Jogos Olímpicos de 1952: o Percurso de Um Atleta Brasileiro no Hipismo

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XXIX Simpósio Nacional de História

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Resumo

O atleta sul-rio-grandense do hipismo Gérson Borges participou dos Jogos Olímpicos de 1952, em Helsinque, na Finlândia. A prática do hipismo, no Rio Grande do Sul, foi introduzida por militares da polícia estadual, conhecida como “Brigada Militar”, da qual o cavaleiro Gérson Borges era integrante. O objetivo do estudo foi investigar as práticas e representações culturais agenciadas no cenário hípico do Rio Grande do Sul decorrentes da participação do cavaleiro Gérson Borges na edição dos Jogos Olímpicos de 1952. A investigação parte da noção de que as práticas corporais e esportivas desempenharam uma função proeminente para a história do Rio Grande do Sul, em particular nos campos da sociabilidade, lazer e preservação das culturas. Assim, em busca de uma versão histórica sobre o hipismo, isto é, contextualizá-lo no seu período, analisá-lo e permitir que dele originem-se diferentes interpretações, foi realizada uma análise documental de revistas e jornais. Evidenciou-se que, apesar do conflito entre diferentes versões das fontes acerca de sua participação de fato como um atleta na equipe brasileira ou apenas na delegação nacional olímpica, as representações olímpicas de Gérson Borges associavam-se a um imaginário de nacionalidade brasileira e, concomitantemente, com valores regionais do Rio Grande do Sul. Possivelmente, foram cunhadas tais representações olímpicas nacionais e regionais em função de um contexto de valorização da identidade brasileira perante um regime político ainda muito atrelado ao Estado Novo, como também um movimento cultural visando ao fortalecimento de uma identidade regional do Rio Grande do Sul. Ainda cunharam-se representações alusivas à habilidade de Gérson Borges com os cavalos, vinculada à sua identidade militar. Também se identificou a consolidação da Sociedade Hípica Porto Alegrense, a partir da década de 1950, como a principal entidade responsável pela formação de atletas e cavalos do hipismo sul-rio-grandense os quais, posteriormente, viriam a participar de edições seguintes dos Jogos Olímpicos. Desde então, além dos militares, cavaleiros civis começaram a se destacar no hipismo. Contudo, as conquistas do coronel Gérson Borges não foram esquecidas. Em sua homenagem, foi organizada uma competição denominada “Copa de Hipismo Cel. Gérson Borges”, no final da década de 1980, realizada no Clube Farrapos, em Porto Alegre. Este evento passou a constituir o calendário hípico do Rio Grande do Sul. Desta forma, identifica-se uma iniciativa no que concerne à recuperação e socialização da memória esportiva brasileira. Ressalta-se que já foram agendadas entrevistas com o filho e com a esposa de Gerson Borges, as quais, apesar de ainda não realizadas, produzirão fontes orais que podem gerar novas versões futuras da pesquisa.

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