Humor, Estresse e Perfil Nutricional de Atletas de Alto Nível de Vela em Competição Pré-olímpica

Por: Luciana Segato.

2009

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Resumo

O estudo teve por objetivo investigar a relação entre perfil nutricional, estados de humor e estresse de atletas de vela em competição. A partir de uma pesquisa descritiva de campo, do tipo correlacional transversal, participaram do estudo 31 velejadores de alto nível esportivo que competiram na Pré-olímpica de vela, selecionados de maneira não-probabilística intencional. Os atletas responderam o Questionário de Caracterização do Atleta, a Escala Brasileira de Humor (ROLFHS, 2006), a Escala de Estresse Percebido (COHEN e WILLIAMSON, 1988), o Recordatório de 24 horas e o Questionário de Freqüência de Consumo Alimentar antes ou depois das regatas. Os dados foram analisados através de estatística descritiva e inferencial (Correlação de Pearson e Spearman, Teste t e U de Mann-Whitney). Os resultados indicaram que os velejadores são atletas jovens, de alto nível de rendimento esportivo e elevado grau de instrução, que possuem uma boa auto-avaliação de saúde, qualidade de sono e descanso. Foi verificado um consumo alimentar em competição baixo em calorias e carboidratos, mas adequado em proteínas e lipídios. O perfil de humor dos velejadores mostrou elevados níveis de depressão, raiva e fadiga e baixos de vigor tanto em atletas avaliados antes, quanto após as regatas. O consumo lipídico foi correlacionado aos níveis de raiva antes das regatas, e à fadiga depois das regatas, em velejadores de classes com dois tripulantes. Também se observou correlação positiva entre o consumo de carboidrato e os níveis de fadiga, e inversa entre o consumo protéico e tensão, depressão e raiva depois das regatas. Os níveis de estresse apresentado pelos atletas variaram de baixo a moderado, sendo estes oriundos de fontes intrínsecas ao ambiente competitivo (problemas com o barco, desorganização da equipe) e extrínsecas (estudo, conciliar o trabalho com a vela, problemas familiares e financeiros). Depois das regatas, os níveis de estresse foram relacionados inversamente ao consumo protéico e, em velejadores de classes individuais, ao consumo de calorias e de carboidrato. Os atletas referem possuir um bom controle do estresse utilizando estratégias cognitivas (isolar-se) e somáticas (escutar música, descansar/dormir, conversar com os amigos) em competição. Entre as variáveis psicológicas, o estresse foi correlacionado à depressão e à raiva, antes e depois das regatas, e inversamente ao vigor. Estes resultados apóiam a hipótese de que existe relação significativa entre o perfil nutricional, estados de humor e estresse de atletas da vela em competição.

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