Homens Bombados e Embalados: Masculinidades e Músicas Sobre Anabolizantes em Uma Academia de Ginástica

Por: e Jaqueline Ferreira.

Lecturas: Educación Física y Deportes - v.25 - n.267 - 2020

Send to Kindle


Resumo

O objetivo deste trabalho foi analisar músicas sobre anabolizantes em uma academia de ginástica. A partir de uma experiência etnográfica embasada no Interacionismo Simbólico, foi realizada observação participante no setor da musculação de uma pequena academia localizada em um bairro de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro durante um ano. Detectou-se que os frequentadores homens do estabelecimento valorizavam as músicas por fazerem alusão aos anabolizantes (“bombas”) tanto como um recurso desafiador dos riscos à saúde quanto pelo sucesso que teriam nas práticas corporais e na vida social, principalmente em relação às mulheres. Conclui-se que as músicas faziam parte de um sistema de representações dessas substâncias com certo ideal de masculinidade desse grupo social.

Referências

Andrade, V. K., & Pereira, C. M. (2017). Música popular brasileira e gênero: como se cantam as mulheres? Revista da Universidade Vale do Rio Verde, 15(1), p. 118-128. Recuperado de: http://dx.doi.org/10.5892/ruvrd.v15i1.4020

Barata, R. B. (2009). Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz.

Barland, B. (2005). The gym: place of bodily regimes-training, diet, and doping. Iron Game History: The Journal of Physical Culture, 8(4), p. 23-29. Recuperado de: https://www.starkcenter.org/igh/igh-v8/igh-v8-n4/igh0804f.pdf

Bauer, M. W. (2010). Análise de ruído e música como dados sociais. En M. W. Bauer, G. Gaskell (coord.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático (pp. 365-389). Petrópolis: Vozes.

Becker, H. (1996). A escola de Chicago. Mana, 2(2), p. 177-188. Recuperado de: https://dx.doi.org/10.1590/S0104-93131996000200008

Becker, H. (1997). Métodos de pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Hucitec.

Bridges, T., & Pascoe, C. J. (2014). Hybrid masculinities: new directions in the sociology of men and masculinities. Sociology Compass, 8(3), p. 246-258. Recuperado de: https://doi.org/10.1111/soc4.12134

Butler, J. (2010). Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Carrara, S., & Saggese, G. (2011). Masculinidades, violência e homofobia. En R. Gomes (coord.). Saúde do homem em debate (pp. 201-225). Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz.

Cesaro, H. L. (2012). Os “alquimistas” da vila: masculinidades e práticas corporais de hipertrofia numa academia de Porto Alegre. Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. Recuperado de: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/63155

Cicourel, A. (1980). Teoria e método em pesquisa de campo. En A. Zaluar (coord.). Desvendando máscaras sociais (pp. 87-121). São Paulo: Francisco Alves.

Connel, R. W. (1997). La organización social de la masculinidad. En T. Valdes, J. Olavarría (coord.). Masculinidad/es: poder y crisis (pp. 31-48). Santiago: ISIS-LACSO: Ediciones de las Mujeres.

Connel, R. W. (2006). Gender, men, and masculinities. Quality of human resources: disadvantaged people. Oxford: Unesco/EOLSS Publishers.

Connel, R. W. (2012). Masculinity research and global change. Masculinities and Social Change, 1(1), p. 4-18. Recuperado de: https://hipatiapress.com/hpjournals/index.php/mcs/article/view/157

Connel, R. W., & Messerschmidt, J. W. (2013). Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, 21(1), p. 241-282. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2013000100014

Conrado, M., & Ribeiro, A. A. M. (2017). Homem negro, negro homem: masculinidades e feminismo negro em debate. Revista Estudos Feministas, 25(1), p. 73-97. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/1806-9584.2017v25n1p73

Couto, M. T., & Gomes, R. (2012). Homens, saúde e políticas públicas: a equidade de gênero em questão. Ciência & Saúde Coletiva, 17(10), p. 2569-2578. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S1413-81232012001000002

Damico, J. G. S., & Meyer, D. E. E. (2010). Constituição de masculinidades juvenis em contextos “difíceis”: vivências de jovens de periferia na França. Cadernos Pagu, 34, p. 143-178. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0104-83332010000100007

Goffman, E. (1979). Gender advertisements. Nova York: Harper and Row.

Goffman, E. (2011). Ritual de interação: ensaios sobre o comportamento face a face. Petrópolis: Vozes.

Gomes, R., Granja, E. M. S., Honorato, E. J. S., & Riscado, J. L. S. (2014). Corpos masculinos no campo da saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 19(1), p. 165-172. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/1413-81232014191.0579

Hallal, P. C., & Knuth, A. G. (2011). Epidemiologia da atividade física e a aproximação necessária com as pesquisas qualitativas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 33(1), p. 181-192. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0101-32892011000100012

Iriart, J. A. B., Chaves, J. C., & Orleans, R. G. (2009). Culto ao corpo e uso de anabolizantes entre praticantes de musculação. Cadernos de Saúde Pública, 25(4), p. 773-782. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2009000400008

Kommers, M. J., Rodrigues, R. A. S., Gomes, G., Zavala, A. A. Z., Fett, W. C. R., & Fett, C. A. (2019). A música nas aulas de body combat™ melhora o estado de ânimo de adolescentes. Journal of Physical Education, 30, e3009. Recuperado de: https://doi.org/10.4025/jphyseduc.v30i1.3009

Le Breton, D. (2009). Condutas de risco: dos jogos de morte ao jogo de viver. Campinas: Autores Associados.

Lefkowich, M., Oliffe, J. L., Clarke, L. H, & Hannan-Leith, M. (2017). Male body practices: pitches, purchases, and performativities. American Journal of Men’s Health, 11(2), p. 454-463. Recuperado de: https://doi.org/10.1177/1557988316669042

Machado, E. P., & Fraga, A. B. (2017). Ratos de academia on-line: debates sobre musculação em um fórum virtual. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 25(1), p. 141-150. Recuperado de: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/7440

Maroun, K. (2008). O culto ao corpo em academias de ginástica: um estudo etnográfico na cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de mestrado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Recuperado de: http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UERJ_3f52efe6c728935e891f4525c709797e

Mauss, M. (1979). A expressão obrigatória dos sentimentos. En R. C. Oliveira (coord.). Mauss: Antropologia (pp. 147-153). São Paulo: Ática.

Mizrahi, M. (2018). “O Rio de Janeiro é uma terra de homens vaidosos”: mulheres, masculinidade e dinheiro junto ao funk carioca. Cadernos Pagu, 52, e185215. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/18094449201800520015

Monteiro, S., & Cecchetto, F. (2009). Cor, gênero e classe: dinâmicas da discriminação entre jovens de grupos populares cariocas. Cadernos Pagu, 32, p. 301-329. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0104-83332009000100010

Moutinho, L. (2014). Diferenças e desigualdades negociadas: raça, sexualidade e gênero em produções acadêmicas recentes. Cadernos Pagu, 42, p. 201-248. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/0104-8333201400420201

Oliveira, E., Couto, M. T., Separavich, M. A. A., & Luiz, O. C. (2020). Contribuição da interseccionalidade na compreensão da saúde-doença-cuidado de homens jovens em contextos de pobreza urbana. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 24, e180736. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/interface.180736

Oliveira, L. A., & Pereira, C. M. (2013). Tem mulher no samba: a representação da figura feminina nos sambas das décadas de 1940-50. Boletim de Pesquisa NELIC, 13(20), p. 125-145. Recuperado de: https://doi.org/10.5007/1984-784X.2013v13n20p125

Perera, E., & Gleyse, J. (2005). O doping ao longo do século XX na França: representações do puro, do impuro e do segredo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, 27(1), p. 55-74. Recuperado de: http://revista.cbce.org.br/index.php/RBCE/article/view/134/143

Pereira, E. G. B., & Silva, A. C. (2019). Educação Física, esporte e queer: sexualidades em movimento. Curitiba: Appris.

Rodrigues, N. S., & Coelho Filho, C. A. A. (2012). Influência da audição musical na prática de exercícios físicos por pessoas adultas. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 26(1), p. 87-95. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S1807-55092012000100009

Rohden, F. (2017). Vida saudável versus vida aprimorada: tecnologias biomédicas, processos de subjetivação e aprimoramento. Horizontes Antropológicos, 23(47), p. 29-60. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/s0104-71832017000100002

Sabino, C. (2004). O peso da forma: cotidiano e uso de drogas entre fisiculturistas. Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Recuperado de: https://docplayer.com.br/3094318-O-peso-da-forma-cotidiano-e-uso-de-drogas-entre-fisiculturistas-cesar-sabino.html

Santos, S. F., & Salles, A. D. (2009). Antropologia de uma academia de musculação: um olhar sobre o corpo e um espaço de representação social. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, 23(2), p. 87-102. Recuperado de: http://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/16713

Scott, J. (1995). Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, 20(2), p. 71-99. Recuperado de: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71721

Silva, A. C. (2014). “Limites” corporais e risco à saúde na musculação: etnografia comparativa entre duas academias de ginástica cariocas. Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Recuperado de: http://objdig.ufrj.br/96/teses/821812.pdf

Silva, A. C. (2017). Corpos no limite: suplementos alimentares e anabolizantes em academias de ginástica. Jundiaí: Paco Editorial.

Simões, J. A., França, I. L., & Macedo, M. (2010). Jeitos de corpo: cor/raça, gênero, sexualidade e sociabilidade juvenil no centro de São Paulo. Cadernos Pagu, 35, p. 37-78. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0104-83332010000200003

Souza, A. R., Silva, N. P. S., Sodré, A. S. F., Reis, J. G., Aquino, V. O. F., Oliveira, G. M. S., Pinto, L. S., Santana, T. S., & Pereira, A. (2019). Educação em saúde envolvendo homens frequentadores de academias de musculação. Lecturas: Educación Física Y Deportes, 24(253). Recuperado de: https://efdeportes.com/efdeportes/index.php/EFDeportes/article/view/808

Souza, R. (2010). Rapazes negros e socialização de gênero: sentidos e significados de “ser homem”. Cadernos Pagu, 34, p. 107-142. Recuperado de: https://doi.org/10.1590/S0104-83332010000100006

Souza, Y. R., & Silva, E. R. (2012). Análise temporal do efeito ergogênico da música assincrônica em exercício. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, 14(3), p. 305-312. Recuperado de: https://www.scielo.br/pdf/rbcdh/v14n3/07.pdf

Tramontano, L. (2018). “Otimizar o desempenho muscular e estético”: interseções de diagnósticos, sintomas e desejos no uso da testosterona como aprimoramento. Teoria e Cultura - Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, 13(1), p. 108-125. Recuperado de: https://doi.org/10.34019/2318-101X.2018.v13.12379

Turato, E. R. (2011). Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. Petrópolis: Vozes.

Velho, G. (1994). Sobre homens marginais. Anuário Antropológico, p. 69-74. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.

Wacquant, L. (2002). Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de boxe. Rio de Janeiro: Relume Dumará.

Wagner, P. E. (2016). Picture perfect bodies: visualizing hegemonic masculinities produced for/by male fitness spaces. International Journal of Men’s Health, 15(3), p. 235-258. Recuperado de: https://people.southwestern.edu/~bednarb/methods/articles/wagner.pdf

Endereço: https://www.efdeportes.com/efdeportes/index.php/EFDeportes/article/view/2099

Comentários


:-)





© 1996-2021 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.