História da Educação Física: Possibilidades de Diálogo com a História dos Impressos

Por: Ana Claudia Avelar e Gyna de ávila Fernandes.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

Objetiva-se apresentar uma possibilidade de abordagem teórico-metodológica para as investigações na História da Educação Física. Em consonância com o fazer metodológico da História Cultural, o campo de pesquisa da História dos Impressos tem se demonstrado fértil para os estudos em história da educação. Nessa perspectiva, pensar a história da Educação Física no diálogo com a história dos impressos é uma maneira de deslocar o olhar para outros possíveis objetos de pesquisa. Esse campo busca, entre outras questões, perceber as intencionalidades envolvidas na produção, elaboração, confecção, distribuição e recepção de um impresso, compreendendo o livro como um artefato cultural, um objeto dotado de interferências culturais, políticas, econômicas, sociais e educacionais. Um conjunto de autores tem buscado entender os processos de produção e recepção dos impressos e das práticas de leitura. Darnton (1990) por meio do esquema denominado de circuito das Comunicações indica os sujeitos e as etapas envolvidas na elaboração de um livro e suas intencionalidades. Já Chartier (2002), problematizando as produções de sentidos de um texto, teoriza sobre os diferentes protocolos de leitura e os mecanismos de apropriação de um impresso. Afirma que o livro não se limita apenas ao seu texto/conteúdo é necessário compreendê- lo em sua materialidade: tamanho, forma, impressão, elementos gráficos e editoração. A possibilidade do diálogo entre as pesquisas na História da Educação Física e os pressupostos teórico-metodológicos da História dos Impressos tomam esses impressos como fonte e objeto. O desafio é de olharmos para esses livros “para além de sua transparência” (BATISTA & GALVÃO, 2009), para além do seu conteúdo/texto, abarcando as demais possibilidades de análise que esse campo de pesquisa instiga - como as intencionalidades de produção, distribuição, editoração e recepção dos impressos. Esse diálogo pode nos fazer olhar para esse objeto da cultura a partir de outras perspectivas, possibilitando produzir novos argumentos para o debate historiográfico da Educação Física. Como exemplos de investigações, duas pesquisas, ainda em andamento, abordam: (1) a obra História da Educação Física e dos Desportos no Brasil, de Inezil Penna Marinho, seu processo de manufatura e como sua narrativa informou e deu contornos para a história da educação física brasileira; (2) a análise da produção e do conteúdo dos Compendios de Gymnastica Escolar de Arthur Higgins, publicados entre 1896 e 1934.

Referências

BATISTA, Antônio Augusto Gomes, GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Livros escolares de leitura no Brasil: elementos para uma história. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2009.

CHARTIER, Roger. Os desafios da escrita. São Paulo: Ed. UNESP, 2002.

DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette: mídia, cultura e revolução. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

Fonte de financiamento: FAPEMIG – Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais.

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