Lazer e Torcida Organizada

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XXV ENAREL - Encontro Nacional de Recreação e Lazer

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Resumo

O presente trabalho pretende investigar quais são as oportunidades de lazer dos frequentadores de uma torcida organizada. Como essas práticas são elaboradas e absorvidas pelos torcedores? Quais os espaços que eles fre quentam? Como podem ser pensados os momentos e espaços de lazer para esse grupo? Optando pela etnografia enquanto metodologia, essa consiste em observações sistemáticas dos participantes da torcida em espaços diversos, podendo utilizar fotografias, entrevistas, documentos e questionários para complementar o estudo, sendo necessária a discussão dos termos lazer, esporte, futebol e torcidas organizadas. Entendo o lazer como vivência e possibilidade concreta de exercer a cultura e a experiência de cidadania como um direito conquistado e que deve ser apropriado sem distinção de classe econômica, religião, gênero, raça e outros. Ressalto que os valores atribuídos ao lazer nos dias de hoje possuem uma relação dialética com a cultura, relações essas estabelecidas com o trabalho, a família, a religião, a educação, a política, entre outras, e que são construídas histórica e so cialmente (SILVA, 2012). Victor Melo (2004) comenta que para entendermos o esporte como uma forma de lazer é preciso superar alguns problemas. Primeiramente, no Brasil, a monocultura do futebol. Em muitas ocasiões, os Sesc | Serviço Social do Comércio Anais do Encontro Nacional de Recreação e Lazer indivíduos são mesmo refratários a outras práticas. Obviamente isso se articula com o espaço privilegiado que ocupa nos meios de comunicação. O tempo de exibição do futebol supera em muito o de outros esportes, sendo um desafio para o animador cultural ampliar as possibilidades de vivências esportivas de seu público-alvo. Percebe-se um consumo pouco crítico do fenômeno, sendo o esporte mais consumido pelas mídias do que praticado. Segundo Silva, Neto e Campos (2011) entre as várias vivências cotidianas entendidas como momentos de lazer, o futebol tem grande destaque. É quase consenso que esse esporte tenha se tornado uma das principais manifestações culturais (e de lazer) da população brasileira. Para Campos (2010) o futebol está presente no cotidiano de homens e mulheres, adultos e jovens via expressões, consumo de mercadorias, transmissão de valores e normas sociais, ou ainda na rede de sociabilidade e significados que se cria a partir do jogo. Nos anos 1970, começa a surgir no Brasil uma nova forma de torcer, identificada por uniformes, pela autonomia perante o clube, pelos modelos organizacionais mais elaborados e pela presença cada vez mais constante em outros espaços como sede, eventos, festas, torcidas organizadas (SILVA et al, 2012). Essas agremiações passam a ter influência na escolha e na demissão de jogadores e dirigentes e ate mesmo das comissões técnicas. Chegam às páginas dos jornais responsabilizadas por inúmeros atos de vandalismo e incidentes, constroem patrimônios e arregimentam milhares de sócios. (TOLEDO, 1996). Assim, entender os sujeitos que compõem a torcida organizada é um desafio para esse projeto, compreendendo-os como mulheres e homens que na relação com outros sujeitos produzem e reproduzem compor tamentos, indumentárias, estilos de vida e vivências de lazer.

 

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