Influências do Exercício Crônico na Resposta Imune de Mulheres com Diferentes Aptidões Físicas

Por: Diego Trevisan Brunelli.

III Congresso de Ciência do Desporto

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Introdução: A inatividade física (sedentarismo) vem sendo reconhecida como fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis e na pré-disposição a infecções de vias aéreas superiores (IVAS). A prática regular de exercícios físicos (mínimo 30 minutos ao dia/3 a 5 vezes por semana) tende a promover benefícios na saúde e qualidade de vida dos praticantes. Vários estudos evidenciam melhoras nas capacidades de defesa do sistema imunológico e diminuições na susceptibilidade a IVAS decorrentes da prática regular e moderada de exercícios.

Objetivo: Investigar as respostas imunológicas e os episódios de IVAS durante 28 semanas em mulheres com diferentes níveis de aptidão física. Metodologia: Participaram do estudo 24 mulheres (18 - 28 anos), sendo 12 ativas praticantes de voleibol recreacional (GVR) e 12 sedentárias (Grupo C). O programa de treinamento (GVR) foi composto de habilidades específicas do voleibol (realizado 3 dias/semana com aproximadamente 4,5h semanais), aplicado pelo responsável da equipe. Para a caracterização do sedentarismo aplicou-se o questionário internacional de atividade física (IPAQ) versão curta. Com relação às IVAS, foram aplicados recordatórios semanais específicos relatando as incidências (coriza, resfriado, gripe, dor de garganta, otite, febre e outros) da semana anterior. As amostras de sangue (5 mL) foram obtidas por punção venosa em tubos a vácuo ao início do estudo (M1), após 14 semanas (M2) e após 28 semanas (M3). Procedeu-se a leucometria em câmara de Newbauer e o leucograma pela técnica do esfregaço sanguíneo, utilizando microscópio óptico de luz, expressando os resultados em células/mm3. Para comparação das variáveis de cada grupo, foi realizado o teste t para dados pareados. Para comparação das variáveis entre os grupos, foi realizada a análise de variância (p ≤ 0,05). O projeto foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da UNIMEP (Parecer nº 37/08), tendo o apoio dos programas PIBIC/CNPq.

Resultados: Foram observados: aumento na leucometria do CG em M3 comparado a M2 e M1 (M1= 9566,66  425,30; M2= 8508,33  273,47; M3= 10500  444,99 cel/mm³) e comparado ao GVR (M1= 9175  444,45; M2= 8566,66  393,19; M3= 9275  491,60 cel/mm³); aumento no leucograma de neutrófilos do GC em M3 (M3= 6452,5  327,30 cel/mm³) comparado ao GVR (M3= 5705,41  237,67 cel/mm³); aumento no leucograma de linfócitos do GC em M3 comparados a M2 e M1 (M1= 2654,75  81,02; M2= 2489,45  95,46; M3= 3246  182,73 cel/mm³); diminuição nos episódios de IVAS do GVR em M3 (M1= 0; M2= 0,11  0,06; 0,11  0,04) comparados ao GC (M1= 0; M2= 0,22  0,07; M3= 0,58  0,08).

Conclusão: As cargas de treinamento utilizadas no GVR induziram monocitose, linfocitose e redução dos episódios de IVAS, supondo assim uma contribuição destas na melhora da resposta imune durante o período avaliado. Desta maneira, o exercício físico regular e moderado pode promover melhorias na saúde e qualidade de vida dos praticantes.

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