Homens Que Dançam: Um Espetáculo Para Além dos Palcos

Por: Demerson Godinho Maciel.

2017 17/04/2017

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Resumo

A cortina se abre expondo um grande espetáculo, no qual as diversas esferas de trabalho confluem para a realização da apresentação, e no qual são estabelecidas percepções e dinâmicas diferentes em cada um de seus ambientes - plateia, palco, coxias e bastidores -. Apesar de não se saber ao certo quando o homem começou a dançar, ao investigar o mundo da dança em diferentes momentos e espaços, percebe-se que o seu aparecimento nessa prática corporal é tão antigo quanto o surgimento da prática no início da história da humanidade. Diversas são as afirmativas referentes aos homens que dançam, sendo esse um assunto complexo e de proporções quase ilimitadas por possibilitar diversos campos de análise acerca das experiências por eles vivenciadas. O preconceito, reconhecido como conhecimento científico autônomo estudado pela psicologia social, se faz uma constante no cotidiano desses indivíduos, portanto, para que se tenha uma visão holística sobre preconceito, é necessário que se compreenda sua origem, pois apenas a partir dela pode-se identificar os padrões de propagação a nível social e os aspectos psico-cognitivos contribuintes, e então elaborar intervenções coerentes e consistentes. Objetivando, então, identificar os estereótipos, preconceitos e discriminações referentes a participação masculina no universo da dança, sob a perspectiva dos bailarinos, no intuito de compreender as representações sociais de uma específica companhia de dança profissional de Brasília/DF, esse estudo - através de uma abordagem qualiquantitativa, de natureza aplicada, caráter exploratória e descritiva, pautada na pesquisa de representação Social, dentro de um estudo de caso - investiga bailarinos atuantes em Brasília/DF e, utilizando-se da análise de conteúdos e do software IRAMUTEQ, propõe reflexões acerca da dinâmica social por eles vivenciada. Conclui-se, sob a perspectiva dos homens que dançam acerca das representações sociais em torno desse tema, que pode-se constatar a existência de palavras associadas livremente aos bailarinos: “Viado, Sensível” são estereótipos mais frequentemente associados negativamente a eles; por outro lado, “Artista, Entrega”, mesmo que com entendimentos distorcidos, têm caráter mais positivo; e “Corajoso, Forte” podem ser classificadas como neutras, entretanto, no discurso dos bailarinos, serem implementadas como atitudes de enfrentamento às discriminações por eles vivenciadas. Notase, também, que o principal motivo para dançar, relatado pelos bailarinos pesquisados, é a sensação de liberdade de poder se desvencilhar de uma realidade muitas vezes marcada por preconceitos que inviabilizam a livre movimentação/expressão e que incitam padrões de comportamentos para diversificados grupos, tornando quaisquer desvios motivo para desaprovação e, consequentemente, discriminação.

Endereço: https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/tede/2129

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