Jogos Tradicionais e Brincadeiras Infantis

Por: e Reinaldo Conceição Cruz.

Atlas do Esporte do Maranhão.

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JOGOS TRADICIONAIS E BRINCADEIRAS INFANTIS

LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Reinaldo Conceição Cruz.

Definição - Jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatória dotada de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida cotidiana”. (Huizinga, l180, p. 33). Abrange jogos de força e de destreza, jogos de sorte, de adivinhação, exibições de todo gênero.

 

Por definição do Atlas do Esporte no Brasil (Alexandre Marcos de Mello, 2005, p. 35-36), jogos e esportes tradicionais são atividades lúdicas, competitivas e/ou cooperativas, que refletem a identidade cultural de um determinado grupo étnico, distinguindo-se dos esportes de apelo internacional sujeito a padrões organizacionais e regras universais. Já os jogos e brincadeiras tradicionais infantis são atividades passadas de geração a geração, em geral aprendidas pelas crianças mais novas com as de mais idade, durante ato de brincar. Também denominados de jogos populares.

 

PAPAGAIO – papagaio de papel, coruja, arraia. Na descrição do Dicionário Morais: folhas de papel, ou lenço, estendidas sobre uma cruz de canos, e cortados em figura oval, com um rabo na parte fina, que se soltam ao ar, e lá se mantêm, seguras por um cordel ou barbante. Os portugueses trouxeram o papagaio do oriente, Japão, e China, onde é popular. No Brasil chama de raia ou arraia, em alusão a forma ramboidal do peixe (Câmara Cascudo, 1972, p. 669-670).

No Maranhão, usam-se as denominações: papagaio, pipa, bode, sura e curica.

 

Papagaio – a tala do meio é maior – longitudinal maior – rabo de algodão amarrado na linha;

Pipa – tala transversal é maior, rabo de papel amarrado num fio – a pipa é de uso mais recente;

Bode – papagaio grande, com rabo de algodão;

Sura – papagaio grande, sem rabo;é  “selado”;

Curica – papel de jornal ou grosso, com talo, e rabo do próprio papel, geralmente usados pelos garotos menores.

O papagaio, ou pipa, em São Luís, é lançado geralmente no período invernoso (chuva) quando o vento é mais ameno.

Pipódromo – locais de prática de empinar pipas – Vinhais, Cohab, Areinha e São José de Ribamar.

 

PETECA – Gude: jogo infantil com bolinhas de vidro, que se deve fazer entrar em três buracos, ganhando o jogador que chegar em primeiro lugar, de volta ao primeiro buraco (Câmara Cascudo, 1972, p. 440-441).

No Maranhão, recebe o nome de Peteca: bolinha de gude; jogada no período de chuva, porque é mais fácil de fazer a borroca (buraco).

 

Borroca – jogado em número de três buracos, feitos com o calcanhar; jogo de ida e volta, para começar a matança. A peteca é jogada do primeiro para o terceiro buraco; não havendo distancia definida, mas usa-se aproximadamente 2 a 2,5 metros, de um para o outro; quem fica mais próximo da barroca, ou acerta-a, começa o jogo, indo e voltando e, após esse percurso, sem errar os buracos, começa a “matança”, isto é, acertar a peteca dos outros jogadores; dependendo do acerto entre os jogadores, antes do início do jogo, a “paulada” vale um certo número de “petecas”.

Triângulo – como o nome diz, usa-se a figura de um triângulo, para definir a área de matança. Os jogadores colocam certo número de petecas no seu interior; é estabelecido duas linhas, a aproximadamente 5 a 2 metros de distância, em lados opostos; os jogadores se posicionam em uma das linhas, jogam suas petecas para acertar a linha contrária, ou o mais próximo, possível desta, para determinar quem inicia o jogo; aqueles que a ultrapassem, ficam por ultimo, na mesma ordem inversa da distância; o primeiro, começa a “espirrar”a bola dos outros - acertar as petecas que estão no interior do triângulo, procurando projetá-las para fora das linhas, e ao mesmo tempo, que a sua não fique no seu interior – começando o “mata-mata” - pode continuar matando as bolas dos adversários, até errar ou tirar todas; ganha quem conseguir o maior número de petecas.

 

AMARELINHA – de acordo com Câmara Cascudo (1972, p. 25-26) também chamada Academia ou cademia. Jogo ginástico infantil, muito antigo e muito espalhado por todo o Brasil. Em outras regiões, da América Latina, denomina-se de La Pelegrina, e é idêntico ao Jogo das Odres, dos romanos e às Ascólias, dos gregos.

 

ELÁSTICO – jogo de destreza; que consiste em ultrapassar um elástico, de aproximadamente 3 a 5 metros, colocado a determinadas alturas, começando pela altura do quadril, seguro por dois competidores; o saltador projeta-se para cima, procurando ultrapassar o elástico, sem tocá-lo; a uma determinada altura, geralmente na altura do peito, pode utilizar-se do pé, apoiando por sobre – parte de cima – o elástico, puxando-o para baixo, ao mesmo tempo que o ultrapassa – pulando para o outro lado. Geralmente é brincado pelas meninas, mas meninos participam.

 

XUXO ou CHUCHO – jogo de destreza; consiste em “fincar” uma pequena aste de ferro fino no chão, por dois ou mais competidores, que fazem desenhos no chão, geralmente um triângulo, do local onde a aste fincou no chão, em linha reta, até o seguinte arremesso.

 

BETE-OMBRO – jogo em que participam duas duplas, dois atacantes e dois defensores, de uma casa – hoje, utiliza-se garrafa de plástico, antigamente, a casinha era constituída e três paus, em triângulo, apoiados um no outro – delimitada por um círculo, em que o objetivo é derrubar a casa, com uma bola – hoje, de borracha (frescobol), antigamente, de pano -. Os defensores devem rebater a bola, jogando-a longe, o que possibilita trocarem de lado. Cada troca de lado, vale um certo numero de pontos; ganha quem atinge um determinado numero, conforme combinação previa. Quando os atacantes conseguem derrubar a casa do adversário,invertem-se os papéis. Jogado geralmente nas férias escolares.

 

PIÃO – pinhão, brinquedo de madeira, periforme, com uma ponta de ferro, por onde gira pelo impulso do cordão enrolado na outra extremidade e puxado com violência e destreza. Ostrombos dos gregos e o turbo dos romanos, é o mesmo jogo do pião das crianças de hoje. No Brasil, a maioria das condições para o jogo é semelhante à registrada em Portugal (Câmara Cascudo, 1972,p. 712-713). Também denominado de finca.

JOGOS E BRINCADEIRAS INFANTIS EM DIVERSAS LOCALIDADES

      BURITI BRAVO

As crianças divertem-se brincando de corridas, peteca, cancão, boca-de-forno, pular corda. Etc.

CANTANHEDE

Na década de 1970, o Futebol de Quintal - - o futebol era a maior diversão de Cantanhede, mas o futebol jogado no fundo de quintal, como o de Tó, onde a movimentação começava lá pela uma da tarde, onde se iniciava a brincadeira dos meninos; mais tarde, por volta das duas horas, iniciava-se o jogo dos adultos. Faziam-se presentes as famílias Aguiar e Patico (Tó, Cassiano, Ambrósio, Valdemiro, Genivaldo, Josiel Franco, Agnaldo, Abraão (Abraão Teixeira, de que tomamos os dados, nasceu em 1965...), Gerson, Nonato, Tista, etc,). Por volta das três da tarde, a maioria tomava e retornava ao seu trabalho. Existiam outros quintais, onde os outros jovens costumavam brincar, como o da Prefeitura – Chico do Carlos Sousa, Cheiroso, Dimas, Marconi, Carlito Amaral, Louro e outros; no quintal do Maneco aconteceu uma época de bom futebol onde Edivaldo, Gessy, Tinha, Santos, Itamar, Francisco, Caio, etc., e enquanto uns jogavam outros aguardavam o desafiado comendo manga, jaca, e outras frutas.

COELHO NETO

Brinquedos populares: usa-se o talo do buriti, lata ou madeira para fazer brinquedos populares, como: carros, mesinhas, cadeirinhas, camas, etc.; confeccionam-se ainda bonecas de pano, pipas;

CURURUPU

Lúdica popular – as crianças do município divertem-se com as brincadeiras bola queimada, bola ao túnel, soltar a vara porteiro. Os adultos distraem-se com jogos de salão, como dominó, dama, baralho, gamão e xadrez.

GUIMARÃES

BRINCADEIRAS INFANTIS – papagaio (pipa); peteca (bola de gude); corda, boca de forno, pião, cai no poço, pata cega. Cantigas de roda.

MATINHA

Brinquedos populares: são fabricados pelas próprias crianças, sendo os preferidos – cata-vento, flauta de taboca ou mamão; caninhos de bambu; gangorra; pião; avião de tala de cerca; perna de pau; burra de imbaúba; papagaio de papel; carrinho de madeira; gaiola; pultriqueiro de madeira e aviãozinho de lata.

MIRADOR

– lúdica popular: as crianças do município têm poucos divertimentos, que são: brincadeira do cancão, da boca de forno, de pular corda, do baralho, que é utilizado para jogos de “três sete”, “pife”, “buraco”, “bisca”, etc.

PEDREIRAS

Lúdica popular – as brincadeiras populares praticadas pelos adultos são os jogos de baralho, dama, dominó, etc., enquanto as crianças se divertem brincando de roda, peteca, cancão, etc.

SÃO DOMINGOS DO MARANHÃO

Lúdica popular: as crianças do Município têm poucas opções de lazer, passando seu tempo livre com brincadeiras de ruacomo; cancão; boca de forno;pular cordas; bambo.

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