Lazer e Currículo: Uma Análise das Propostas Curriculares da Educação Física Para o Ensino Médio

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XXV ENAREL - Encontro Nacional de Recreação e Lazer

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Resumo

O lazer recebeu maior notoriedade no Brasil após a Constituição de 1988, quando passou a ser considerado direito social, assim como a saúde, o trabalho, a moradia e outros. Para fazer jus a este direito, consideramos que a escola tem papel fundamental para que os cidadãos possam de fato usufruir do lazer. Para Marcellino (2006), a escola deve educar para o lazer, utilizando-o como objeto de estudo e não apenas como veículo. Para Bourdieu (1983), a escola, como instituição social, é a principal responsável por refletir e apontar saídas à educação do tempo livre, já que ela reflete as aspirações sociais do momento. Considerando esses pressupostos, o pre sente estudo busca analisar as propostas curriculares da Educação Física do Ensino Médio, produzidas pelas Secretarias Estaduais de Educação da região Sudeste, a fim de identificar como o lazer é discutido nesses documentos enquanto componente pedagógico. Consideramos que os resulta dos deste estudo possam contribuir para uma importante reflexão sobre o lazer nas aulas de Educação Física Escolar, possibilitando inclusive um (re)formulação dos currículos da disciplina. Para identificar o conteúdo “lazer” nas propostas curriculares, utilizamos a Análise do Conteúdo Categorial Temática de Bardin (2011). Segundo a autora, este método permite maior objetivida de no tratamento dos dados de pesquisa qualitativa, favorecendo a identificção de categorias temáticas. Após a análise dos dados percebemos que o lazer é pouco abordado nas propostas curriculares. No documento de São Paulo, tal conteúdo é proposto somente nos dois últimos bimestres da 3 a série, nos quais são considerados vários aspectos para traçar uma relação entre lazer e trabalho. Em Minas Gerais, o enfoque dado ao lazer ocorreu através dos jogos recreativos, dos esportes e da qualidade de vida, sendo que, nesta última, com um viés predominante biológico. Vale dizer que o documento de Minas não apresenta seus conteúdos separados por bimestre, o que também ocorre na proposta curricular do Espírito Santo. Neste último estado, o lazer é visto na relação com o esporte, com a recreação e com os conhecimentos sobre o corpo. Já no Rio de Janeiro, se relaciona apenas com a recreação e em um único bimestre, o primeiro da 3 a série, repartindo ainda este espaço com outros con teúdos. Concluímos assim que há nas propostas curriculares uma intenção em discutir o lazer por parte de todos os estados. No entanto, em comparação com
outros conteúdos, percebemos que o lazer ainda é pouco abordado. Com estes resultados, sugerimos que o lazer esteja associado a todos os blocos de conteú dos da Educação Física propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (1999), discutindo sua relação com os conhecimentos sobre o corpo e com temáticas transversais, tais como, trabalho, ética, saúde/qualidade de vida e meio ambiente. Acreditamos que, desta forma, possibilitamos que os jovens contribuam para a construção de uma sociedade que reconheça e reivindique pelos seus direitos sociais ao lazer.
 

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