Indicadores Biomecânicos do Karate de Alto Nível

Por: Márcio Fagundes Goethel.

80 páginas. 2015 04/12/2015

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Resumo

O Karatê é um esporte amplamente praticado ao redor do mundo, com seu número de praticantes em constante crescimento. Suas técnicas implicam em movimentos complexos de membros inferiores e superiores e que exigem do executante velocidade, agilidade, técnica, precisão e eficiente tomada de decisão. Devido a expansão no número de praticantes e de competições com exigência de nível técnico cada vez maior, seus praticantes assim como seus preparadores físicos e técnicos têm manifestado a necessidade de suporte científico na mesma proporção. Diante disto, o objetivo geral deste estudo é de determinar quais indicadores biomecânicos diferenciam o desempenho de atletas de diferentes níveis competitivos no Karatê durante a realização dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri. Para tanto, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos: (1) analisar parâmetros dinamométricos durante a flexão e extensão isométrica e isocinética das articulações do ombro, cotovelo, joelho e quadril de atletas de diferentes níveis competitivos no karatê; (2) analisar parâmetros temporais da execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis competitivos no karatê; (3) analisar parâmetros dinâmicos na execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis de experiência no karatê; (4) analisar parâmetros coordenativos da execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri e sua variabilidade em atletas de diferentes níveis de experiência no karatê; (5) analisar o relacionamento de parâmetros eletromiográficos de músculos envolvidos na execução dos golpes Gyaku Tsuki e Mae Geri em atletas de diferentes níveis competitivos no karatê. Para cada objetivo proposto é apresentado um artigo, nos quais foram avaliados 14 voluntários do gênero masculino, faixa etária de 18 a 35 anos, praticantes competitivos de Karatê, Faixas Pretas, divididos em 2 subgrupos: Grupo Elite (GE), 07 indivíduos competidores à nível nacional ou internacional; e Grupo Sub-elite (GSE), 07 indivíduos competidores à nível regional ou estadual. Durante o protocolo experimental deste estudo os atletas realizaram um avaliação dinamométrica de contrações concêntricas, isométricas e isocinéticas (60 °/s), dos movimentos de flexão e extensão, das articulações do Ombro, Cotovelo, Quadril e Joelho. Após, foi realizada a avaliação dos golpes onde foram mensuradas variáveis cinéticas, cinemáticas e eletromiográficas (EMG) durante a execução de 5 tentativas de cada golpe. Os músculos analisados pela EMG durante a execução do Gyaku Tsuki foram: Deltóide Anterior (DA), Deltóide Posterior (DP), Bíceps Braquial (BB) e Tríceps Braquial (TB). Já durante a execução do Mae Geri, os músculos foram: Tensor da Fáscia Lata (TFL), Glúteo Máximo (GM), Bíceps da Coxa “Cabeça Longa” (BCcl) e Reto da Coxa (RC). Os resultados provenientes da avaliação dinamométrica não apontaram diferenças significativas entre os grupos, demonstrando similaridade nos parâmetros de produção de força. No que diz respeito às variáveis temporais, o grupo Elite se mostrou mais eficiente em ambas as técnicas, reagindo mais rapidamente, bem como desempenhando o golpe em menor tempo. O grupo Elite também se destacou em sua estratégia de propulsão ao alvo em ambas as técnicas, produzindo uma maior taxa de produção de carga contra o solo quando comparado ao Sub-elite. Dentre os parâmetros provenientes da análise cinemática avaliada durante execução dos golpes, variáveis de potência desempenhadas pelas articulações proximais e distais envolvidas em ambas as técnicas também demonstram superioridade do grupo Elite. O grupo Elite se mostrou significativamente superior na performance final de ambas as técnicas, sendo que a mesma foi apontada através da velocidade linear do segmento que atinge o alvo. Indicadores de coordenação intrasegmentos foram apontados como diferentes entre os grupos, assinalando maior capacidade coordenativa e menor variabilidade para o grupo de maior nível competitivo. Também foram apontadas diferenças significativas na utilização do mecanismo de cocontração para frenagem do movimento, apontada entre os músculos TB e BB durante a fase de desaceleração do Gyaku Tsuki, onde o grupo Elite utiliza uma maior ativação da musculatura antagonista nesta fase do golpe, gerando um maior índice de cocontração. Durante a execução do Mae Geri não foram encontradas tais diferenças. Diante aos achados no presente estudo foi possível concluir que apesar do gesto técnico não diferir entre os grupos, os atletas de Elite possuem um maior refinamento técnico e capacidades neuromusculares mais desenvolvidas. Também, que a performance final do golpe é proveniente principalmente de aspectos coordenativos entre os segmentos envolvidos no desempenho da técnica. Finalmente, concluímos que os indicadores biomecânicos apontados neste estudo tem substancial importância para técnicos e atletas, por serem capazes de categorizar atletas de Karatê segundo seu nível de desempenho, bem como, servir de ferramenta de acompanhamento dos resultados de treinamento.

Endereço: http://hdl.handle.net/11449/134161

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