Jovens Circenses na Corda Bamba: Confetos Sobre o Riso e o Corpo na Educação em Movimento Autora: Maria Dilma Andrade Vieira dos Santos

Por: Maria Dilma Andrade Vieira dos Santos.

154 páginas. 2014 15/08/2014

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Resumo

Este trabalho apresenta a relação entre o riso e o corpo para jovens circenses e traz os resultados de uma pesquisa de mestrado realizada com oito jovens, integrantes da Escola de Circo Social Pé de Moleque, em Teresina - PI. A escola realiza trabalho pedagógico que utiliza a arte como processo de produção de conhecimento, promovendo educação corpo/arte/movimento; e faz uso da pedagogia do riso, utilizando-o como potência motivadora do desejo, elemento fundamental para a aprendizagem em movimento. Nesse sentido, a Escola de Circo Social, estabelece uma diferença pedagógica para com alguns espaços educativos regulares. Nesses, há preconceito contra o movimento, permanece latente a ideia de separação entre mente e corpo, suprimindo outros modos de conhecimento que não sejam baseados na racionalidade; naquela, ganham lugar a imaginação, a criatividade, os sentimentos, a intuição, o conhecimento sensual, a alegria, a experiência. A investigação tem como problema: Qual a relação entre o riso e o corpo na escola de Circo Social para jovens circenses? Essa pergunta envolve, sobretudo, a potência de agir do corpo jovem na sua relação com o riso e com a arte circense que o produz. Portanto, a relevância desta pesquisa está em apontar outras possibilidades de práticas educativas que levem em consideração o riso e o corpo como dispositivos potencializadores de aprendizagens. Tem como objetivo geral: analisar o pensamento de jovens circenses sobre a relação entre o riso e o corpo na Escola de Circo Social. Por conseguinte, as seguintes questões norteadoras: Como os jovens circenses pensam a relação entre o riso e o corpo na Escola de Circo Social? Como favorecer a criação de outras formas de pensar a relação entre o riso e o corpo na escola de Circo Social? Que pode o corpo dos jovens circenses na relação com o riso na Escola de Circo Social? Como referencial teórico-metodológico, fez uso da Sociopoética – abordagem filosófica de pesquisa que utiliza a arte como potencializadora da criação de confetos (conceitos + afetos) –, conforme Gauthier (1995, 1999, 2012), Adad (2008, 2011, 2012) e Petit (2012), por meio de técnicas que funcionam como dispositivos de desconstrução de ideias naturalizadas, possibilitando outras formas de pensar. Nos debates sobre Circo Social, riso e corpo foram levados em consideração os trabalhos de Mancilla (2012); Câmara e Silva (2009); Morin (2001); Larrosa (2002, 2010, 2011); Alves (2004, 2011, 2012); Bakhtin (1993); Bergson (1983, 2011); Greiner (2005); Spinoza (2013); Deleuze e Guattari (1992); Corazza (2013). O dispositivo da pesquisa para a produção de dados foi inspirado na técnica artística Action Painting, de Jackson Pollock, denominada na pesquisa de CORpogestoAÇÃO, momento em que os jovens, por meio de movimentos corporais, jogavam tinta sobre uma grande tela de lona estendida no chão. Seu desdobramento foi intitulado Palimpsesto do Riso, em que as marcas de tinta deixadas no corpo foram fotografadas de ângulos próximos, produzindo imagens surreais, que depois foram escolhidas em duplas pelos participantes, e relacionadas ao tema-gerador, à experiência com a técnica e com as vivenciadas no circo. As análises dos dados destacaram os confetos e os problemas que mobilizam e atravessam o pensamento do grupo-pesquisador, quais sejam: Corpo riso interligado, Corpo deslizando na Educação, Corpo deslizante do circo, Corpo Controlado, Corpo pirâmide, Experiência diversos sentimentos dúvida, Experiência diversos sentimentos medo-diversão, Corpo todo sujo brincando junto com os amigos, Riso Colorido, Riso Morto e o Riso alívio flexível. Esses confetos problematizam o aprender na incerteza, sem controle, no deslize, onde não se sabe muito bem o que vai acontecer, e outra forma de controle/disciplina que potencializa. Aponta o riso como dispositivo que afeta, contagia, como potencializador de aprendizagens, de movimento e de flexibilidade frente à rigidez e ao automatismo da vida. A análise dos confetos apresenta elementos para pensar o currículo e as práticas educativas, ao apontar para um movimento de construção e de desconstrução de saberes, um movimento de abertura a novas possibilidades de ensinar e de aprender, e para a aprendizagem/experiência que transforme os espaços educativos. 

Endereço: http://www.ufpi.br/ppged/index/pagina/id/7456

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