Jogos/brincadeiras Indígenas: a Memória Lúdica de Adultos e Idosos de Dezoito Grupos étnicos

Por: , Neide da Silva Campos e Severiá Idioriê Xavante.

Jogos e Culturas Indígenas: Possibilidades Para a Educação Intercultural na Escola.

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Resumo

Por viver muitos anos dentro do mato moda ave o menino pegou um olhar de pássaro — Contraiu visão fontana. Por forma que ele enxergava as coisas por igual como os pássaros enxergam. As coisas todas inominadas. Água não era ainda a palavra água. Pedra não era ainda a palavra pedra. E tal. As palavras eram livres de gramáticas e podiam ficar em qualquer posição. Por forma que o menino podia inaugurar. Podia dar às pedras costumes de fl or. O menino e os  pássaros vivem em igualdade de natureza por ter vivido muitos anos dentro do mato. Dessa nova modalidade de se viver, resultou uma maneira de ver – “contraiu visão fontana”. (Manoel de Barros -Poemas Rupestres)

Este texto é resultado de um trabalho realizado com os professores indígenas em formação no Curso de Licenciatura “3º Grau Indígena” da Universidade do Estado de Mato Grosso1, com material didático da disciplina Educação Física, ministrada pelas professoras Beleni Grando e Severiá Idiorié Xavante, na cidade de Barras dos Bugres, em julho de 2004.

Com o objetivo pedagógico, foi desenvolvido um trabalho acadêmico em que os alunos – professores indígenas em formação no ensino superior – buscaram em suas comunidades diagnosticar quais eram os jogos e brincadeiras que estavam presente na memória lúdica das pessoas. Para identifi car as relações entre a cultura lúdica e as mudanças sócio-culturais da comunidade, optou-se por orientar o levantamento das memórias dos parentes dos professores com idades de 25 anos até 92 anos. O trabalho foi desenvolvido com mulheres e homens de 18 etnias, sendo a maioria residente em territórios localizados em Mato Grosso.

As etnias que participam deste trabalho sobre as “brincadeiras” (JOGO) presente na memória lúdica dos jovens e adultos são: Umutina, Baniwa, Rikbatsa, Pataxó, Trumai, Xavante, Bakairi, Paresi, Irantxe, Ikpeng, Bororo, Tikuna, Terena, Tukano, Pataxó, Juruna, Tapirapé e Mehinako.

Este texto, portanto, resulta do esforço acadêmico coletivo entre indígenas e não indígenas, em busca da produção de material pedagógico para a educação intercultural sobre as práticas corporais lúdicas, e apresenta o que capturamos dos dados obtidos por estes professores de diferentes etnias e territórios indígenas. Nosso objetivo é sistematizá-los e inferir uma refl exão ao mesmo, visando compreender quais brincadeiras estão presentes por faixa etária nas diversas culturas lúdicas e como estas podem ser potencialmente utilizadas para uma Educação Intercultural que valorize as culturas e histórias desses povos do Brasil.

Assim, buscaremos identifi car por meio dos dados empíricos, quais brincadeiras são específi cas (tradicionais) nas diferentes etnias, quais brincadeiras foram incorporadas e modifi cadas, bem como as brincadeiras que são introduzidas pela escola no espaço de territoriedade indígena.

Os alunos/professores, por orientação didática da disciplina, a fi m de compreenderem que na escola o brincar compõe o processo de ensino-aprendizagem de outras disciplinas e que, o JOGO, como um conteúdo da Educação Física, deve ser inserido no trabalho pedagógico do professor no sentido de levar os alunos a vivenciarem práticas sociais que tenham signifi cados, que os desafi em para conhecerem novas formas de movimentar-se, de relacionar-se com os outros, conhecer novos materiais, criarem novas regras, construírem relações com o espaço, com o tempo, com os colegas e consigo mesmo. Desafi ado pelo brincar, aprende sobre o brincar, o brinquedo, a brincadeira, mas também aprende novas possibilidades de interagir com outros colegas, outros materiais, outros espaços, com criatividade e alegria.

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