Indicadores de Qualidade de Vida em Mulheres Idosas

Por: Eneida Maria Troller Conte.

Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano - v.7 - n.2 - 2005

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Resumo

A qualidade de vida de idosos tem sido foco de muitos estudos e pesquisas nas últimas décadas. No Oeste do Estado do Paraná, existem iniciativas na realização de programas de atendimento ao idoso com atividades diversificadas, porém são inexistentes pesquisas sobre os resultados dessas atividades de extensão e sua influência sobre a qualidade de vida de pessoas idosas. Neste sentido, este estudo objetivou analisar indicadores da qualidade de vida (domínios físico, psicológico, social e ambiental) e, associá-los ao nível de atividade física habitual de mulheres idosas participantes dos Grupos de Convivência de Idosos do Município de Marechal Cândido Rondon, PR. A amostra foi composta de 320 mulheres com idade igual ou superior a 60 anos. A seleção da amostra foi dentre as mulheres dos 14 grupos, que voluntariamente aceitaram participar como sujeitos da pesquisa. Para a coleta de dados utilizou-se uma entrevista estruturada contendo 3 (três) partes: (1) aspectos sócio-demográficos e classificação sócio-econômica; (2) qualidade de vida (WHOQOL-breve da Organização Mundial de Saúde - OMS) e (3) nível de atividade física (IPAQversão curta, da Organização Mundial de Saúde). Os dados foram tabulados no pacote estatístico SPSS 10.0. Na análise dos resultados utilizou-se a distribuição em freqüências e percentuais, o teste de associação de Qui-quadrado, considerando o nível de significância p<0,05 e a análise multivariada de Cluster (Método de Ward). Os resultados demonstraram que 50,0% de mulheres estavam na faixa etária de 60 a 65 anos; 50,3% eram casadas; 78,8% eram de descendência alemã; 79,4% possuíam o ensino fundamental (1ª a 4ª série) e 79,1% eram de nível socioeconômico C. Na caracterização dos subdomínios do domínio físico, 60,0% responderam não sentir dor ou desconforto; 67,8% declararam que tinham bastante energia; 70,0% estavam satisfeitas com o sono; 88,5% estavam satisfeitas com sua

mobilidade; 84,4% estavam satisfeitas com o desempenho de atividades do dia-a-dia. Na caracterização do domínio psicológico, 94,3% estavam bastante satisfeitas consigo mesma; 66,0% estavam satisfeitas com a capacidade de memória e concentração; 85,9% estavam satisfeitas com a aparência física; 90,6% possuíam bastante percepção do sentido da vida e 88,4% responderam que nunca experimentavam sentimentos negativos. Na caracterização do domínio social, 96,8% estavam muito satisfeitas com as relações pessoais; 94,0% estavam satisfeitas com o apoio dos amigos e parentes; 42,8% estavam satisfeitas com a vida sexual e 68,7% aproveitavam bastante a vida. Na caracterização do domínio ambiental, 71,5% estavam satisfeitas com a segurança física; 76,8% estavam satisfeitas com o ambiente físico; 92,5% estavam satisfeitas com a moradia; 80,3% estavam satisfeitas com o acesso aos serviços de saúde; 40,0% possuíam recursos financeiros suficientes para as necessidades básicas; 59,6% possuíam bastante oportunidade de informações e 82,8% estavam satisfeitas com o meio de transporte. Na associação do nível de atividade física e os subdomínios da qualidade de vida; o domínio físico apresentou-se associado positivamente ao nível de atividade física (NAF), as mulheres ativas sentiam menos dor e desconforto, mais energia para o dia-a-dia; maior satisfação com o sono, maior capacidade de locomoção; maior satisfação com o desempenho de atividades, maior satisfação com a capacidade de trabalho e menos necessidade de tratamento médico. No domínio psicológico, os subdomínios satisfação com a capacidade de memória e concentração, e a satisfação pessoal estavam associados ao NAF. No domínio social, o subdomínio que apresentou associação com o NAF foi a satisfação com o apoio recebido dos amigos e parentes. No domínio ambiental, os ubdomínios que se associaram com o NAF foram a satisfação com o acesso aos serviços de saúde, as oportunidades de adquirir informações, as oportunidades de lazer e a satisfação com o meio de transporte. Tanto a avaliação da qualidade de vida, e a percepção de saúde, foram mais positivas nas mulheres ativas. Os dois subdomínios mostraram-se associados ao NAF. Constatou-se que entre os subdomínios que apresentaram “forte hierarquia” de agrupamento estavam: a satisfação com os relacionamentos pessoais, a satisfação pessoal e o apoio recebido dos parentes e amigos; a satisfação pessoal e o sentido da vida; a satisfação com a capacidade de trabalho e o desempenho de atividade do dia-a-dia, estavam ligados com a energia para o dia-a-dia. Com “média força de hierarquia” de agrupamento estavam os subdomínios de acesso aos serviços de saúde apresentou-se ligado com a capacidade de concentração e a segurança na vida diária; as oportunidades de lazer e a renda suficiente estavam ligadas ao acesso de obter informações do dia-a-dia; a renda suficiente para as necessidades estava ligada a percepção de quanto aproveitavam a vida (sentimento positivo). Com “fraca hierarquia” de agrupamento estavam os subdomínios, satisfação com o sono e a satisfação com a vida sexual; a dor funcional e a necessidade de tratamento médico, que estavam dissociados dos demais grupos de subdomínios.

Endereço: https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/3806

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