Laço Comprido: Reflexões Sobre Essa Prática no Cotidiano do Centro de Tradição Gaúcha (CTG), na Cidade de Ponta Grossa - Paraná

Por: Miguel Archanjo de Freitas Júnior e Tatiane Perucelli.

XV Congresso de História do Esporte, Lazer e Educação Física - CHELEF

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Resumo

O laço comprido consiste em uma prova na qual o laçador tem aproximadamente 100 metros para fazer a laçada, que necessita ser feita nos dois chifres do boi para que o mesmo não solte. Esta prova possui sua gênese a partir do movimento tropeiro, e foi resignificada por seus agentes adquirindo diferentes significados dentro da cultura gaúcha. A partir disso, o presente estudo tem como objetivo refletir sobre a diversidade das práticas do Laço comprido, na perspectiva esportiva, de lazer e como integrante no processo de construção identitária, em um Centro de Tradição Gaúcha (CTG) na cidade de Ponta Grossa - Paraná. Para isso, encontra-se na etnografia uma das possibilidades de investigação. A etnografia não consiste apenas em uma técnica, pois quando pratica-se a etnografia é necessário se “[...] estabelecer relações, selecionar informantes, transcrever textos, levantar genealogias, mapear campos, manter um diário e assim por diante”. (GEERTZ, 2008, p. 4). A efetivação deste processo, deu-se a partir de contatos com o CTG, e visitas que se realizaram nas quartas-feiras (nas vacas gordas), no final da tarde e início da noite, e em rodeios. Como aporte teórico, alguns autores e suas teorias foram utilizados. Dentre eles estão: Pierre Bourdieu (2011), para estruturar o campo; Stuart Hall (2003) e Zigmund Bauman (2005), para analisar o processo de construção identitária; e Nelson Carvalho Marcellino (1998), para discutir esporte e lazer. Conclui-se que está manifestação cultural possui diversas resignificações, fazendo-se necessárias discussões sobre o tema. Para alguns agentes inseridos no campo, essa prática torna-se uma manifestação esportiva, com o intuito de competir e gerar vitória, para outros, uma forma de lazer. A partir das observações realizadas, essa prática torna-se um dos meios de se compreender o processo de construção identitária de determinados indivíduos e grupos.

Referências

BAUMAN, Z. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro, J Zahar Editor, 2005.

BOURDIEU, P. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 2011.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, lª edição, 2008.

HALL, S. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Org. Liv Sovik. Belo Horizonte: Editora UFMG, Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003.

MARCELLINO, N. C. Lazer: concepções e significados. Belo Horizonte, Licere, v.1, n.1, p. 37- 43, 1998.

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