índice de Massa Corporal: Um Questionamento Científico Baseado em Evidência

Por: Djalma Rabelo Ricardo.

123 páginas. 2001

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Resumo

Desde a proposição inicial de Quételet no século XIX, o índice de massa corporal (IMC), calculado como uma relação entre o peso e a altura, respectivamente apresentados em Kg e m2, tem sido utilizado em mais de seis mil publicações, de natureza clínica e/ou epidemiológica, indexadas no MEDLINE desde 1994. Essa ampla aceitabilidade é provalvemente decorrente da simplicidade na obtenção das medidas e do cálculo do índice e da validade clínico-epidemiológica, já que valores extremos de IMC têm sido associados a índices mais elevados de morbimortalidade em diferentes populações. Contudo, parece haver dados suficientes apontando importantes limitações conceituais e práticas no uso atual desse método, incluindo a lógica matemática, pontos de corte de normalidade e robustez para dados extremos. O objetivo principal dessa dissertação foi o de criticar o IMC e propor novas alternativas baseadas em evidências para relacionar peso e altura que eliminem ou reduzam as limitações do IMC assim como verificar a influência do excesso de peso corporal sobre aspectos do desempenho motor em adultos. Para tanto, foram utilizados três bancos de dados distintos: 1) de curvas de crescimento de crianças e adolescentes do Brasil, Estados Unidos e Suíça; 2) de 538 universitários; 3) de 461 adultos avaliados na CLINIMEX entre 1998 e 2000. Foram ainda realizadas simulações matemáticas com dados de altura entre 115 e 190 cm e de peso corporal entre 25 e 105 Kg. Utilizamos três métodos distintos de análise da relação peso/altura: IMC – peso (Kg)/altura2 (m), recíproco do índice ponderal (RIP) – altura (cm)/peso1/3 (Kg) e a ectomorfia (ECTO), terceiro componente do somatotipo de Heath-Carter, esse último adimensional. Utilizando a faixa de normalidade de 20 a 25 Kg/m2 para o IMC na altura de referência de 170 cm, identificaram-se as faixas correspondentes de 41 a 44 cm/Kg1/3 para o RIP e 1,45 a 3,60 para a ECTO. As simulações com vários pesos para essa altura apresentaram uma forte associação (r > 0,97; p < 0,001) entre o IMC e o RIP e a ECTO. Contudo, há uma tendência à discrepância nas faixas de normalidade, que já pode ser observada nos valores de 165 e 175 cm, inviabilizando a conversibilidade direta entre esses índices. Aplicando-se os pontos de corte para os dados de dados, verificou-se que tanto o RIP quanto a ECTO contemplavam uma faixa etária maior com percentis 50 para altura e peso em crianças e adolescentes e uma faixa mais central e ampla das amostras universitárias dos dois sexos. Em adendo, o RIP e a ECTO refletiam melhor a faixa de peso desejado dos universitários e foram mais resistentes às simulações matemáticas para diferentes alturas extremas. O excesso de peso avaliado pelos três métodos discriminaram somente as mulheres adultas nas ações de sentar e levantar do solo, sem a utilização de apoios e/ou desequilíbrios perceptíveis. Concluímos que, apesar da ampla literatura com IMC, a análise da linearidade relativa, utilizando as mesmas medidas de altura e peso corporal, através do cálculo do RIP ou da ECTO, apresenta maior robustez, melhor lógica matemática e podem ser aplicados, com os mesmos pontos de corte, a aprtir dos 5,5 anos de idade.

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