Influência da Atividade Física no Desenvolvimento Motor de Crianças

Por: Sebastião Iberes Lopes Melo.

58 Reunião Anual da SBPC

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INTRODUÇÃO:

Os atuais estudos na área de desenvolvimento motores têm sido influenciados pela perspectiva ambiental a partir do surgimento de teorias da psicologia e desenvolvimento humano, como Vygotsky e Bronfenbrenner. Essa nova visão propõe conceituar o desenvolvimento motor como "a alteração contínua no comportamento motor ao longo da vida, realizada pela interação entre as exigências da tarefa e a biologia do indivíduo e as condições do ambiente" (GALLAHUE e OZMUN, 2001, p.28). Isso porque experiências e resultados de inúmeras investigações têm demonstrado que em certos períodos da vida o indivíduo não pode atingir o aperfeiçoamento de suas capacidades se não for sujeito a estímulos através de variadas formas de atividade. Assim, a criança, física e cognitivamente normal, progride seqüencialmente de um estágio a outro, influenciada pela maturação e pela experiência. Tal seqüência de progressão ao longo dos estágios inicial, elementar e maduro é a mesma para a maioria das crianças, porém, o ritmo em que as mudanças ocorrem varia entre as crianças tanto pela influência ambiental quanto pela oportunização à prática, diferindo de uma tarefa motora para outra (GALLAHUE e OZMUN, 2003). Com base nas considerações anteriores, realizou-se este estudo com objetivo analisar a influência das atividades físicas formais e informais sobre o desenvolvimento motor de crianças com idade entre 4 e 12 anos para a tarefa motora do salto vertical.


METODOLOGIA:

Após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da UDESC, foi realizado este estudo descritivo com a participação de 59 crianças pertencentes à rede de ensino público da cidade de Florianópolis-SC, selecionadas de forma aleatória simples, a partir de listagem fornecida pela escola. Diante do consentimento dos pais e das escolas, foram marcadas as coletas que ocorreram no Laboratório de Biomecânica da UDESC. Os instrumentos utilizados foram: uma câmera de vídeo (HSC-180) da Peak Performance System para a aquisição das imagens, a uma freqüência de 60 Hz, a matriz analítica para a classificação do salto vertical proposta por Gallahue (1989) e um questionário sobre a realização de atividades extraclasse formal ou não-formal. O questionário foi previamente preenchido pelos pais e, no dia da coleta dos dados cinemáticos, após identificação e adaptação, as crianças executaram três saltos verticais. Em seguida, através da observação das imagens as crianças foram classificadas seguindo com base nos critérios dispostos na matriz de Gallahue (1989). As respostas dos questionários foram categorizadas através da técnica de análise de conteúdo, aplicando-se então a estatística descritiva.


RESULTADOS:

A partir dos resultados constatou-se que: a) todas as crianças responderam praticar educação física orientada na escola e destas 53 responderam não praticaram atividade extraclasse; b) que as crianças além de executarem atividades extraclasse orientadas como natação, ballet e futebol também realizam atividades sem orientação profissional. Na comparação entre os estágios, verificou-se um maior índice (93,75%) de que as crianças do estágio inicial que responderam praticar atividades sem orientação seguidas pelas dos estágios elementar (89,65%) e maduro (85,71%); d) nenhuma criança do inicial e 27,59% do elementar praticavam atividade física extra-classe orientada, entretanto, no estágio maduro 42,86% das crianças praticavam alguma atividade formal, indo ao encontro de outros estudos da literatura. Estes dados sugerem que, à medida que as crianças passam a praticar atividades físicas extraclasse orientadas atingem estágios motores mais avançados. Dentre as atividades físicas extraclasse informais - subir em árvores, roller-patins-skate, andar de bicicleta e outros jogos e brincadeiras de rua - verificou-se maior preferência para os jogos e brincadeiras de rua e pelo andar de bicicleta pelas crianças de todos os estágios maturacionais.


CONCLUSÕES:

Considerando-se o referencial teórico e os resultados obtidos nesse estudo, pode-se concluir que, embora essas crianças tenham um certo nível de atividade é preciso identificar como são desenvolvidas essas atividades e analisar quais os aspectos que realmente interferem na classificação do estágio de desenvolvimento motor. Admite-se que, apesar de ter sido analisada a tarefa motora do salto vertical, que é um movimento complexo, foi encontrado muitas crianças em estágios maturacionais anteriores ao correspondente às suas idades cronológicas. É possível que seja explicado pelo baixo nível de participação e interesse nas aulas de educação física. Entretanto, deve-se considerar, também, os aspectos biológicos e a individualidade das crianças. Nesse contexto, cabe ao profissional de educação física identificar e avaliar as dificuldades motoras de seus alunos a fim de criar um ambiente que crie oportunidades à experimentação das mais variadas atividades e exercícios que servirão de estímulo para um bom desempenho motor.

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