Lazer Como Direito, Necessidade ou Dever de Consumo? Perspectivas Psicanalíticas

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XXV ENAREL - Encontro Nacional de Recreação e Lazer

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Resumo

Por considerar o lazer um fenômeno humano que se relaciona com diversos aspectos sociais, face ao dinamismo social e econômico que provoca mudanças cotidianas na forma de ser e agir dos sujeitos, acredita-se que é pertinente a realização de frequentes investigações a fim de questionar o sentido e a representação deste lazer para a sociedade. Com isso, deve-se estimular para que diversificadas áreas do conhecimento possam debruçar-se sobre este fenômeno e contribuir para a construção de um corpo teórico robusto que auxilie no desenvolvimento de novas práticas e no transformar da sociedade. Portanto, acreditar que os aspectos psicológicos, incluindo os fatores inconscientes, influenciam diretamente no fazer/ser/consumir do lazer, identificou-se a necessidade de investigar esse fenômeno à luz das teorias psicanalíticas. Por tratar-se de uma investigação inicial, com propósito inclusive de organizar e desenvolver preliminares associações do pensamento psicanalítico com as teorias e vivências sociais do lazer desenvolvidas na atualidade, para esta pesquisa optou-se por realizar levantamentos e análises em fontes bibliográficas e documentais, permitindo assim que a aproximação lazer/psicanálise seja facilitada. Embora já observado que alguns pesquisadores iniciaram este processo de aproximação das áreas, é notório que os dados produzidos ainda são incipientes, e carecem de mais esforços. Esta pesquisa projeta como objetivo principal, observar, a partir das teorias psicanalíticas, as (in)congruências da relação lazer e consumo no mundo contemporâneo; para isto, busca-se pontuar os processos e mecanismos inconscientes presentes nas vivências cotidianas de lazer e a transformação dessa experiência em um ato de consumo. Para estruturar o levantamento e análise dos dados, além de facilitar ao leitor, principalmente os de diferentes áreas de formação, ao longo da pesquisa serão realizadas considerações acerca da conceituação do lazer, suas práticas mais representativas na sociedade atual, significados e associações dos termos psicanalíticos trabalhados, e as características do funcionamento dos mecanismos inconscientes inerentes ao processo lazer/consumo. Por fim,pretende-se instigar questionamentos que se relacionam com a temática e que se configuram como primordiais para o entendimento do lazer à luz da psicanálise, tais como: Quais papéis são atribuídos ao lazer? Como isso se relaciona com as demais práticas cotidianas? O que se busca nas práticas de lazer? Existe escolha? Quem escolhe? A pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento,tendo previsão de conclusão em dezembro de 2013, no entanto, até o presente momento foi identificado que, ao analisar as práticas de lazer características da sociedade atual, associadas a conceitos psicanalíticos como fuga, compulsão a repetição, pulsão de morte e narcisismo, existe uma tendência à representação de um lazer como algo a ser consumido para a garantia de uma satisfação plena, posicionando o sujeito em um patamar inalcançável frente às frustrações da vida. Situação a qual o indivíduo não se coloca apenas por um “surto de hedonismo” característico da sociedade, mas também por uma necessidade coletiva de apropriação e pertencimento, onde as vivências que lhes são de direito (lazer) e que propiciariam um desenvolvimento humano e social são traduzidas em práticas de consumo que contradizem as características primárias do lazer.
 

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