Imagens e Homenagem: Valter Bracht

Por: Felipe Quintão de Almeida.

Motrivivência - v.25 - n.40 - 2013

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Valter Bracht é natural da cidade de Toledo, no interior do Paraná. Sua primeira opção no ensino superior foi a Geologia. Após alguns poucos semestres, abandona essa formação em favor da Educação Física, troca essa motivada por seu interesse esportivo. Ingressa, em 1976, na Licenciatura em Educação Física da antiga Escola de Educação Física e Esporte do Paraná (Curitiba), instituição que, ainda durante sua formação inicial, seria incorporada à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Termina a graduação ao final de 1979. Ainda na condição de estudante de Educação Física, atuava no SESC de Curitiba. Ao término da graduação, realiza uma especialização em Treinamento Desportivo (“A importância da capacidade anaeróbia para o jogador de basquetebol” foi o título do trabalho final). A opção por essa área de estudo, já nesta época, convivia com um crescente interesse pelos assuntos mais “filosóficos e sociológicos”. Em 1981, com o término da especialização, inicia sua carreira como docente do Ensino Superior. O destino é a Universidade Estadual de Maringá (UEM), onde lecionaria pelos 12 anos (1981-1993) seguintes. É também em 1982 que começa, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o mestrado em Educação Física, sob a orientação de Maria Augusta Salin Gonçalves, defendendo sua dissertação em 1983, com o título “A educação física escolar como campo de vivência social e de formação de atitudes favoráveis à prática do desporto”. A essa “altura” de sua carreira, estava cada vez mais convencido de que sua inserção no campo dar-se-ia a partir das “humanidades”. Foi ainda no mestrado que conheceu os escritos de Bero Rigauer, um Valter Bracht dos principais nomes da chamada Teoria Crítica do Esporte. O interesse de Valter Bracht pelo tema se concretizou com sua ida, em 1986, para a Universidade de Oldenburg, na Alemanha. Sob a orientação de Rigauer, defendeu a tese de doutorado, não publicada no português, “Sport und Politik in Brasilien” (1990). Ao retornar da Alemanha, permaneceu na UEM até 1993, quando é aprovado em concurso público para professor Titular da UFSM. Na UFSM permaneceu até 1995, sendo é transferido, na condição de professor Titular, para a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), instituição em que leciona até os dias atuais.

Nessa trajetória, merece destaque a inserção de Valter Bracht no âmbito do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE), principal entidade científica da Educação Física brasileira. Envolvido com a instituição desde os anos 1980, assumiu diversos cargos em sua estrutura de gestão, sendo o mais importante deles a Presidência, posto ocupado por dois mandatos, entre 1991 e 1995. Na UFES, criou o Laboratório de Estudos em Educação Física (LESEF), em 1996. A fundação do grupo é manifestação de um desejo “antigo” de nosso homenageado: a produção de conhecimento (numa perspectiva multidisciplinar) com o objetivo de se construir uma teoria pedagógica para a Educação Física em nosso País. Ainda na UFES, foi coordenador, entre 2006 e 2009, do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEF) e diretor do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD), entre 2006 e 2010.

Em mais de 30 anos de carreira, Valter Bracht publicou vários livros, muitos artigos, orientou/formou muitos alunos e realizou inúmeras intervenções Brasil afora. Enfrentou temas diversos e levou muito a sério o imperativo de qualificar a produção científica da área sem perder de vista seus impactos na prática pedagógica, razão de ser, para ele, da própria Educação Física. A preocupação com a legitimidade da Educação Física escolar, aliás, é uma marca de sua produção e expressão do seu compromisso com a escola pública. Em retrospectiva, sua trajetória nos mostra que “foi” para a Filosofia e para a Sociologia, mas nunca nelas “ficou”, pois fez a opção (política) pelo campo da Educação Física.

De suas publicações, destacamos duas, pois elas expressam os próprios interesses de pesquisa de nosso homenageado. Estamos nos referindo à sua co-autoria no livro “Metodologia do Ensino da Educação Física”, mais conhecido como Coletivo de Autores (1992), e “Educação física e ciência: cenas de um casamento (in)feliz” (1999). O reconhecimento obtido ultrapassou as fronteiras nacionais e chegou até os Países de língua espanhola, especialmente na vizinha Argentina, onde Valter Bracht é bastante lido e respeitado. Expressão disso é a tradução e publicação de dois livros em espanhol: “Educación fisica y aprendizaje social/Educación fisica/ciencia del deporte: que ciencia es esa?” e “La educación física en Argentina y en Brasil: identidad, desafios y perspectivas”, este escrito na companhia de um colega argentino (ambos também publicados em português).

Essa trajetória de muito trabalho e dedicação à Educação Física fez de Valter Bracht, sem dúvida, um dos intelectuais mais lidos e comentados da área em território nacional. A homenagem prestada pela Ano XXV, n° 40, junho/2013 209 revista “Motrivivência”, portanto, é expressão do justo reconhecimento acadêmico a um intelectual que contribuiu, de maneira decisiva e inflexora, para a (re)construção do campo acadêmico e da Educação Física escolar nestes últimos 20 anos. Por tudo isso, só nos resta desejar vida longa ao professor Valter Bracht!

Vitória/ES, junho/2013.

Felipe Quintão de Almeida
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Laboratório de Estudos em Educação Física (LESEF)

Endereço: https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/issue/view/2009/showToc

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