Influência do Nível de Atividade Física na Composição Corporal e Gasto Energético em Pacientes Submetidos à Cirurgia Bariátrica

Por: Luzia Jaeger Hintze.

227 páginas. 2012 05/07/2012

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Resumo

Resumo: A cirurgia bariátrica (CB) é um método de tratamento da obesidade severa que vem recebendo destaque nos últimos anos principalmente por dois fatores: aumento dos casos de obesidade e obesidade extrema e por ter se mostrado como boa possibilidade de tratamento, principalmente para pacientes que necessitam grandes perdas de peso. Uma das principais vantagens desse método é a acentuada perda de peso, a manutenção desse quadro a médio e longo prazo e resolução de comorbidades. Entretanto, no Brasil, há carência de estudos sobre as repercussões desse procedimento sobre a composição corporal e taxa metabólica de repouso desses pacientes. Além disso, pouco se sabe da influência do nível de atividade física na diminuição da gordura abdominal visceral (GAV), prevalência da obesidade sarcopênica e gasto energético em pacientes submetidos à CB. Nesse sentido o estudo teve como objetivo: analisar a influência do nível de atividade física (NAF) na GAV, prevalência de obesidade sarcopênica e gasto energético em pacientes submetidos à CB e em um grupo equivalente não operado. Métodos: Foram avaliados 91 sujeitos, sendo estes divididos em dois grupos: G1 - Grupo Operado (n=50) e G2 -Grupo Não-operado (n=41). O primeiro grupo foi constituído por pacientes submetidos às técnicas mistas (Fobi-Capella e Bypass Gástrico) e o segundo grupo foi selecionado por conveniência seguindo a busca de equivalência pelo gênero, faixa etária, e faixa de IMC atuais. Considerando somente os sujeitos operados, foram categorizados em dois grupos de acordo com o tempo de CB: a) operados entre 36 e 96 meses; b) operados há mais de 97 meses. Foram realizadas avaliações antropométricas (peso, estatura, circunferência de cintura e quadril), de composição corporal por meio da DXA, do nível de AF no trabalho e no lazer (questionário proposto por Larsson et al., 2004 - validado para indivíduos com diferentes faixas de IMC) e da TMB por meio do analisador de gases metabólicos VO2000. Com os resultados da avaliação da composição corporal pelo DXA, foram calculados: a prevalência de obesidade sarcopênia entre os sujeitos utilizando-se dos critérios propostos por Oliveira et al. (2011) e a estimativa da gordura abdominal visceral foi feita segundo a proposta de Kaul et al. (2012). Todas as avaliações foram realizados no Núcleo de Estudos Multiprofissional da Obesidade (NEMO) da Universidade Estadual de Maringá. As análises estatísticas envolveram medidas de tendência central e dispersão. A estatística inferencial foi realizada mediante os testes de normalidade, a partir dos quais foram definidos os procedimentos paramétricos ou não paramétricos apropriados. Foram aplicados os teste t de Student para amostras independentes e o teste não-paramétrico de Mann-Whitney para testar a hipótese nula (H0) de que não havia diferença significativa entre os grupos, para as variáveis antropométricas, composição corporal, ventilatórias e de gasto energético. Ainda foram utilizados os testes Qui-Quadrado e Exato de Fisher a fim de verificar se havia associação entre as variáveis categóricas do estudo e para analisar a magnitude dessas associações, foi utilizada a Regressão de Poisson com ajuste robusto das variâncias. A significância estatística foi fixada em p<0,05 para todos os testes. Resultados: Não foram verificadas diferenças significativas nas variáveis antropométricas, de composição corporal e gasto energético quando comparados os grupos G1 e G2. Na comparação entre os grupos operados há 36 e 96 meses e há mais de 97 meses, foram verificadas diferenças nas variáveis antropométricas, gordura corporal e obesidade sarcopênica. Foi verificado que os pacientes operados há 97 meses ou mais apresentaram 1,28 (IC 95% 1,08 - 1,51; DP 0,108) chances de terem obesidade sarcopênica em relação ao grupo operado a menos tempo. Não foram verificadas associações entre nível de AF e obesidade sarcopênica e nível de AF e classificação do %G. No entanto, foram verificadas diferenças nas variáveis antropométricas e de composição corporal comparando o grupo ativo com o grupo não ativo. Os resultados do estudo permitem considerar que a CB tem um importante papel no tratamento do excesso de peso, sendo que os indicadores de composição corporal não apresentaram diferenças quando comparadas aos resultados de um grupo equivalente não operado. Os dados apresentados indicam que além da idade outros fatores devem interferir na perda de massa magra e aparecimento da Obesidade Sarcopênica, como a CB e o tempo de cirurgia. Além disso, os resultados apontam que a CB não foi suficiente para alterar o comportamento relacionado ao nível de AF nos pacientes.

Endereço: http://nou-rau.uem.br/nou-rau/document/?code=vtls000199911

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