Resumo

O objetivo deste estudo foi verificar o efeito de um programa de intervenção motora nos aspectos motores, psicossociais e acadêmicos de escolares com dificuldades na aprendizagem matriculados do 1o ao 4o ano de escola básica municipal de Florianópolis/SC. Após triagem realizada pelos professores de classe para identificar os alunos com dificuldades na aprendizagem (escrita, leitura, cálculo) ou com problemas de conduta, aplicou-se nestes o Questionário de Hábitos de Vida e a Escala de Desenvolvimento Motor – EDM, sendo que esta última foi realizada antes e depois de 34 intervenções motoras de 45 minutos, realizadas na própria escola, em horário de aula. Para fins de análise estatística a amostra de 38 escolares com dificuldade na aprendizagem foi pareada em dois grupos de acordo com sexo e idade: G1 – escolares com QMG < 80 e G2 – escolares com QMG > ou = 80. Os dados foram armazenados no programa estatístico SPSS. Para analisados utilizou-se este e o programa Excel. Foi utilizada estatística descritiva e inferencial, esta última para comparar as médias intra-grupos pré e pós-teste (Teste t para amostras independentes ou Wilcoxon) e entre grupos (Teste t para uma amostra), com nível de significância p< 0,05. Quanto às dificuldades na aprendizagem, quase 70% da amostra apresenta problemas na escrita, na leitura, no cálculo e problemas de comportamento associados, sendo que a dificuldade mais frequente foi no cálculo, atingindo 89,5% destes escolares. Quanto aos hábitos de vida verificou-se que pertencem a um nível socioeconômico baixo e que seus pais apresentam baixo nível de escolaridade. A maioria não participa de atividade sociocultural nem esportiva extracurricular, poucos estudam ou leem quando estão em casa. Quanto ao desenvolvimento motor, o quociente motor geral (QMG) do grupo foi 81,26 que o classifica como normal baixo. As áreas de maior déficit foram o esquema corporal, a organização espacial e a organização temporal. Mais de 30% da mostra apresentou lateralidade completa indefinida. Para G1, a melhora após o tratamento foi significativa para o QMG, e para as áreas de motricidade fina, esquema corporal, organização espacial e organização temporal. No caso de G2, o QMG se manteve e não houve melhora significativa em nenhuma das áreas. Este estudo mostra que 2 sessões semanais de intervenção motora focadas nas reais dificuldades dos escolares e inseridas no ambiente escolar, podem melhorar significativamente o desenvolvimento motor, acadêmico e psicossocial de escolares com dificuldade na aprendizagem.