas esportivas dos jornais da cidade.

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