Jogo e Desenvolvimento: Estudo com Crianças de 05 e 06 Anos em Uma Escola Privada na Cidade de Hortolândia/SP

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2011 28/02/2011

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Resumo

O fenômeno jogo é observado de forma particular na infância, marcando características específicas de mudanças e continuidades no processo de desenvolvimento. É um dos fenômenos mais significativos para a criança ao realizar sua experiência existencial no mundo das ações humanas. Todavia, o espaço e o tempo disponíveis para o jogo, na perspectiva do desenvolvimento humano acontecendo em um sistema aninhado, têm sido suprimidos, principalmente aqueles que têm na motricidade humana sua forma mais eloqüente de manifestação. Sendo uma estrutura para ação, a supressão expressiva do espaço e tempo disponíveis para o jogo poderá estar provocando prejuízos ao desenvolvimento e bem estar da criança. Objetivo: Estudar a interação da criança com o ambiente no ato de jogar, verificando seu desenvolvimento. Materiais e Métodos: Pesquisa do tipo qualitativo exploratóriodescritivo, pautada nos pressupostos do Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano, por meio do método de inserção ecológica. Participaram do estudo 50 crianças de ambos os sexos, sendo 25 delas residentes na cidade de Hortolândia, com idades entre 5 e 6 anos, matriculados em duas turmas de primeiro ano do ensino fundamental de uma escola privada. Os instrumentos utilizados foram: diários de campo para registro das observações in locu e filmagem; questionários semi-estruturado e estruturado, para obter dados do cotidiano das crianças no microssistema secundário (casa) e do macrossistema (cidade de Hortolândia). As observações in locu das crianças aconteceram em circunstâncias de jogos em 20 sessões semanais. Os critérios para escolha da cidade e turma foram acessibilidade e representatividade. Resultados e Discussão: Na escola (microssistema principal) observamos que as circunstâncias dos jogos foram marcadas pelo equilíbrio entre as disposições geradoras e os recursos, orientado para o êxito da ação. Houve predomínio de estruturas interpessoais de participação conjunta. A participação em jogos locomotores foi significativa para a maioria das crianças, bem como nos jogos objeto-direcionados, social e de fantasia. A alegria foi a emoção predominante. Observamos ampliação na estrutura das relações interpessoais e engajamento em atividades de participação conjunta, maior controle da emoção e aquisição de capacidades e habilidades observadas na exploração e sustentação das formas de jogos. Os pais disseram que em casa (microssistema secundário) as crianças apresentavam disposição para jogos de exploração, de objeto-direcionados e de fantasia; a residência foi apontada como principal espaço para a criança jogar e os pais disseram ter pouco tempo para participar de jogos com os seus filhos (as). Na cidade de Hortolândia (macrossistema) apesar de haver espaços para o lazer, estes em sua maioria não estão disponíveis para as crianças, tendo em vista o risco físico e social e a restrição de mobilidade. Na análise da inter-relação entre os níveis do sistema, constatamos elementos do macrossistema e mesossistema exercendo força sobre o ato de jogar da criança, assim como as interações estabelecidas no ambiente de jogo agindo sobre o sistema, sustentando formas particulares de interação entre o organismo e o ambiente. Considerações Finais: O jogo enquanto uma estrutura para ação de caráter relacional, influencia e é influenciado por diferentes níveis do sistema e é detentor de características próprias do ambiente em que acontece, as quais são capazes de colocar em movimento os recursos da pessoa. A natureza do jogo (ato de jogar) é orientada para o êxito da ação, desse modo exige o máximo dos atributos da pessoa para responder a demanda do jogo, ou seja, satisfazer o impulso para o jogo. Todavia, observamos que diferentes níveis do sistema estão suprimindo o espaço e tempo disponíveis para o jogo, por conseguinte, podendo afetar o status do desenvolvimento da criança. Tornar o espaço e tempo disponíveis para o jogo perpassa por ações que alcancem diferentes níveis do sistema, desde os microssistemas em que a criança participa diretamente às Políticas Públicas no macrossistema.

Endereço: https://www.unimep.br/phpg/bibdig/aluno/visualiza.php?cod=801

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