Leituras de Jogo e da Educação Infantil: a Praxiologia Motriz Como Entre-lugar de Culturas

Por: Jéssica Gouvêa Pereira e Ronielson Silva Reis.

V Congresso Sudeste de Ciências do Esporte

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Resumo

Este trabalho em forma de pôster tem como objetivo apresentar uma prática de ensino-aprendizagem por meio de leituras dos jogos tradicionais com a Educação Infantil a partir da obra de Pierre Parlebas (1981 a 2010). Parlebas é autor de um estatuto epistemológico que considera as práticas corpóreas a partir de sua natureza sistêmica e estrutural. Nesse sentido, um grupo de alunos-mestres (bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID/UFRRJ/Capes) pôde reconhecer nas práticas corpóreas de jogos coletivos ou individuais os princípios norteadores de uma lógica interna universal para os jogos, e, a partir daí construir um lugar de resgate cultural das brincadeiras sistematizadas pela tradição da Educação Infantil. O plano pedagógico reconhecido por Parlebas como leitura não fragmenta o saber corpóreo e, dessa forma, trouxe para o grupo de alunos-mestres a reflexão junto com os alunos de uma escola pública do Estado do Rio de Janeiro, a logicidade de cada prática corpórea sistematizada. Essa forma de ensinar os assuntos das práticas corpóreas no campo da educação física pôde, desse modo contribuir para a construção da reflexão na aprendizagem de temas da cultura corporal no interior da escola.

Esse conceito parlebasiano, ao lado de outras medidas de ordem externa às práticas corpóreas da Educação Infantil, nos permite vivenciar como objetivo central desse trabalho a busca do desvendar a natureza lógica das situações motrizes expressas por meio de um conjunto de características pertinentes dos jogos, em que uma situação de jogos tradicionais, de dança ou de brincadeiras entre as crianças, verifica-se que os protagonistas moldam sua motricidade de acordo com os códigos expressivos que a situação motriz demanda (PARLEBAS, 2004). Assim, num jogo de futebol, queimado ou numa brincadeira de esconde-esconde, podemos constatar a presença de sujeitos que interagem entre eles, que se contra-comunicam, e se comportam em cada situação de modo muito peculiar. 
Ultimamente, há uma forte corrente ideológico-midiática que nos leva a áreas mais tecnológicas do saber universal. São aparelhos cada vez mais sofisticados e complexos, em que a cultura infantil está sendo sucateada e/ou sobrevivendo através da informatização. Seria a perversidade dos jogos eletrônicos, TV’s, entre outros? É sabido que, a maioria das crianças, mesmo de escola pública, está tendo acesso a toda essa tecnologia nos seus primeiros anos de vida, e podem ainda não conhecer os saberes instituídos da cultura corporal do movimento (AYOUB, 2001, pg. 43). Os jogos suscitadas pela cultura infantil não deixam de ser regidas por normas institucionais de tempo, de espaço e de interação. Estas mesmas práticas oferecem outras possibilidades de jogo, cerceamentos físicos e as próprias limitações motrizes em um campo próprio para a educação física e também podem primeiramente, mostrar as estruturas fundadoras de uma determinada situação motriz e em segundo plano suscitar a diversidade das ações motrizes presentes na Educação Infantil que a logicidade do jogo descreve e explica. Por isso, o professor de educação física muitas vezes se depara com múltiplos conteúdos da área, e na maioria das situações didáticas às condições espaciais são imperativas na escolha do que deve proporcionar aos seus alunos (BETTI & ZULIANI, 2002, pg 76). Por exemplo, quando nós optamos por uma atividade de pique corrente, ele (o jogo) acabou direcionando aos alunos a vivência de um trabalho coletivo, coadunando para a reflexão da natureza interativa que a prática corpórea proporciona. Percebemos que os alunos das turmas, 102, Pré II B, Pré I A, Pré I B e Pré II A da Educação Infantil do Centro de Atenção e Integração Paulo Dacorso Filho situado no Campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, localizada em Seropédica, Estado do Rio de Janeiro interagiram de diferentes formas com os seus companheiros e adversários, se relacionam com o espaço e o terreno de jogo diferentemente, e, além disso, cada jogo pôde requerer um objeto diferente como bola, bastões, raquetes e um comportamento distinto dos seus protagonistas. Dessa forma, buscamos saber: quais as informações que um jogador de futebol tem a captar? As relações corporais de um combate de capoeira são iguais às da dança funk? Há semelhança nas tarefas motrizes a cumprir pelos jogadores de queimado ou da amarelinha?
Neste contexto, procuramos superar o rigor das concepções utilitaristas das práticas corpóreas para desenvolver uma proposta de análise das estruturas gerativas das condutas motrizes num encontro motor dentro da Educação Infantil do Centro de Atenção e Integração Paulo Dacorso Filho. Comprovamos que a produção de um encontro motor está fundada nas ações realizadas pelos jogadores dento de uma lógica interna das diferentes culturas do jogo. Notamos que mesmo os alunos da Educação Infantil buscam descobrir táticas, estratégias, contratos e se apropriar de novas ações a partir das que já possui; e juntos (professores e alunos) procuraram desvendar a lógica interna do encontro motor, as suas redes de comunicações, os papéis mais importantes no jogo, à rede de códigos semimotrizes, e propõe situações pedagógicas em que o aluno se sinta desafiado a aprender. Nesse sentido, a Educação Física formaliza-se e se institui numa nova dimensão, como uma pedagogia praxiológica, como uma prática diagnóstica de ações motrizes com significação e, assim, como uma epistemologia reorganizadora de situações motrizes da cultura corporal do movimento. Pressupõe-se que, por intermédio das ações resultantes na produção dos alunos a intervenção do professor de Educação Física pode revelar e requalificar as ações mais significativas para a apreensão de uma prática corpórea.


 

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